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  <title>+SOMA: SUA DOSE DI&#193;RIA DE CULTURA INDEPENDENTE! - +REVIEWS</title>
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      <name>tiago</name>
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    <published>2008-07-07T14:30:00Z</published>
    <updated>2008-07-07T16:34:06Z</updated>
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    <title>Human Bell - Human Bell</title>
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<summary type="html">A simplicidade e a pureza, a partir de uma percepção viva na sua efemeridade, parece que sempre reverberam no ambiente musical por onde Dave Heumann e Nathan Bell adentram</summary><content type="html">
            A simplicidade e a pureza, a partir de uma percepção viva na sua efemeridade, parece que sempre reverberam no ambiente musical por onde Dave Heumann e Nathan Bell adentram
&lt;strong&gt;Human Bell . Human Bell . Thrill Jockey Records . 2008&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por Alexandre Charro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A simplicidade e a pureza, a partir de uma percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o viva na sua efemeridade, parece que sempre reverberam no ambiente musical por onde Dave Heumann e Nathan Bell adentram. Dave j&amp;aacute; tocou com Bonnie &amp;ldquo;Prince&amp;rdquo; Billy, Cass McCombs, al&amp;eacute;m de ser cantor e compositor chave do Arbouretum. Nathan tocou baixo no Lungfish de 1996 a 2003, e atualmente tamb&amp;eacute;m se dedica a um trabalho solo psicod&amp;eacute;lico e experimental que comp&amp;otilde;e com um banjo. Human Bell &amp;eacute; o duo desses dois caras. Tocando juntos desde 1999, s&amp;oacute; lan&amp;ccedil;aram seu primeiro trabalho em 2006, um EP de seis m&amp;uacute;sicas em CD-R. E agora em 2008 lan&amp;ccedil;am o &amp;aacute;lbum, que leva o mesmo nome do duo, com participa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de diversos m&amp;uacute;sicos amigos, como Ryan Rapsis (Euphone), Peter Townsend (Speed to Roam, Bonnie Prince Billy), Michael Turner (Warmer Milks, Speed to Roam), entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Human Bell &amp;eacute; instrumental, &amp;eacute; suficiente. S&amp;atilde;o dois m&amp;uacute;sicos com caracter&amp;iacute;sticas de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o diferentes. Dave &amp;eacute; respons&amp;aacute;vel pela vivacidade das melodias, como observa-se em seu trabalho no Arbouretum, e Nathan pela progress&amp;atilde;o dos temas, propensos &amp;agrave;s repeti&amp;ccedil;&amp;otilde;es hipn&amp;oacute;ticas e profundas. Ao mesmo tempo em que o disco tem momentos r&amp;iacute;tmicos empolgantes, percebemos que eles compartilham em suas m&amp;uacute;sicas diversas sensa&amp;ccedil;&amp;otilde;es e sentimentos sem buscar a positividade da certeza, sem a empolga&amp;ccedil;&amp;atilde;o da ansiedade, sem promover a superioridade; um pensamento de composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o livre, apenas centrando na express&amp;atilde;o sensorial da uma m&amp;uacute;sica que abre precedentes para a reflex&amp;atilde;o motivada pelos sons.
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      <name>tiago</name>
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    <published>2008-06-30T16:51:00Z</published>
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    <title>Ambi&#231;&#227;o no Deserto, de Albert Cossery</title>
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<summary type="html">O essencial para Cossery é ponderar sobre os benefícios de uma conduta devotada aos prazeres da vida, convidando-nos ao despojamento e ao riso como forma de subverter os valores de uma sociedade</summary><content type="html">
            O essencial para Cossery é ponderar sobre os benefícios de uma conduta devotada aos prazeres da vida, convidando-nos ao despojamento e ao riso como forma de subverter os valores de uma sociedade
&lt;p&gt;Ambi&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Deserto . Albert Cossery . Conrad Editora . 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eg&amp;iacute;pcio Albert Cossery &amp;eacute; o famoso romancista da pregui&amp;ccedil;a, encarando esta como atividade filos&amp;oacute;fica. Talvez por isso, em mais de 70 anos de atividade liter&amp;aacute;ria, tenha publicado apenas oito livros, ao ritmo de uma frase por dia, como gosta de ressaltar. O livro publicado recentemente no Brasil (a terceira obra de Cossery publicada pela Conrad), uma obra de meados dos anos 1980, &amp;eacute; seu &amp;uacute;nico romance a n&amp;atilde;o retratar o Egito um tanto imagin&amp;aacute;rio do autor, j&amp;aacute; que Cossery vive em um mesmo quarto de hotel em Paris desde 1945. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A trama deste romance &amp;eacute; simples: em Dofa, emirado fict&amp;iacute;cio, uma s&amp;eacute;rie de atentados a bomba desperta rea&amp;ccedil;&amp;otilde;es variadas na popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Para Ben Kadem, o primeiro-ministro, as explos&amp;otilde;es significam uma oportunidade de conseguir chamar a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o do mundo para seu pa&amp;iacute;s, ignorado por n&amp;atilde;o ter uma gota de petr&amp;oacute;leo em seu subsolo. Samantar, um bon vivant t&amp;iacute;pico dos livros de Cossery, considera os ataques uma aberra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, em um lugar assolado pela mis&amp;eacute;ria, e passa a investig&amp;aacute;-los, mudando seu dia-a-dia marcado por prazeres carnais e por jogar conversa fora. Cap&amp;iacute;tulo vai, cap&amp;iacute;tulo vem, os di&amp;aacute;logos morosos s&amp;atilde;o sempre marcados por baforadas em cigarros de haxixe. O estilo de Cossery &amp;eacute; acess&amp;iacute;vel e despojado, marcado por frases belas e sucintas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;N&amp;atilde;o h&amp;aacute; v&amp;iacute;rgula ou frase sobressalente, apenas o essencial. E o essencial para Cossery &amp;eacute; ponderar sobre os benef&amp;iacute;cios de uma conduta devotada aos prazeres da vida, convidando-nos ao despojamento e ao riso como forma de subverter os valores de uma sociedade que pede somente o sucesso, a vit&amp;oacute;ria, a opul&amp;ecirc;ncia. Nada disso teria interesse se Cossery n&amp;atilde;o fosse um contador de hist&amp;oacute;rias t&amp;atilde;o engenhoso e vigoroso, criando hist&amp;oacute;rias que beiram o rid&amp;iacute;culo, de t&amp;atilde;o tolas em sua superf&amp;iacute;cie.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por Arthur Dantas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;EM TEMPO:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O escritor eg&amp;iacute;pcio Albert Cossery morreu no &amp;uacute;ltimo dia 22 de junho, segundo a ag&amp;ecirc;ncia de not&amp;iacute;cias France Press. O corpo de Cossery, que tinha 94 anos, foi encontrado no seu quarto no hotel Lousiana, em Paris. Vivendo h&amp;aacute; quase 60 anos no mesmo hotel, Cossery notabilizou-se pelos seus romances escritos em franc&amp;ecirc;s e ambientados no Oriente M&amp;eacute;dio (especialmente no Egito). Num estilo muito particular, misturando sarcasmo e sabedoria oriental, Cossery escreveu oito romances, sempre na cad&amp;ecirc;ncia de &amp;ldquo;uma linha por dia&amp;rdquo;, como gostava de declarar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiba mais &lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;a href=&quot;http://www.conradeditora.com.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;task=view&amp;amp;amp;id=2404&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;/p&gt;
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      <name>tiago</name>
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    <id>tag:www.maissoma.com,2008-06-24:628</id>
    <published>2008-06-24T12:57:00Z</published>
    <updated>2008-06-24T15:11:23Z</updated>
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    <title>Rebelde Entre os Rebeldes, de Arnaldo Baptista</title>
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<summary type="html">Ficção de alguém incompreendido por seus pares, temeroso da agressividade humana.</summary><content type="html">
            Ficção de alguém incompreendido por seus pares, temeroso da agressividade humana.
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Rebelde Entre os Rebeldes . Arnaldo Baptista . Rocco . 2008&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A estr&amp;eacute;ia na literatura de Arnaldo Baptista, o eterno l&amp;iacute;der do trio Mutantes &amp;eacute;, definitivamente, o term&amp;ocirc;metro para sua carreira art&amp;iacute;stica. Nem a genialidade de sua m&amp;uacute;sica nos primeiros discos dos Mutantes nem a obsolesc&amp;ecirc;ncia do retorno do grupo. Nem a explos&amp;atilde;o de seu primeiro &amp;aacute;lbum-solo, &lt;em&gt;L&amp;oacute;ki?&lt;/em&gt; , nem a debilidade de seu &amp;uacute;ltimo registro solo, &lt;em&gt;Let It Bed&lt;/em&gt;. Nesta fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica, o que o autor faz, em uma tentativa um tanto naif, &amp;eacute; contar uma hist&amp;oacute;ria atrav&amp;eacute;s de um g&amp;ecirc;nero liter&amp;aacute;rio muito caro ao desbunde dos anos 60, que fala muito menos dos personagens da trama e muito mais sobre os interesses tem&amp;aacute;ticos e a filosofia psui generis do autor. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A hist&amp;oacute;ria, desenvolvida com cortes abruptos, comporta um enredo arquet&amp;iacute;pico do g&amp;ecirc;nero (viagens interplanet&amp;aacute;rias, teses cient&amp;iacute;ficas fantasiosas, naves espaciais etc), para narrar a aventura de um Ad&amp;atilde;o e Eva vers&amp;atilde;o Era de Aqu&amp;aacute;rio que tentam garantir a continuidade da ra&amp;ccedil;a humana. &amp;Eacute; a fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o de algu&amp;eacute;m que n&amp;atilde;o entende e n&amp;atilde;o &amp;eacute; entendido por seus pares, temeroso da agressividade humana (um tema caro ao livro) e ciente dos demandos do poder. Sua interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o diante de tal realidade &amp;eacute; atrav&amp;eacute;s de uma arruma&amp;ccedil;&amp;atilde;o art&amp;iacute;stica - neste caso, uma fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica. O grande problema, talvez, &amp;eacute; que a realidade tal qual entendida pelo autor, parece n&amp;atilde;o ter superado os anos 1970. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;De toda forma, a hist&amp;oacute;ria tem seu charme e uma aura rom&amp;acirc;ntica quase inexistentes em nossa &amp;eacute;poca. Se falta os dotes e f&amp;ocirc;lego de um Thomas Pynchon, a ironia feroz de um Kurt Vonnegut ou o desvario e preciosismo textual de um Jos&amp;eacute; Agrippino de Paula, sobra uma pureza e desbragamento caros &amp;agrave; Arnaldo Baptista que conferem for&amp;ccedil;a peculiar ao livro. &amp;Eacute; dessa for&amp;ccedil;a de prop&amp;oacute;sitos que reside a qualidade (ou defeito, cabe ao leitor decidir) do livro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por Arthur Dantas&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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      <name>tiago</name>
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    <published>2008-05-19T18:31:00Z</published>
    <updated>2008-05-19T20:32:30Z</updated>
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    <title>O Epil&#233;ptico (dois &#225;lbuns), de David B.</title>
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<summary type="html">A epilepsia como metáfora dos temores de uma família moderna em O Epiléptico, de David B.</summary><content type="html">
            A epilepsia como metáfora dos temores de uma família moderna em O Epiléptico, de David B.
&lt;p&gt;&amp;Eacute; t&amp;atilde;o comum nos dirigirmos a outros g&amp;ecirc;neros art&amp;iacute;sticos para atribuir valor a uma hist&amp;oacute;ria em quadrinhos que o mais chocante nos dois &amp;aacute;lbuns nacionais de &lt;strong&gt;O Epil&amp;eacute;ptico&lt;/strong&gt;, de David B (Conrad Editora) &amp;eacute; justamente sua singularidade em constituir-se como grande obra e ser eminentemente uma HQ sem maiores requisitos &amp;ndash; a hist&amp;oacute;ria se basta em um dialogo lancinante entre texto e desenho, quadro a quadro, sem maiores ornamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hist&amp;oacute;ria autobiogr&amp;aacute;fica do franc&amp;ecirc;s David B., obviamente o insere numa tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o riqu&amp;iacute;ssima dentro das HQs onde podemos elencar autores como Will Eisner, Joe Sacco, Alison Bechdel, Daniel Clowes dentre muitos outros grandes artistas e pode-se resumir na busca de uma cura para a epilepsia do irm&amp;atilde;o mais velho do autor, Jean-Christophe. A vida dele era normal at&amp;eacute; a chegada do &amp;ldquo;haut mal&amp;rdquo;, como a epilepsia &amp;eacute; conhecida coloquialmente na Fran&amp;ccedil;a. A fragilidade, sobretudo emocional de seu irm&amp;atilde;o, faz com que a doen&amp;ccedil;a tenha um efeito devastador na vida de todos na fam&amp;iacute;lia. Enquanto a sa&amp;uacute;de do irm&amp;atilde;o mais velho come&amp;ccedil;a a deteriorar, os pais arrastam toda a fam&amp;iacute;lia Europa afora, por uma d&amp;eacute;cada, em busca de uma cura para a doen&amp;ccedil;a. Decepcionados com as sa&amp;iacute;das da medicina normal, decidem procurar sa&amp;iacute;das alternativas, das dietas macrobi&amp;oacute;ticas aos templos Rosacruz. Seria uma experi&amp;ecirc;ncia dolorosa para os leitores, se o autor n&amp;atilde;o soubesse mostrar o lado tragic&amp;ocirc;mico disso tudo em um tom prosaico, mas que n&amp;atilde;o pode ser tido como banal ou est&amp;eacute;ril. Afinal, o que retrata &amp;eacute; o despeda&amp;ccedil;ar de uma fam&amp;iacute;lia. H&amp;aacute; uma quantidade quase infinita de met&amp;aacute;foras visuais pr&amp;oacute;prias de del&amp;iacute;rio criativo de crian&amp;ccedil;as para retratar sentimentos adultos dif&amp;iacute;ceis de lidar, seja l&amp;aacute; qual a linguagem adotada. Ali&amp;aacute;s, &amp;eacute; na narrativa visual que ele separa o joio do trigo, ou como gostaria alguns, mostra onde reside a linha t&amp;ecirc;nue que separa os homens das crian&amp;ccedil;as. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David B n&amp;atilde;o facilita a vida dos leitores. Ele n&amp;atilde;o abre mal de sequer um recurso que busque a emo&amp;ccedil;&amp;atilde;o f&amp;aacute;cil ou a catarse. De certa forma, o tom do &amp;aacute;lbum, ditado pelo desfecho da crise (de epilepsia? De valores? Da trama? Da fam&amp;iacute;lia? Dos temores do autor?) n&amp;atilde;o encontra fim &amp;ndash; mesmo apos a &amp;uacute;ltima p&amp;aacute;gina. A obra &amp;eacute; extremamente cerebral, mas por trabalhar t&amp;atilde;o bem com expedientes intrinsecamente quadrin&amp;iacute;sticos, agrada a qualquer um em busca de uma boa hist&amp;oacute;ria, independente de g&amp;ecirc;nero. O jogo visual, onde o autor exterioriza seus anseios e temores atrav&amp;eacute;s de batalhas entre povos b&amp;aacute;rbaros (trabalhando eminentemente com a epicidade atribu&amp;iacute;da comumente ao maior fil&amp;atilde;o das HQs e com o est&amp;eacute;reotipo de luta do bem contra o mal) &amp;eacute; o term&amp;ocirc;metro perfeito para expor ao leitor seus inimigos &amp;iacute;ntimos, suas fraquezas. E vale ressaltar que aqui fraqueza &amp;eacute; sin&amp;ocirc;nimo de franqueza. &amp;Eacute; especialmente belo o momento que o autor consegue racionalizar o por qu&amp;ecirc; de tantas lutas &amp;eacute;picas em seus desenhos infantis e, de certa forma, definir a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o mesquinha e complicada entre ele e seu irm&amp;atilde;o. Arriscaria dizer que &amp;eacute; um dos maiores momentos de todo o quadrinho ocidental do s&amp;eacute;culo XXI, ainda que soe est&amp;uacute;pido e arrogante. Num jogo lancinante entre sonho e realidade, o quadrinista franc&amp;ecirc;s criou um verdadeiro romance de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que n&amp;atilde;o deve nada a um &lt;em&gt;Maus&lt;/em&gt; de Art Spielgeman, por exemplo, tido como &amp;iacute;cone m&amp;aacute;ximo de HQ autoral e adulta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos pontos altos do trabalho em &lt;strong&gt;O Epil&amp;eacute;ptico&lt;/strong&gt; s&amp;atilde;o as met&amp;aacute;foras visuais. A pr&amp;oacute;pria epilepsia, por exemplo, &amp;eacute; retratada, inicialmente, como uma esp&amp;eacute;cie de drag&amp;atilde;o chin&amp;ecirc;s com o corpo infinito. Por fim, o monstro j&amp;aacute; &amp;eacute; um aspecto do pr&amp;oacute;prio irm&amp;atilde;o do autor. O peso de apenas este aspecto dos dois &amp;aacute;lbuns que comp&amp;otilde;es essa hist&amp;oacute;ria particular t&amp;atilde;o dif&amp;iacute;cil, &amp;eacute; sintom&amp;aacute;tico do que o leitor pode esperar desse trabalho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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    <author>
      <name>tiago</name>
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    <published>2008-04-30T08:31:00Z</published>
    <updated>2008-04-30T12:26:58Z</updated>
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    <title>Preacher, de Garth Ennis e Steve Dillon</title>
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<summary type="html">Álbum sintetiza universo do personagem Jesse Custer e de seu criador, Garth Ennis.</summary><content type="html">
            Álbum sintetiza universo do personagem Jesse Custer e de seu criador, Garth Ennis.


&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Preacher - Guerra ao Sol, de Garth Ennis e Steve Dillon . Pixel Media . 2008&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Arthur Dantas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Todo-Poderoso foi embora do c&amp;eacute;u e agora o Reverendo Jesse Custer &amp;mdash; com a ajuda de sua namorada, Tulipa, e de seu melhor amigo, o vampiro irland&amp;ecirc;s Cassidy &amp;mdash; quer descobrir por qu&amp;ecirc;. Mas o Senhor &amp;eacute; um sujeito dif&amp;iacute;cil de encontrar. E o reverendo tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o &amp;eacute; qualquer um: uma entidade chamada G&amp;ecirc;nesis encarnou em Jesse Custer (em um incidente onde morrerarm cerca de 300 pessoas que ouviam um serm&amp;atilde;o do reverendo), e desde ent&amp;atilde;o, o reverendo ganhou o &amp;ldquo;dom da palavra&amp;rdquo;, o que significa dizer que ele pode fazer com que qualquer pessoa o obede&amp;ccedil;a. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, resume-se a trama b&amp;aacute;sica da s&amp;eacute;rie &lt;strong&gt;Preacher&lt;/strong&gt;, publicada pelo selo de quadrinhos adultos da DC Comics.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D&amp;aacute; pra perceber que n&amp;atilde;o &amp;eacute; qualquer trama e, a partir desse enredo sui generis, desenvolvem-se situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de humor negro absurdas, onde o escritor Garth Ennis destila coment&amp;aacute;rios &amp;aacute;cidos sobre a sociedade ocidental contempor&amp;acirc;nea, n&amp;atilde;o sobrando pedra sobre pedra quando o assunto &amp;eacute; imprensa, militares, pol&amp;iacute;ticos e religi&amp;otilde;es, sobretudo. Assuntos dilu&amp;iacute;dos em uma narrativa muito bem amarrada e cheia de subtramas interessant&amp;iacute;ssimas, irmanadas no mais profundo humor politicamente incorreto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, Garth Ennis &amp;eacute; apenas uma das pontas de um imenso iceberg da ind&amp;uacute;stria dos quadrinhos adultos seriados que tomou conta dos&amp;nbsp; EUA na d&amp;eacute;cada de 1990, redefiniu o cinema de entretenimento com alguma massa cinzenta, influenciou parte da literatura contempor&amp;acirc;nea e est&amp;aacute; intimamente ligada ao sucesso de s&amp;eacute;ries de TV sci-fi e de humor mais pesado; de &lt;em&gt;Lost&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;Heroes&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;Californication&lt;/em&gt; &amp;agrave; &lt;em&gt;4400&lt;/em&gt;, todas s&amp;atilde;o devedoras desses quadrinhos e muitas vezes contam com profissionais das HQs como roteiristas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A s&amp;eacute;rie tem in&amp;iacute;cio, meio e fim. A hist&amp;oacute;ria de &lt;strong&gt;Guerra Ao Sol&lt;/strong&gt;, ilustrada pelo excelente Steve Dillon, se situa bem no meio da s&amp;eacute;rie. Mas este &amp;aacute;lbum de quase duzentas p&amp;aacute;ginas pode ser lido sem o conhecimento do que aconteceu antes, muito em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o do belo trabalho editorial da vers&amp;atilde;o brasileira, com resumos e textos explicativos acompanhando o &amp;aacute;lbum. Neste &amp;aacute;lbum, a hist&amp;oacute;ria &amp;eacute; mais ou menos a seguinte: a busca por Deus [que desencanou de governar o C&amp;eacute;u e t&amp;aacute; vagando na Terra] empreendida por Custer o levar&amp;aacute; ao deserto, buscando ajuda na sua busca atrav&amp;eacute;s do uso de peyote, e o que espera ele &amp;eacute; algo muito menos espiritual: um regimento inteiro de tanques do ex&amp;eacute;rcito americano, comandado pelo rec&amp;eacute;m-promovido Pai Supremo do Graal [uma seita conspiracionista religiosa], Herr Starr. Determinado a capturar o poder de G&amp;ecirc;nesis para si mesmo, Starr est&amp;aacute; disposto a usar todo o arsenal militar americano para derrubar Jesse Custer &amp;mdash; e nenhum dos dois lados ir&amp;aacute; sair desse confronto sem sofrer perdas irrepar&amp;aacute;veis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pode apostar: depois de ler essa hist&amp;oacute;ria, engra&amp;ccedil;ada se n&amp;atilde;o fosse tr&amp;aacute;gica, voc&amp;ecirc; vai querer conhecer mais um pouco da saga um tanto niilista de Custer e seus amigos em &lt;strong&gt;Preacher&lt;/strong&gt;. &amp;Eacute; como eu costumo dizer: &amp;eacute; o tipo de HQ que qualquer pessoa que goste dessa s&amp;eacute;ries de TV paga poderia acompanhar, j&amp;aacute; que s&amp;atilde;o t&amp;atilde;o boas quanto.&lt;/p&gt;
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    <published>2008-04-28T18:37:00Z</published>
    <updated>2008-04-29T21:48:06Z</updated>
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    <title>Nan&#225; Vasconcellos e Luiz Melodia na Virada Cultural.</title>
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<summary type="html">A música negra brasileira esteve bem representada na programação da Virada Cultural.</summary><content type="html">
            A música negra brasileira esteve bem representada na programação da Virada Cultural.




&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Arthur Dantas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;+Soma&lt;/strong&gt; acompanhou as apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Luiz Melodia, tocando as can&amp;ccedil;&amp;otilde;es de seu cl&amp;aacute;ssico &amp;aacute;lbum P&amp;eacute;rola Negra, e Nan&amp;aacute; Vasconcellos, que iria inicialmente se apresentar ao lado de Egberto Gismonti (que n&amp;atilde;o compareceu em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o de problemas de sa&amp;uacute;de), no Teatro Municipal, dia 26 de Abril, dentro da programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da &lt;a href=&quot;http://viradacultural.org/&quot;&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;Virada Cultural&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o cultural com dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 24 horas promovida anualmente pela prefeitura de S&amp;atilde;o Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um pr&amp;iacute;ncipe l&amp;iacute;rico p&amp;oacute;s-tropicalista &amp;ldquo;desarruma o samba&amp;rdquo;: Luiz Melodia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Melodia subiu ao palco, acompanhado de um quarteto, e apresentou as dez can&amp;ccedil;&amp;otilde;es de seu trabalho mais famoso na seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia, com poucas e precisas mudan&amp;ccedil;as nas composi&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Abundantemente Morte teve uma vers&amp;atilde;o um pouco mais longa, assim como seus maiores sucessos deste disco, Magrelinha e a faixa-t&amp;iacute;tulo. J&amp;aacute; Forr&amp;oacute; de Janeiro ganhou lev&amp;iacute;ssimos contornos reggae.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teatro completamente abarrotado, abra&amp;ccedil;ou o artista de imediato e propiciou o clima mais do que especial para que Luiz Melodia apresentasse seu disco cl&amp;aacute;ssico. Por sua vez, o musico, vestido com uma camiseta colorida e sand&amp;aacute;lias, retribuiu todo esse carinho com uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o enxuta e centrada, com alguns momentos de maior intensidade. &amp;ldquo;Estou me sentindo come&amp;ccedil;ando minha carreira (...) dependo de voc&amp;ecirc;s para todo esse sucesso&amp;rdquo;, falou em uma das poucas interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es entre as can&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melodia construiu uma s&amp;oacute;lida carreira, muito devedora de uma certa tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o advinda do tropicalismo, aliada ao lirismo de suas letras, contando pequenos contos de hist&amp;oacute;rias de amor ao avesso, marcadas pela nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Versos como &amp;ldquo;Ai de mim, ai de n&amp;oacute;s dois&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;se algu&amp;eacute;m quer me matar de amor / que seja no Est&amp;aacute;cio&amp;rdquo;, s&amp;atilde;o exemplos dessa l&amp;iacute;rica t&amp;atilde;o particular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al&amp;eacute;m das dez can&amp;ccedil;&amp;otilde;es do &amp;aacute;lbum, emendou um bis com mais tr&amp;ecirc;s can&amp;ccedil;&amp;otilde;es retiradas de seus quatro primeiro &amp;aacute;lbuns, em um show de pouco mais de uma hora.&amp;nbsp; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Batuque M&amp;aacute;gico de Nan&amp;aacute; Vasconcellos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;ldquo;O Brasil, de uma certa forma, o Brasil n&amp;atilde;o conhece&amp;rdquo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa frase de Nan&amp;aacute; Vasconcellos, dita logo ap&amp;oacute;s a primeira can&amp;ccedil;&amp;atilde;o do show, revela muito do por qu&amp;ecirc; voltar sua aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos ritmos amaz&amp;ocirc;nicos, sobretudo das tribos ind&amp;iacute;genas. Foi esse show que Nan&amp;aacute; realizou, contrariando a programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que previa a apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, na &amp;iacute;ntegra, do &amp;aacute;lbum A Dan&amp;ccedil;a das Cabe&amp;ccedil;as, &amp;aacute;lbum de 1977 concebido ao lado de Egberto Gismonti. Obviamente, a maioria esmagadora do p&amp;uacute;blico esperava por Egberto, mas n&amp;atilde;o era poss&amp;iacute;vel ver ningu&amp;eacute;m reclamando da performance solo de Nan&amp;aacute;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O percussionista, tido com um dos mais importantes vivos no planeta, entrou no palco tocando berimbau e, ao fim de quase dez minutos empunhando o instrumento, j&amp;aacute; havia desenrolado um rol de possibilidades r&amp;iacute;tmico-percussivas para o instrumento que conquistaram o p&amp;uacute;blico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show, baseado em um primeiro momento na manipula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma s&amp;eacute;rie de instrumentos percussivos (gongos, bareimbau, atabaque etc) aliados &amp;agrave; manipula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um pedal de delay, teve sua t&amp;ocirc;nica na tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o musical dos &amp;iacute;ndios da regi&amp;atilde;o amaz&amp;ocirc;nica. Mas n&amp;atilde;o faltaram experi&amp;ecirc;ncias calcadas no cancioneiro nordestino e em sons da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O controle absoluto no manuseio de seus instrumentos, na riqueza de ritmos e tempos alinhavados de forma natural e nem por isso simpl&amp;oacute;ria de Nan&amp;aacute;, juntamente com a maestria em encaixar sua voz sobretudo como contraponto percussivo, foi o fio condutor para suas breves narrativas calcadas em rimas amplamente extra&amp;iacute;das do cancioneiro popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momento de extrema beleza e catarse coletiva, foi ao construir uma orquestra de vozes, dividindo o teatro em grupos, onde simulava os sons de um imenso rio amaz&amp;ocirc;nico. A experi&amp;ecirc;ncia, foi ao m&amp;iacute;nimo, arrebatadora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para coroar uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o que &amp;eacute; quase uma experi&amp;ecirc;ncia divinat&amp;oacute;ria (e parece ser essa mesmo a inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o do percussionista), realizou (novamente com a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do p&amp;uacute;blico) uma esp&amp;eacute;cie de mantra jazz&amp;iacute;stico de seus tempos no grupo &lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Codona&quot;&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;CODONA&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;. Inesquec&amp;iacute;vel.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Veja abaixo, um trecho da apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Nan&amp;aacute; Vasconcellos dentro da Virada Cultural.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &amp;lt;object height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/yyZvT9mzO7E&amp;amp;amp;hl=en&quot; height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;
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    <published>2008-04-15T02:31:00Z</published>
    <updated>2008-04-15T11:26:26Z</updated>
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    <title>Skatalites no Clube Inferno, 08/04, em S&#227;o Paulo</title>
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<summary type="html">Carnaval caribenho na visão dos grandes arquitetos da música moderna jamaicana</summary><content type="html">
            Carnaval caribenho na visão dos grandes arquitetos da música moderna jamaicana
&lt;p&gt;Por Arthur Dantas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se j&amp;aacute; n&amp;atilde;o bastasse o impacto antecipado causado pela ansiedade de ver o show de um dos maiores grupos de m&amp;uacute;sica jamaicana da hist&amp;oacute;ria, tinha ainda o peso de, al&amp;eacute;m de tr&amp;ecirc;s membros da sua primeira fase (Lloyd Knibbs - bateria, Lester Sterling - sax alto e Doreen Schaffer - vocal), havia ex- membros do Steel Pulse (Kevin Batchelor - trompete), do Mystical Revelation of Rastafari (Cedric &amp;ldquo;IM&amp;rdquo; Brooks - sax tenor), do Wailers (Vin Gordon &amp;ndash; trombone) e dos Abyssinians (Val Douglas &amp;ndash; baixo). Resumindo, um time de &amp;oacute;timos m&amp;uacute;sicos, que mant&amp;eacute;m acesa a chama da que era chamada de &amp;ldquo;melhor banda de grava&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Studio One&amp;rdquo; &amp;ndash; o lend&amp;aacute;rio est&amp;uacute;dio jamaicano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show &amp;eacute; uma amostra perfeita do ska tradicional: batidas proto-reggae, ataques massivos de naipe de metal, espa&amp;ccedil;o para solos jazz&amp;iacute;sticos dos mesmos, alguns refr&amp;otilde;es pegajosos para serem entoados juntos, a bateria sincopada... O que mais seria necess&amp;aacute;rio para fazer uma festa e botar cerca de 600 pessoas para dan&amp;ccedil;ar? Uma boa imagem para mim, foi o fato de ver uma meia d&amp;uacute;zia de carecas dan&amp;ccedil;ando e sorrindo, sem querer demonstrar a estupidez de sua viol&amp;ecirc;ncia idiota aos incautos. Pois &amp;eacute;: t&amp;ecirc;m coisas que realmente s&amp;oacute; um Skatalites faz pela gente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo esbanja simpatia e &amp;eacute; imposs&amp;iacute;vel n&amp;atilde;o ficar pasmo com a vitalidade de um Lloyd Knibbs, que do alto de seus 77 anos, conduz a bateria belamente do in&amp;iacute;cio ao fim. E o repert&amp;oacute;rio ajuda e muito: Adorable you, Freedom Sound, Latin Goes Ska, Guns Of Navarone e &amp;ldquo;Rivers Of Babylon&amp;rdquo;, por exemplo. H&amp;aacute; ainda os momentos aonde sobressaem a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da vocalista Doreen Schaffer, dona de um timbre de voz l&amp;iacute;mpido e suave, canalizando todas as aten&amp;ccedil;&amp;otilde;es e desempenhando belamente o papel de diva da noite. Imposs&amp;iacute;vel n&amp;atilde;o se emocionar com a interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o dela para Sugar Sugar, uma das m&amp;uacute;sicas de amor prediletas do falecido Joe Strummer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim da noite, fica f&amp;aacute;cil descobrir porque, al&amp;eacute;m de Joe strummer, tinham como f&amp;atilde;s Bob Marley e Peter Tosh, por exemplo. Hist&amp;oacute;rico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &amp;lt;object height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/gGdWJmJ0F1U&amp;amp;amp;hl=en&quot; height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;
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      <name>tiago</name>
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    <published>2008-04-10T19:05:00Z</published>
    <updated>2008-04-15T11:29:21Z</updated>
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    <title>Bad Brains na Easy, 09/04, em S&#227;o Paulo</title>
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<summary type="html">Rodas de pogo, stage dives ensandecidos e cantoria comendo solto. O que mais esperar de um show de hardcore?</summary><content type="html">
            Rodas de pogo, stage dives ensandecidos e cantoria comendo solto. O que mais esperar de um show de hardcore?
&lt;p&gt;Por Arthur Dantas&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tens&amp;atilde;o e expectativa. Era hora de ver a mais importante e influente banda do hardcore americano finalmente em a&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil. Como seria o grupo sem a presen&amp;ccedil;a do carism&amp;aacute;tico, mas j&amp;aacute; um tanto &amp;ldquo;cansado&amp;rdquo;, vocalista H.R? Vale lembrar que, ao contr&amp;aacute;rio do divulgado, o grupo contou com a presen&amp;ccedil;a de seu baterista original. V&amp;aacute; l&amp;aacute;: um &amp;frac34; de Bad Brains j&amp;aacute; &amp;eacute; melhor do que qualquer banda hardcore que voc&amp;ecirc; veja por a&amp;iacute;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em menos de 10 minutos, a reden&amp;ccedil;&amp;atilde;o: com a presen&amp;ccedil;a do carism&amp;aacute;tico vocalista Israel Joseph, que se n&amp;atilde;o tem um vocal t&amp;atilde;o potente e caracter&amp;iacute;stico quanto o do H.R dos anos 80, tem a juventude e a gana necess&amp;aacute;ria para lidar com o p&amp;uacute;blico e toda sua ansiedade, o grupo jogou de cara a poderosa Attitude, do cultuado &amp;aacute;lbum &lt;em&gt;Rock For Light&lt;/em&gt; e na sequ&amp;ecirc;ncia, uma coladinha na outra, Sailin On e Regulator, do disco &lt;em&gt;Black Dots&lt;/em&gt;. Catarse coletiva. O som, inicialmente um pouco confuso, n&amp;atilde;o desanimou ningu&amp;eacute;m. Rodas de pogo, stage dives ensandecidos e cantoria comendo solto. O que mais esperar de um show de hardcore? Quem sabe reggae, n&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarteto n&amp;atilde;o deixou por menos. A guitarra de Dr. Know &amp;eacute; &amp;uacute;nica, isso todos sabemos. Se passado de guitarrista de fusion jazz lhe d&amp;aacute; uma s&amp;eacute;rie de recursos impresc&amp;iacute;nd&amp;iacute;veis para a sonoridade do grupo. Ver ele elencando uma infinidade de riffs r&amp;aacute;pidos e cortantes, e por vezes pesados e precisos, como o que h&amp;aacute; de melhor no trash metal assusta e comove. O baixo e a bateria ganham destaque nas faixas reggae, como The Youth Are Getting Restless e&amp;nbsp; a fant&amp;aacute;stica e emblematica I And I Survive, que encerra toda a filosofia positiva e rasta do grupo e n&amp;atilde;o deixa nada a desejar a qualquer m&amp;uacute;sica do melhor reggae jamaicano j&amp;aacute; feito. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Curioso era que, como mais da metade do p&amp;uacute;blico era &amp;ldquo;maduro&amp;rdquo;, o pogo foi acintuoso mas, se &amp;eacute; que isso &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel, respeitoso. Da parte de cima onde me encontrava, n&amp;atilde;o vi nenhum sinal de briga. Aquele excesso t&amp;atilde;o freq&amp;uuml;ente juvenil, que muitas vezes desanda em viol&amp;ecirc;ncia pura e gratuita em alguns shows, encontrou um freio silencioso na conduta da maioria do p&amp;uacute;blico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo foi elencando cl&amp;aacute;ssicos um atr&amp;aacute;s do outro: Pay To Cum, Banned in D.C, Right Brigade e por a&amp;iacute; vai. Tocaram quase nada de seus &amp;aacute;lbuns menores e do &amp;uacute;ltimo &amp;aacute;lbum Rebuild A Nation. E o vocalista, um grande entertainer de resto, arriscou v&amp;aacute;rias palavras em portugu&amp;ecirc;s e participou da festa como se algu&amp;eacute;m do p&amp;uacute;blico fosse. Nada mais coerente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechou uma semana que come&amp;ccedil;ou com o inesquec&amp;iacute;vel show dos Skatalites e reafirmou o papel crucial dos negros na musica pop contempor&amp;acirc;nea. Se Skatalites inventou toda uma gama de ritmos jamaicanos, os Bad Brains reinventaram o rock r&amp;aacute;pido e violento alem de expandir e redimensionar a mistura de punk rock e reggae iniciada pelos ingleses ainda na d&amp;eacute;cada de 1970.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &amp;uacute;nica palavra poss&amp;iacute;vel para descrever o show &amp;eacute; inesquec&amp;iacute;vel! Parece que aquele espa&amp;ccedil;o, chamado Broadaway antes e hoje easy, est&amp;aacute; fadado a nos dar sempre grandes coessenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es, como a do Fugazi em 1997 ou o Superchunk em 1998. O que n&amp;atilde;o faltar&amp;aacute; a quem esteve presente &amp;eacute; motivos para levar essa mem&amp;oacute;ria em algum canto confort&amp;aacute;vel do cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, trecho do in&amp;iacute;cio da apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do grupo em S&amp;atilde;o Paulo e algumas palavras do guitarrista Dr. Know. Ainda d&amp;aacute; para acompanhar o grupo no Rio de Janeiro e Recife.&lt;/p&gt; &amp;lt;object height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/tg08qmPADXc&amp;amp;amp;hl=pt-br&quot; height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;
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      <name>tiago</name>
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    <published>2008-04-07T18:40:00Z</published>
    <updated>2008-04-07T20:44:26Z</updated>
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    <title>Bon Iver - For Emma, Forever Ago</title>
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<summary type="html">A música evoca o lado acústico de Nick Cave ou Neil Young, e Justin canta num falsete estranho, que algumas vezes é sobreposto, e junto com a adição sutil de bateria e alguns metais</summary><content type="html">
            A música evoca o lado acústico de Nick Cave ou Neil Young, e Justin canta num falsete estranho, que algumas vezes é sobreposto, e junto com a adição sutil de bateria e alguns metais
Bon Iver . For Emma, Forever Ago . Jagjaguwar . 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Rodrigo Brasil&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;O codinome Bon Iver escolhido pelo cantor e compositor Justin Vernom vem do franc&amp;ecirc;s Bon Hiver e significa &amp;ldquo;bom inverno&amp;rdquo;, caindo como uma luva para este at&amp;eacute; ent&amp;atilde;o projeto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;A antiga banda de Justin, DeYarmond Edison, mudou-se de Wisconsin para a Carolina do Norte, e a medida que a banda amadureceu na nova localidade, os interesses musicais dos integrantes divergiram, culminando com o fim do grupo. Mesmo fim levou o relacionamento de Justin e sua namorada. Confuso, retornou para Wisconsin e isolou-se em uma cabana de ca&amp;ccedil;a remota que era usada por seu pai em pleno inverno. O plano inicial era apenas hibernar, mas a m&amp;uacute;sica acabou aparecendo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;A maioria das faixas deste disco foram feitas durante os tr&amp;ecirc;s meses que o m&amp;uacute;sico passou isolado na cabana, e tanto o inverno rigoroso, como o exorcismo emocional que seguiu, acabaram dando forma a estas can&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;A m&amp;uacute;sica evoca o lado ac&amp;uacute;stico de Nick Cave ou Neil Young, e Justin canta num falsete estranho, que algumas vezes &amp;eacute; sobreposto, e junto com a adi&amp;ccedil;&amp;atilde;o sutil de bateria e alguns metais, contribu&amp;iacute;ram para um disco repleto de&lt;br /&gt;nuances e climas. E talvez a&amp;iacute; resida a grande for&amp;ccedil;a de Vernon: na habilidade de criar um disco solit&amp;aacute;rio que em nenhum momento se torna chato ou cansativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &amp;lt;object height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/62i9Sodwp5o&amp;amp;amp;hl=en&quot; height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;
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    <published>2008-03-30T16:50:00Z</published>
    <updated>2008-03-31T15:08:51Z</updated>
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    <link href="http://www.maissoma.com/2008/3/30/shellac-em-sao-paulo-na-clash-club" rel="alternate" type="text/html"/>
    <title>Shellac em S&#227;o Paulo, na Clash Club</title>
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<summary type="html">Shellac é papo reto. Se você não aguenta isso, pede pra sair. Doloroso, metódico e banal – a simplicidade a serviço de uma música intensa e atual.</summary><content type="html">
            Shellac é papo reto. Se você não aguenta isso, pede pra sair. Doloroso, metódico e banal – a simplicidade a serviço de uma música intensa e atual.
   	 	 	 	 	 	 	&amp;lt;!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 	--&gt;&lt;em&gt;Por Arthur Dantas&lt;/em&gt;  &lt;p class=&quot;western&quot;&gt;A passagem do trio de rock minimalista &lt;a href=&quot;http://en.wikipedia.org/wiki/Shellac_%28band%29&quot;&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;Shellac&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; foi marcante, para n&amp;atilde;o dizer hist&amp;oacute;rica. Em uma certa perspectiva hist&amp;oacute;rica, esse tipo de comportamento e m&amp;uacute;sica que encerra o grupo comandado por Steve Albini, est&amp;aacute; francamento em decad&amp;ecirc;ncia &amp;ndash; ou desuso, para usar termo mais caro &amp;agrave; era de hipervelocidade tecnol&amp;oacute;gica. Se toda essa onda New Rave (de resto, um r&amp;oacute;tulo vazio marqueteiro, sintom&amp;aacute;tico ali&amp;aacute;s) &amp;eacute; a &amp;ldquo;cara&amp;rdquo; da gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o mp3, possivelmente o Nirvana seria o CD. E o Shellac certamente o vinil, quem sabe at&amp;eacute; a fita k-7. Assim como um Fugazi ou Superchunk, para ficar em dois exemplos com certa ascend&amp;ecirc;ncia no Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;western&quot;&gt;O (anti) climax da apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, foi o (n&amp;atilde;o) hit The End Of A Radio, emblem&amp;aacute;tica do show como um todo &amp;ndash; assim como o &amp;ldquo;anti&amp;rdquo; e o &amp;ldquo;n&amp;atilde;o&amp;rdquo; na frase anterior: n&amp;atilde;o h&amp;aacute; concess&amp;otilde;es nem fugas poss&amp;iacute;veis e, para usar um termo bem brasileiro, n&amp;atilde;o tem margem para &amp;ldquo;ca&amp;ocirc;&amp;rdquo; na &amp;ldquo;est&amp;eacute;tica Shellac&amp;rdquo;. Eles est&amp;atilde;o ali por inteiro, sem fic&amp;ccedil;&amp;otilde;es ef&amp;ecirc;meras nem nada que seja a pr&amp;oacute;pria m&amp;uacute;sica e a vitalidade de Albini e cia. Na m&amp;uacute;sica citada acima, um hino f&amp;uacute;nebre de tr&amp;ecirc;s acordes secos e retumbantes, Albini assume o papel de &amp;uacute;ltimo radialista em um planeta devastado. Ou seja, algu&amp;eacute;m em uma m&amp;iacute;dia ultrapassada (saudosismo?) falando para ningu&amp;eacute;m. E pela falta de refr&amp;atilde;o, cortes secos na guitarra &amp;uacute;nica de Albini vem e v&amp;atilde;o, assim como a batida sempre exata e econ&amp;ocirc;mica do baterista Todd Trainer. &amp;Eacute; uma trag&amp;eacute;dia  se desenvolvendo atrav&amp;eacute;s dos quase 8 minutos de m&amp;uacute;sica (e pela uma hora e meia de show!), nos lembrando que provavelmente ainda vamos sentir muito a falta de bandas como o Shellac. Quando falo trag&amp;eacute;dia, &amp;eacute; bom que se diga, uma trag&amp;eacute;dia pequena, como a que desenvolvemos ao quebrar um prato estimado ou ao riscar um disco querido. Banalidades. Ou melhor: vida de seres humanos comuns. Essa &amp;eacute; a ess&amp;ecirc;ncia do grupo.&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;western&quot;&gt;Sua m&amp;uacute;sica econ&amp;ocirc;mica (embaladas em timbres e tempos inesquec&amp;iacute;veis), d&amp;atilde;o corpo e forma &amp;agrave;s letras nonsenses, dolorosas e milimetricamente arquitetadas de Albini e Bob Weston (baixista). Todas carregam uma agress&amp;atilde;o, todas carregam uma pequena trag&amp;eacute;dia. Seja falando do Canad&amp;aacute; ou beiseball (assuntos recorrentes do grupo), de nozes, sapatos etc etc. A ironia recorrente guarda sempre uma surpresa, um ponto de vista. Por isso digo que a falta de ornamentos e firulas da m&amp;uacute;sica do grupo, faz coro ao &amp;ldquo;papo reto&amp;rdquo; do grupo. E para quem n&amp;atilde;o gosta disso e quer a falta de objetividade e o excesso de subterf&amp;uacute;gios t&amp;atilde;o caros &amp;agrave; nossa &amp;eacute;poca, esque&amp;ccedil;a. Lembrem-se de Mr. Catra e seu poderoso jarg&amp;atilde;o &amp;ldquo;&amp;Ocirc; simp&amp;aacute;tico, p&amp;aacute;ra de formar ca&amp;ocirc;&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;western&quot;&gt;Vale lembrar que h&amp;aacute; outro componente caro &amp;agrave;s apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es do grupo: a urg&amp;ecirc;ncia em manter o grupo pr&amp;oacute;ximo ao p&amp;uacute;blico. O tradicional e divertido jogo de perguntas e respostas entre grupo e banda (pr&amp;aacute;tica comum em suas apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es) esteve presente aqui tamb&amp;eacute;m. Claro, a limita&amp;ccedil;&amp;atilde;o da l&amp;iacute;ngua se imp&amp;otilde;e. Como disse meu colega jornalista Mateus Potumati ap&amp;oacute;s ver uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do grupo em Chicago, a m&amp;uacute;sica por si s&amp;oacute; j&amp;aacute; &amp;eacute; um acontecimento (ou como disse uma &lt;a href=&quot;http://www.pitchforkmedia.com/article/record_review/43460-excellent-italian-greyhound&quot;&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;resenha&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; do site &lt;em&gt;Pitchfork&lt;/em&gt;, uma &amp;ldquo;experi&amp;ecirc;ncia de vida&amp;rdquo;), mas o que Albini e colegas de grupo operam no intervalo de algumas m&amp;uacute;sicas &amp;eacute; &amp;uacute;nico e pessoal, j&amp;aacute; que a verve dos tr&amp;ecirc;s se apresenta melhor ou pior de acordo com as perguntas feitas pelo p&amp;uacute;blico. Em S&amp;atilde;o Paulo teve seus momentos, como quando algu&amp;eacute;m da plat&amp;eacute;ia perguntou se o baterista era o Tommy Lee ex-Pamela Anderson. Poderia falar sobre o visual e fei&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Todd Trainer, t&amp;atilde;o comentado durante e ap&amp;oacute;s o show, mas isso  n&amp;atilde;o casaria com o que o Shellac representa; coment&amp;aacute;rios de indument&amp;aacute;ria talvez reforcem e fa&amp;ccedil;am sentido nos shows de uma Madonna, de um Cansei de Ser Sexy ou dos Strokes. N&amp;atilde;o aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;western&quot;&gt;O repert&amp;oacute;rio foi calcado centralmente em seu &amp;uacute;ltimo e aclamado &amp;aacute;lbum, &lt;em&gt;Excellent Italian Greyhound&lt;/em&gt; (uma homenagem ao falecido c&amp;atilde;o do baterista, o que j&amp;aacute; diz muito sobre as ambi&amp;ccedil;&amp;otilde;es do grupo). Mas n&amp;atilde;o faltaram m&amp;uacute;sicas de &amp;aacute;lbuns como &lt;em&gt;Terraform&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Live At Action Park&lt;/em&gt;. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; muito o que se dizer sobre o jogo c&amp;ecirc;nico do grupo. Talvez valha lembrar o trio de avi&amp;otilde;es formados pelos tr&amp;ecirc;s ou o &amp;ldquo;gran finale&amp;rdquo; com o grupo batendo freneticamente nos pratos da bateria. Mas isso &amp;eacute; apenas uma cereja &amp;ldquo;nerd&amp;rdquo; no bolo. Quem viu aquele desfile de riffs calculados e cortantes, a bateria-martelo e o vigoroso baixo em a&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o se esquecer&amp;aacute;. Tr&amp;ecirc;s realmente &amp;eacute; um n&amp;uacute;mero m&amp;aacute;gico, como diria o De La Soul. Uma imagem para o show: imagine uma sala de cirurgias, impecavelmente limpa, o branco impec&amp;aacute;vel e uma chapada luz branca ao centro. Voc&amp;ecirc; tem tend&amp;ecirc;ncias sadomasoquistas. Uma mesa de cirurgias logo abaixo da luz. De repente, ao inv&amp;eacute;s de m&amp;eacute;dicos, tr&amp;ecirc;s cientistas em macac&amp;otilde;es pu&amp;iacute;dos entram na sala. Esque&amp;ccedil;a a anerstesia, n&amp;atilde;o haver&amp;aacute;. Tens&amp;atilde;o. Ao fundo, inicia-se em alto e bom som uma base grave e sinuosa, repetitiva. Ligam aparelhos de tamanhos e formatos discretos, mas que emitem zunidos semelhantes aos de serras-el&amp;eacute;tricas. Cortes profundos, ligeiros e precisos s&amp;atilde;o realizados em seu corpo. Sangue. Voc&amp;ecirc; sente dor mas segura o grito no limite ente garganta e c&amp;eacute;u da boca. Por fim, al&amp;iacute;vio. Opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o conclu&amp;iacute;da. O c&amp;acirc;ncer diagnosticado de antem&amp;atilde;o foi retirado. Voc&amp;ecirc; volta para casa. Finge que n&amp;atilde;o se passou nada, mas as marcas estar&amp;atilde;o em ti pelo resto de seus dias. Parab&amp;eacute;ns: voc&amp;ecirc; acabou de ser uma das poucas almas a presenciar um show do Shellac no Brasil.            &lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;western&quot;&gt;Shellac &amp;eacute; papo reto. Se voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o suporta, pede pra sair. Doloroso, met&amp;oacute;dico e banal &amp;ndash; a simplicidade a servi&amp;ccedil;o de uma m&amp;uacute;sica intensa e atual.&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;western&quot;&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=EQfTSBWslfg&quot;&gt;Aqui&lt;/a&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;, Subtle tocando cover de &lt;em&gt;Prayer to God &lt;/em&gt;do Shellac, &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=EuwqG1-aFsg&quot;&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;do grupo em Santiago no Chile e, abaixo, no Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;&gt;E mais abaixo, come&amp;ccedil;o da apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o em S&amp;atilde;o Paulo:&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;    &amp;lt;object height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/MU9ioIx8mHI&amp;amp;amp;hl=en&quot; height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt; &amp;lt;object height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/8TNQN07oVVY&amp;amp;amp;hl=en&quot; height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;
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      <name>tiago</name>
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    <id>tag:www.maissoma.com,2008-03-26:474</id>
    <published>2008-03-26T12:53:00Z</published>
    <updated>2008-03-26T14:58:15Z</updated>
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    <title>Burial - Untrue</title>
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<summary type="html">Cheia e seco. Multifacetado e compacto. Espiritual e cerebral. Esses constrastes fizeram de Untrue uma das mais agradáveis surpresas de 2007.</summary><content type="html">
            Cheia e seco. Multifacetado e compacto. Espiritual e cerebral. Esses constrastes fizeram de Untrue uma das mais agradáveis surpresas de 2007.
&lt;strong&gt;Burial . Untrue . Hyperdub Records . 2007&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Arthur Dantas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o primeiro &amp;aacute;lbum do Burial era como uma carta de inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ou melhor, t&amp;iacute;pico projeto de produtor enclausurado em seu est&amp;uacute;dio, pouco preocupado com as raz&amp;otilde;es e motiva&amp;ccedil;&amp;otilde;es exteriores, absorto em seua ambi&amp;ccedil;&amp;atilde;o e cercado de seus fantasmas, no segundo, &lt;strong&gt;Untrue&lt;/strong&gt;, a media&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; evidente &amp;ndash; Burial n&amp;atilde;o deu um passo adiante, preferindo desenvolver os aspectos mais palat&amp;aacute;veis de sua est&amp;eacute;tica, marcada por uma linguagem eletr&amp;ocirc;nica seca e de balan&amp;ccedil;o t&amp;iacute;mido (dubstep, afinal) e incrementando elementos da linguagem UK Garage e acabamento Trip hop. Como &amp;eacute; de se esperar, n&amp;atilde;o d&amp;aacute; pra perder nenhuma partida jogando assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Burial busca constituir sua linguagem em um lugar diametralmente oposto aos produtores atuais: nada de recursos eletr&amp;ocirc;nicos hiperb&amp;oacute;licos ou sonoridade recheada de timbres e recursos advindos das &amp;uacute;ltimas inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es do mercado; sua m&amp;uacute;sica &amp;eacute; espacial, lebando o ouvinte a criar imagens e participar das can&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;ndash; da&amp;iacute; a imprensa ter dito que seu segundo &amp;aacute;lbum era muito &amp;ldquo;sentimental&amp;rdquo;. Olhando por um aspecto comportamental, &amp;eacute; como que se sua m&amp;uacute;sica desse uma resposta a hipervelocidade informacional e excessos da gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o das drogas sint&amp;eacute;ticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma can&amp;ccedil;&amp;atilde;o como &lt;em&gt;Archangel&lt;/em&gt;, dialoga diretamente com certa espiritualidade presente nos prim&amp;oacute;rdios da cena UK Garage ao mesmo passo que, com seus vocais andr&amp;oacute;ginos e interfer&amp;ecirc;ncia de elementos n&amp;atilde;o muito presentes na m&amp;uacute;sica eletr&amp;ocirc;nica atual, quebra com certos arqu&amp;eacute;tipos e traz um pouco da atmosfera trip hop de um Massive Attack e , sobretudo, de um Portishead. &amp;Eacute; at&amp;eacute; interessante frisar que o aguardado &amp;aacute;lbum novo do Portishead quebre frontalmente com o que constru&amp;iacute;ram at&amp;eacute; ent&amp;atilde;o, criando uma obra, que se n&amp;atilde;o &amp;eacute; fant&amp;aacute;stica, &amp;eacute; definitiva por coloc&amp;aacute;-los em um lugar estranho, muito estranho &amp;ndash; se d&amp;aacute; pra falar isso, um lugar nada &amp;ldquo;trip hop&amp;rdquo;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aspecto que muito se comenta ao falar de Burial, &amp;eacute; seu anonimato. Ok, quest&amp;otilde;es marketeiras. Mas na realidade, isso s&amp;oacute; mostra o apego do mesmo &amp;agrave;s promessas perdidas da musica eletr&amp;ocirc;nica. Lembrem-se, quando &amp;ldquo;videntes&amp;rdquo; da imprensa musical em meados dos anos 1990 decretaram a morte do rock e a ascens&amp;atilde;o da m&amp;uacute;sica eletr&amp;ocirc;nica, um dos aspectos marcantes da &amp;uacute;ltima era seu car&amp;aacute;ter an&amp;ocirc;nimo. Afinal, dizia-se que o DJ poderia ser qualquer um e n&amp;atilde;o carregava a aura de her&amp;oacute;i dos rockstars. Pura balela. Por&amp;eacute;m, Burial retomando esta tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, parece querer nos jogar diretamente para dentro de seu universo musical. Por isso que gosto de pensar em Burial como um &amp;ldquo;falso pintor naif&amp;rdquo; da m&amp;uacute;sica eletr&amp;ocirc;nica. Falso, porque detr&amp;aacute;s de suposta simplicidade e cores bem delineadas, h&amp;aacute; uma produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o barroca, completamente aparada de arestas, restando o essencial. S&amp;oacute; que gra&amp;ccedil;as a todos esses malabarismos de sua linguagem, retirando e remodelando elementos das mais diversas proced&amp;ecirc;ncias, faz com que se torne uma mosca branca, a despeito de todos seus seguidores mundo afora. A faixa &lt;em&gt;Ghost Hardware&lt;/em&gt; &amp;eacute; emblem&amp;aacute;tica de tudo isso: cheia e seca. Multifacetada e compacta. Espiritual e cerebral. Esses constrastes fizeram de &lt;strong&gt;Untrue&lt;/strong&gt; uma das mais agrad&amp;aacute;veis surpresas de 2007. Doze faixas de dubsteps minimalistas ins&amp;ocirc;nes, para quem cansou do &amp;ldquo;som de pista&amp;rdquo;.
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      <name>tiago</name>
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    <published>2008-03-21T09:03:00Z</published>
    <updated>2008-03-21T14:11:22Z</updated>
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    <title>STEPHEN MALKMUS &amp; JICKS "Real Emotional Thrash"</title>
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<summary type="html">Malkmus está solto. Se em seu último disco solo Face the Truth...</summary><content type="html">
            Malkmus está solto. Se em seu último disco solo Face the Truth...
Matador 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Tiago Moraes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malkmus est&amp;aacute; solto. Se em seu &amp;uacute;ltimo disco solo Face the Truth lan&amp;ccedil;ado em 2005 ele se limitou &amp;agrave; belas can&amp;ccedil;&amp;otilde;es folk em Real Emotional Trash lan&amp;ccedil;ado recentemente, o ex-frontman do Pavement se mostra muito mais aberto &amp;agrave; novas experi&amp;ecirc;ncias.&amp;nbsp; O vocal &amp;eacute; o mesmo de sempre (ainda bem!), uma das melhores e mais marcantes vozes do indie rock de todos os tempos, mas &amp;eacute; na guitarra, mais solta e abusando do psicodelismo e progressivo setentista e na bateria, que agora conta com o peso da m&amp;atilde;o de Janet Weiss (ex-Sleater-Kinney). Em can&amp;ccedil;&amp;otilde;es como Baltimore e Hopscotch Wille seus solos virtuosos v&amp;atilde;o mais longe do que jamais foram e isso &amp;eacute; muito, mas muito bom! Real Emotional Trash &amp;eacute; o melhor disco de sua carreira solo e possivelmente um dos melhores de sua carreira incluindo os 5 discos lan&amp;ccedil;ados ainda no Pavement. E acima de tudo, o que mais importa &amp;eacute; que fica claro que Malkmus ainda se diverte, e muito, fazendo sua m&amp;uacute;sica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Confira abaixo trecho da apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;quot;surpresa&amp;quot; recente do grupo em Portland/EUA)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &amp;lt;object height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/wTkU2Rjwbcs&amp;amp;amp;hl=en&quot; height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;
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    <published>2008-03-18T16:46:00Z</published>
    <updated>2008-03-18T18:51:13Z</updated>
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    <title>Sgt. Pepper&#180;s ... - Um Ano na Vida dos Beatles, de Clinton Heylin</title>
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<summary type="html">Obra evidencia as diversas “trocas” culturais que fomentaram o histórico álbum.</summary><content type="html">
            Obra evidencia as diversas “trocas” culturais que fomentaram o histórico álbum.
&lt;strong&gt;Sgt. Pepper&amp;acute;s Lonely Hearts Club Band - um ano na vida dos Beatles e amigos, de Clinton Heylin (Conrad Editora)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Arthur Dantas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;font&gt;1967 deve ter sido o ano mais quente da hist&amp;oacute;ria da musica pop&amp;lt;/font&gt;. Do Velvet Underground aos grandes nomes da Swingin&amp;acute; London (Who, The Move, Cream, Hendrix e Pink Floyd), a cena de Cantebury (Soft Machine e Gong, por exemplo), a psicodelia da Costa Oeste americana... Todos tiveram discos lan&amp;ccedil;ados em 1967 ou em prepara&amp;ccedil;&amp;atilde;o no per&amp;iacute;odo. O que o jornalista Clinton Heylin mostra &amp;eacute; que os Beatles, e sobretudo Paul McCartney, soube se valer desse imenso caldeir&amp;atilde;o musical, a fama j&amp;aacute; angariada por seu grupo, de suas ambi&amp;ccedil;&amp;otilde;es vanguardistas e contatos privilegiados para virar a mesa da ind&amp;uacute;stria cultural e criar a obra que se tornou paradigma de inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es t&amp;eacute;cnicas e experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. De tabela, &lt;em&gt;Sgt. Pepper&lt;/em&gt; &amp;eacute; o marco utilizado mundialmente para definir o impacto social, pol&amp;iacute;tico e est&amp;eacute;tico que os anos 1960 legaram &amp;agrave; humanidade, sobretudo no Ocidente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Heylin mostra por a+b tudo isso ao leitor? Uma rigorosa pesquisa hist&amp;oacute;rica em documentos e discos da &amp;eacute;poca, entrevistas pontuais para preencher algumas lacunas e o cruzamento de diversas obras sobre o Fab Four e os grupos da &amp;eacute;poca, d&amp;atilde;o sustenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o para sua argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Isso torna o livro saboroso por si s&amp;oacute;, mas &amp;eacute; a forma como encadeia os cap&amp;iacute;tulos do livro que ditam o diferencial desta obra: cada cap&amp;iacute;tulo trata de um grupo (Velvet Underground, Cream, Soft Machine, Pink Floyd ainda com Syd Barret, Beach Boys), o que estes grupos haviam criado at&amp;eacute; ent&amp;atilde;o e de que forma os Beatles realizaram di&amp;aacute;logo com estes. No meio disso tudo, ainda comenta sobre o papel de produtores e inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es tecnol&amp;oacute;gicas para o per&amp;iacute;odo. E n&amp;atilde;o h&amp;aacute; especula&amp;ccedil;&amp;atilde;o barata: toda tese encontra espelho em dados e fatos detalhados para justific&amp;aacute;-los. E o bacana &amp;eacute; que Heylin &amp;eacute; generoso o suficiente para nos dar as pistas para entender seus argumentos. Inclusive, em tempos de mp3, &amp;eacute; legal acompanhar os cap&amp;iacute;tulos ao mesmo passo que baixa as m&amp;uacute;sicas e &amp;aacute;lbuns citados. &amp;Eacute; verdadeiramente estimulante a forma como pontua que, sobretudo ap&amp;oacute;s Bob Dylan entrar em seu primeiro per&amp;iacute;odo de decl&amp;iacute;nio neste per&amp;iacute;odo e a troca de acetatos (os CDRs do per&amp;iacute;odo) entre os principais grupos dos Estados Unidos e Inglaterra, fez com que os Beatles (segundo Heylin, via Macca) conseguissem o espa&amp;ccedil;o e a inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o necess&amp;aacute;ria para remodelar o g&amp;ecirc;nero que eles mesmos haviam formatados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esse &amp;eacute; o grande m&amp;eacute;rito da obra: desmitificar muito do que entendemos sobre &amp;ldquo;g&amp;ecirc;nios criadores&amp;rdquo; &amp;ndash; os Beatles, para al&amp;eacute;m de suas evidentes qualidades individuais, eram m&amp;uacute;sicos que se nutriam de m&amp;uacute;sica eminentemente. Sabiam por exemplo, que Syd Barret, assim como Brian Wilson, eram m&amp;uacute;sicos absurdos (como o &amp;ldquo;pai de todos&amp;rdquo;, Bob Dylan) e demarcavam exatamente at&amp;eacute; onde conseguiriam dialogar com a obra destes e aonde poderiam acrescentar algo que nunca era meramente ornamental. Outra qualidade do livro &amp;eacute; dar a dimens&amp;atilde;o de algo nunca sentido no Brasil: o impacto da cultura de compactos do per&amp;iacute;odo para a m&amp;uacute;sica do per&amp;iacute;odo. N&amp;atilde;o havia at&amp;eacute; ent&amp;atilde;o a id&amp;eacute;ia de obras org&amp;acirc;nicas na m&amp;uacute;sica pop; os artistas coletavam hits de compacto em compacto at&amp;eacute; terem material para um &amp;aacute;lbum. Dessa forma, desmente essa balela de que Sgt. Peppers seria o primeiro disco conceitual do pop. O que Paul fez foi criar um conceito exterior e pouco razo&amp;aacute;vel para aquela cole&amp;ccedil;&amp;atilde;o de singles de ent&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;H&amp;aacute; espa&amp;ccedil;o para ponderar ainda sobre o efeito devastador (para o Bem e para o Mal) das drogas lis&amp;eacute;rgicas do per&amp;iacute;odo, do papel da nascente cr&amp;iacute;tica musical, das vanguardas art&amp;iacute;sticas, galerias de arte, casas de show de ent&amp;atilde;o, e sobre o protagonismo corajoso de alguns j&amp;aacute; consolidados artistas na dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o de transformar e colocar a m&amp;uacute;sica como cerne da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o mais o &amp;ldquo;estilo&amp;rdquo;, a &amp;ldquo;moda&amp;rdquo;, os &amp;ldquo;fact&amp;oacute;ides&amp;rdquo;. Nascia ali a no&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rock e pop &amp;ndash; antes tudo era enquandrado dentro de um abrangente e obtuso selo &amp;ldquo;POP&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o papel de qualquer grande estudo, independente do objeto &amp;eacute; esse: dar a dimens&amp;atilde;o da obra no momento e seus desdobramentos e reflex&amp;otilde;es para o futuro. Em 2007 tivemos uma grande quantidade de livros sobre m&amp;uacute;sica, mas este acabou sendo o grande lan&amp;ccedil;amento nacional para mim.
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    <published>2008-03-16T01:16:00Z</published>
    <updated>2008-03-17T11:24:43Z</updated>
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    <title>DEAD MEADOW "Old Growth"</title>
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<summary type="html">Acompanho esse power trio de Washington desde o lançamento do seu primeiro disco em 2000...</summary><content type="html">
            Acompanho esse power trio de Washington desde o lançamento do seu primeiro disco em 2000...
Matador Records 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Tiago Moraes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanho esse power trio de Washington desde o lan&amp;ccedil;amento do seu primeiro disco em 2000. Se nos primeiros 4 discos a receita era misturar tudo o que foi feito de melhor no rock psicod&amp;eacute;lico stoner/progressivo setentista (leia-se Black Sabbath, Led Zeppelin e Jimi Hendrix), em Old Growth resolveram que era hora de mudar e adicionaram na receita uma colher de blues e uma pitada de folk. Na realidade o que parece mesmo &amp;eacute; que se antes se inspiravam diretamente nas lendas do rock do final dos anos 60 e in&amp;iacute;cio dos anos 70, agora resolveram beber na fonte e buscar inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o na ra&amp;iacute;z, ali mesmo onde quem os inspirava se inspirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talv&amp;eacute;s tamb&amp;eacute;m a mudan&amp;ccedil;a recente do grupo para a ensolarada Calif&amp;oacute;rnia tenha sido uma das respons&amp;aacute;veis pela mudan&amp;ccedil;a j&amp;aacute; que &amp;eacute; provado cientificamente que o clima afeta diretamente o humor das pessoas. Se antes o som era mais psicod&amp;eacute;lico e denso (n&amp;atilde;o que tenha deixado isso completamente de lado), agora Dead Meadow est&amp;aacute; mais leve, mais acess&amp;iacute;vel, mais f&amp;aacute;cil de digerir e &amp;eacute; claro que se por um lado isso n&amp;atilde;o agrada muito os f&amp;atilde;s mais xiitas (leia-se conservadores), por outro demonstra maturidade e personalidade. Pessoalmente j&amp;aacute; gostava muito do Dead Meadow de antes mas tamb&amp;eacute;m gostei de conhecer o Dead Meadow de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Old Growth, meus destaques ficam para a cativante Ain&amp;rsquo;t Got Nothing (to Go Wrong) que abre o disco, a triste balada folk I&amp;rsquo;m Gone e o cl&amp;aacute;ssico instant&amp;acirc;neo What Needs Must Be, que &amp;eacute; uma daquelas m&amp;uacute;sicas que voc&amp;ecirc; ouve pela primeira vez e tem aquela sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o esquisita de dej&amp;agrave;-vu, parece que j&amp;aacute; ouviu aquilo antes (Confira o clipe abaixo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &amp;lt;object height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/gTXf0Rtp98s&amp;amp;amp;hl=en&quot; height=&quot;355&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;
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    <published>2008-03-12T18:59:00Z</published>
    <updated>2008-03-13T18:56:42Z</updated>
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    <title>Lost Girls (Devir Editora)</title>
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<summary type="html">Com a publicação do terceiro volume de Lost Girls, termina a maior contribuição das HQs para a literatura erótica de todos os tempos.</summary><content type="html">
            Com a publicação do terceiro volume de Lost Girls, termina a maior contribuição das HQs para a literatura erótica de todos os tempos.


&lt;p&gt;&lt;em&gt;Com a publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do terceiro volume de Lost Girls, termina a maior contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o das HQs para a literatura er&amp;oacute;tica de todos os tempos.&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Lost Girls&lt;/strong&gt; (obra em tr&amp;ecirc;s volumes, R$65 cada), de Alan Moore e Melinda Gebbie. Devir Editora&lt;br /&gt;Por Arthur Dantas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alan Moore, o escritor de Lost Girls, &amp;eacute; considerado por qualquer lista que se preze como um dos 20 maiores criadores das hist&amp;oacute;rias em quadrinhos de todos os tempos. Nem o castigo que a ind&amp;uacute;stria de Hollywood vem sistematicamente aplicando &amp;agrave;s suas obras (as adapta&amp;ccedil;&amp;otilde;es para o cinema nem carregam mais seu nome nos cr&amp;eacute;ditos por exig&amp;ecirc;ncia dele) maculam sua obra e not&amp;oacute;ria integridade art&amp;iacute;stica. Moore saiu do restrito mercado ingl&amp;ecirc;s do in&amp;iacute;cio da d&amp;eacute;cada de 80 e salvou as HQs de super-her&amp;oacute;i do limbo da bo&amp;ccedil;alidade com os maneirismos dist&amp;oacute;picos de V de Vingan&amp;ccedil;a e, principalmente, Watchmen. O bruxo de Northampton (sim, ele &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m um bruxo renomado), incans&amp;aacute;vel, j&amp;aacute; lan&amp;ccedil;ou &amp;aacute;lbuns musicais, spoken words, um livro de contos ousado e brilhante (A Voz do Fogo, lan&amp;ccedil;ado aqui pela Conrad Editora), e encontrou um novo e estimulante desafio nos tr&amp;ecirc;s luxuosos &amp;aacute;lbuns que comp&amp;otilde;em Lost Girls (Devir Editora), oferecendo uma radical e essencial contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o em outra &amp;aacute;rea &amp;ndash; a pornografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo deste &amp;eacute;pico er&amp;oacute;tico &amp;eacute; por si s&amp;oacute; engenhoso: num momento muito pr&amp;oacute;ximo da I Guerra Mundial, tr&amp;ecirc;s mulheres j&amp;aacute; adultas se encontram em um hotel austr&amp;iacute;aco. Cada qual carrega sua carga de frustra&amp;ccedil;&amp;otilde;es e neuroses. A sedu&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as tr&amp;ecirc;s acontece de forma gradual e a barb&amp;aacute;rie, para al&amp;eacute;m dos limites deste hotel ut&amp;oacute;pico, se aproxima rapidamente. O toque de g&amp;ecirc;nio, por&amp;eacute;m, &amp;eacute; dado pelo fato de que as mulheres s&amp;atilde;o, respectivamente, Wendy (de Peter Pan, de J.M. Barrie), Alice (de Alice no Pa&amp;iacute;s das Maravilhas, de Lewis Carroll) e Dorothy (de O M&amp;aacute;gico de Oz, de L. Frank Baum). E as met&amp;aacute;foras dos livros infantis, atrav&amp;eacute;s de um vi&amp;eacute;s de leitura de sonhos freudiana, tornam-se met&amp;aacute;foras sexuais. Alice &amp;eacute; a jovem l&amp;eacute;sbica com uma atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o incontrol&amp;aacute;vel por adultos e, sobretudo, por uma certa matrona (e por uma rainha de copas); Dorothy alcan&amp;ccedil;a o id&amp;iacute;lio sexual (o tornado) com uma bela masturba&amp;ccedil;&amp;atilde;o e &amp;eacute; uma verdadeira Lolita campesina; e Wendy conhece uma gangue de meninos de rua pra l&amp;aacute; de sexualizados, cujo l&amp;iacute;der &amp;eacute; Peter (Pan), e ela e seus irm&amp;atilde;os passam a viver uma suruba um tanto ing&amp;ecirc;nua com a turma, at&amp;eacute; chegar um velho de m&amp;atilde;o deformada e ped&amp;oacute;filo &amp;ndash; obviamente, o Capit&amp;atilde;o Gancho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Melinda Gebbie, a desenhista, n&amp;atilde;o &amp;eacute; circunstancial; o livro s&amp;oacute; alcan&amp;ccedil;a tal beleza gra&amp;ccedil;as a seu tra&amp;ccedil;o &lt;em&gt;naif&lt;/em&gt; e vers&amp;aacute;til. O visual ing&amp;ecirc;nuo marcado por tons fortes e express&amp;otilde;es faciais insinuantes &amp;ndash; d&amp;aacute; a t&amp;ocirc;nica em cada quadro e colabora de maneira capital, criando disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos quadros nas p&amp;aacute;ginas muito engenhosas, e que contribuem para destacar cada fase da trama e s&amp;atilde;o, em absoluto, recursos imprescind&amp;iacute;veis para real&amp;ccedil;ar o argumento de Moore. &amp;Eacute; sabido que o escritor costuma fazer cerca de 15 p&amp;aacute;ginas de anota&amp;ccedil;&amp;otilde;es para cada p&amp;aacute;gina a seus colaboradores, dando pouco espa&amp;ccedil;o para os desenhistas. Isto n&amp;atilde;o ocorreu em Lost Girls de forma t&amp;atilde;o enf&amp;aacute;tica, inclusive pelas diferen&amp;ccedil;as de background entre Moore e Melinda, e pelo car&amp;aacute;ter esparso da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alan Moore &amp;eacute; acostumado ao car&amp;aacute;ter industrial de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o da ind&amp;uacute;stria estadunidense de HQs. Melinda era uma nascente aposta do underground radical e politizado de San Francisco. O livro foi publicado em cap&amp;iacute;tulos de 1991 a 2007 e a hist&amp;oacute;ria de amor e erotismo da obra acabou vazando para a vida real - de flerte passou a namoro al&amp;eacute;m-mar e, por fim, em casamento entre roteirista e desenhista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que foi dito at&amp;eacute; aqui, o leitor pode deduzir que trata-se de uma t&amp;iacute;pica obra p&amp;oacute;s-moderna, onde a mistura vertiginosa de linguagens operam o nada. Inclusive, Kathy Acker, a j&amp;aacute; falecida escritora underground e &amp;iacute;cone p&amp;oacute;s-moderno, que se notabilizou por recontar cl&amp;aacute;ssicos de uma perspectiva radical, &amp;eacute; adorada pelos dois autores de Lost Girls. Mas n&amp;atilde;o se engane: Moore &amp;eacute; um t&amp;iacute;pico esp&amp;iacute;rito vitoriano. Iconoclasta como Oscar Wilde e igualmente preciosista na linguagem e nos recursos textuais. Melinda, apesar do engenho na disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o gr&amp;aacute;fica de suas p&amp;aacute;ginas, constroi ilustra&amp;ccedil;&amp;otilde;es que bem poderiam estar em um livro infantil (mais um paradoxo na obra!) se n&amp;atilde;o fosse pelo fato das orgias abundantes por toda obra. Tudo em prol de se fazer a hist&amp;oacute;ria cada vez mais saborosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa putaria toda se justifica! N&amp;atilde;o &amp;eacute; gratuita, o que costuma acontecer em demasia nas hist&amp;oacute;rias em quadrinhos er&amp;oacute;ticas. N&amp;atilde;o faltam detalhes e posi&amp;ccedil;&amp;otilde;es sexuais ousadas na hora de expressar o prazer na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o sexual ou no rito de conquista, al&amp;eacute;m de casos de abuso infantil, incesto e uso de drogas. &amp;Eacute; bom que se diga: Alan Moore n&amp;atilde;o costuma agradar conservadores nem aliviar suas teses e racioc&amp;iacute;nios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Lost Girls nada &amp;eacute; sagrado e tudo &amp;eacute; permitido. A obra &amp;eacute; arrebatadora e a edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o nacional &amp;eacute; impec&amp;aacute;vel. O pre&amp;ccedil;o salgado se justifica pela qualidade dos 3 &amp;aacute;lbuns. O desfecho &amp;eacute; indubitavelmente maravilhoso, ainda que melanc&amp;oacute;lico e atroz. E h&amp;aacute; uma suposta &amp;ldquo;moral da hist&amp;oacute;ria&amp;rdquo; que se torna cada vez mais veemente em tempos de guerras freq&amp;uuml;entes: como &amp;eacute; dito no &amp;uacute;ltimo volume: &amp;eacute; a guerra, n&amp;atilde;o o sexo, a mais pavorosa pervers&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo &amp;eacute; que ningu&amp;eacute;m passa inc&amp;oacute;lume por esta hist&amp;oacute;ria, um conto de fadas para mentes livres e maduras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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