O livretinho (exatamente no formato de uma tira de jornal) charmoso lançado pela estreante Balão Editorial apresenta dois passarinhos. Um é cético e sarcástico. O outro, um sonhador que almeja ser escritor e odeia Paulo, o Coelho, um grande vendedor de livros do reino animal. As sacadas cômicas partem de situações com as quais um passarinho se depararia – a procura por comida, a velha que alimenta as aves com pipoca, o gato sempre à espreita e humaniza, como era de se esperar, os dois personagens-título em uma relação de amor e ódio. Até aí, nada de novo no front. Essa é a tônica de 8 entre 10 tiras de humor. Em “Hector & Afonso”, Estevão Ribeiro, com seu traço simples e limpo, cria personagens tão carismáticos quanto os do argentino Liniers (“Macanudo”), lança mão de gags quase tão diretas e ingênuas quanto as de Mauricio de Sousa ou Dik Browne (“Hagar, o Horrível”), e em alguns momentos de lirismo desencantado chega a lembrar de Charles M. Schulz (“Peanuts”). Não custa lembrar que esses artistas desenvolveram seu trabalho durante anos até se tornarem referência. Neste livrinho, acompanhamos os primeiros passos de alguém que pode vir a se tornar um dos bons autores dos quadrinhos nacionais a conquistar um público mais amplo.
Por Arthur Dantas
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