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  <title>+SOMA . SUA DOSE DI&#193;RIA DE CULTURA INDEPENDENTE - +HIGHLIGHTS</title>
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      <name>tiago</name>
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    <published>2010-09-02T15:17:00Z</published>
    <updated>2010-09-02T15:19:41Z</updated>
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    <title>+Obras Primas: &#8220;Hell&#8221; versus &#8220;Back From Hell&#8221;, Por Pedro Pinhel</title>
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            &lt;p&gt;(Obras Primas publicada na +Soma 18/Jul-Ago 2010. Baixe &lt;a href=&quot;http://tinyurl.com/395pekm&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; ou descubra &lt;a href=&quot;http://bit.ly/cSCPE0&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; onde conseguir uma.)&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Obras Primas &lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;font&gt;&lt;em&gt;Por Pedro Pinhel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&amp;ldquo;Hell&amp;rdquo; versus &amp;ldquo;Back From Hell&amp;rdquo;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois LPs para incendiar qualquer sistema de som, &amp;ldquo;Hell&amp;rdquo; e &amp;ldquo;Back From Hell&amp;rdquo; t&amp;ecirc;m muito mais em comum do que apenas os nomes. Ambos representam os &amp;uacute;ltimos lampejos de genialidade &amp;ndash; e n&amp;atilde;o de criatividade, compreenda &amp;ndash; de James Brown e Run-DMC. Se em 1974 James Brown ainda punha fogo em espetaculares jam sessions com os J.B.&amp;rsquo;s e gravava uma m&amp;eacute;dia de dois discos por ano (!), encontrando tempo e disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o para se apresentar do Apollo Theater ao Zaire, o trio do Run-DMC mostrava que ainda tinha muita lenha pra queimar em 1990; ao contr&amp;aacute;rio do famoso crossover rock versus rap que os projetou e perdeu espa&amp;ccedil;o ap&amp;oacute;s o cl&amp;aacute;ssico &amp;ldquo;Raising Hell&amp;rdquo; (1986), os MCs Run e DMC e o DJ Jam Master Jay (RIP) pareciam ter recuperado o f&amp;ocirc;lego numa insinuante mistura de new jack swing e do hardcore/gangsta hip-hop produzido na virada da d&amp;eacute;cada. Hell yeah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;James Brown . &amp;ldquo;Hell&amp;rdquo; (Polydor, 1974)&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Muito pode se debater quando o assunto &amp;eacute; ao bra do mestre James Brown, e dizer que &amp;ldquo;Hell&amp;rdquo; &amp;eacute; o &amp;uacute;ltimo lampejo de genialidade do Godfather poder&amp;aacute; causar a ira de centenas de equipes de som e puristas de todo o planeta Terra e regi&amp;atilde;o, mas o fato &amp;eacute; que a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de JB perdeu muita consist&amp;ecirc;ncia ap&amp;oacute;s 74 &amp;ndash; ano&amp;nbsp; que marcou ainda o lan&amp;ccedil;amento do &amp;oacute;timo &amp;ldquo;Reality&amp;rdquo;. Concebido como um &amp;aacute;lbum duplo, o disco &amp;eacute; visto por muitos como o auge do per&amp;iacute;odo mais criativo da carreira do Ministro do Super Heavy Funk. Cada faixa aqui come&amp;ccedil;a com o soar de um gongo, ao melhor estilo kung-fu, e o carro-chefe de &amp;ldquo;Hell&amp;rdquo; &amp;eacute; a samplead&amp;iacute;ssima &amp;ldquo;Papa Don&amp;rsquo;t Take No Mess&amp;rdquo;, uma p&amp;eacute;rola do jazz-funk que vale cada um de seus treze minutos de execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;As bel&amp;iacute;ssimas &amp;ldquo;These Foolish Things&amp;rdquo;, &amp;ldquo;A Man Has To Go Back To The Crossroards&amp;rdquo; e &amp;ldquo;Sometime&amp;rdquo; fazem parte do cat&amp;aacute;logo das melhores baladas de James Brown &amp;ndash; um h&amp;aacute;bito muito comum &amp;agrave; &amp;eacute;poca, em que um dos lados do LP era inteiramente composto por can&amp;ccedil;&amp;otilde;es ao melhor estilo mela-cueca. &amp;ldquo;Hell&amp;rdquo; &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m um microcosmo de tudo o que se tentou produzir nos EUA, e em todo o mundo, em termos de m&amp;uacute;sica funk de alt&amp;iacute;ssima qualidade, definindo o padr&amp;atilde;o de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o do g&amp;ecirc;nero a partir de ent&amp;atilde;o. O legado da fase &amp;aacute;urea da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o funk de James Brown &amp;eacute; incompar&amp;aacute;vel na hist&amp;oacute;ria da m&amp;uacute;sica contempor&amp;acirc;nea. Ap&amp;oacute;s um per&amp;iacute;odo de produ&amp;ccedil;&amp;otilde;es menos impactantes durante a segunda metade da d&amp;eacute;cada de 70, muito em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da chegada da disco music e da substitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o gradual de bandas como The J.B.&amp;rsquo;s por sintetizadores e drum machines, The Hardest Working Man In Showbiz iria ainda ressurgir do inferno na metade da d&amp;eacute;cada seguinte com o cl&amp;aacute;ssico &amp;ldquo;Living In America&amp;rdquo;, mas a&amp;iacute; n&amp;oacute;s descambar&amp;iacute;amos para Rocky IV e voc&amp;ecirc; perderia o fio da meada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Run DMC . &amp;ldquo;Back From Hell&amp;rdquo; (Arista, 1990)&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Dizer que &amp;ldquo;Back From Hell&amp;rdquo; &amp;eacute; o ultimo grande disco do trio de rap mais folcl&amp;oacute;rico da velha guarda tamb&amp;eacute;m poder&amp;aacute; ofender o pessoal que representa e afirma por a&amp;iacute; que a rua &amp;eacute; n&amp;oacute;is, j&amp;aacute; que seu sucessor, &amp;ldquo;Down With The King&amp;rdquo;, de 93, tamb&amp;eacute;m teve consider&amp;aacute;vel sucesso comercial. Mas o fato &amp;eacute; que a levada new jack/bounce de &amp;ldquo;Back From Hell&amp;rdquo; &amp;eacute; conceitualmente mais interessante e envolvente do que a tentativa de r&amp;eacute;plica da atitude e a da m&amp;uacute;sica gangsta que marcaram &amp;ldquo;Down With The King&amp;rdquo;. O estilo que dominava o g&amp;ecirc;nero no in&amp;iacute;cio da d&amp;eacute;cada de 90 tinha no quinteto NWA seu maior expoente e, embora o Run-DMC tivesse feito muito bem a li&amp;ccedil;&amp;atilde;o de casa, o disco n&amp;atilde;o passava de uma c&amp;oacute;pia sem criatividade, apesar de bem produzida, do som do momento &amp;ndash; at&amp;eacute; porque o discurso do Run-DMC era bem menos agressivo e ofensivo.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt; &amp;ldquo;Back From Hell&amp;rdquo;, por sua vez, apesar de n&amp;atilde;o ser o maior trabalho da carreira de Joseph &amp;ldquo;Run&amp;rdquo; Simmons, Darryl &amp;ldquo;DMC&amp;rdquo; McDaniels e Jam Master Jay, apenas comprova a longevidade da carreira dos rappers do Queens (NY), que souberam se adaptar aos v&amp;aacute;rios per&amp;iacute;odos e estilos do hip-hop desde sua primeira fase, no in&amp;iacute;cio dos anos 80, marcada por singles, beats e timbres simples e secos, at&amp;eacute; a fase hardcore/gangsta rap do in&amp;iacute;cio dos anos 90. Musicalmente, o disco n&amp;atilde;o traz nenhuma grande inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas faixas como &amp;ldquo;The Ave&amp;rdquo;, &amp;ldquo;Bob Your Head&amp;rdquo; e &amp;ldquo;Pause&amp;rdquo; certamente figuram entre os melhores lan&amp;ccedil;amentos do ano em quest&amp;atilde;o. Problemas pessoais enfrentados por Run &amp;ndash; acusado de estupro &amp;ndash; e de DMC &amp;ndash; internado em 91 por alcoolismo &amp;ndash; podem parecer incompat&amp;iacute;veis com um &amp;aacute;lbum, cujo t&amp;iacute;tulo &amp;eacute; justamente a sa&amp;iacute;da do inferno, mas no fim ambos os rappers conseguiram sair de seus infernos pessoais e, apoiados por nomes como A Tribe Called Quest, EPMD, Public Enemy e Naughty By Nature, seguiram com suas carreiras e fizeram do Run-DMC um dos grupos de maior longevidade da hist&amp;oacute;ria de um g&amp;ecirc;nero que j&amp;aacute; assistiu a milhares de ascens&amp;otilde;es e quedas mete&amp;oacute;ricas, em seus aproximadamente trinta anos de exist&amp;ecirc;ncia. Hell, DMC!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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      <name>tiago</name>
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    <published>2010-09-01T21:24:00Z</published>
    <updated>2010-09-01T21:46:51Z</updated>
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    <title> Massive Attack Confirma Show no Brasil em Novembro</title>
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            &amp;lt;font&gt;Se antes os brasileiros invejavam os ver&amp;otilde;es europeu e estadunidense pela excessiva lista de bandas que se apresentavam por l&amp;aacute; em compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos escassos shows que aconteciam por aqui. Neste ano o pais virou a mesa e a cada semana os f&amp;atilde;s de boa m&amp;uacute;sica recebem a not&amp;iacute;cia de mais um grupo pousando por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem confirmou hoje duas apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es em novembro foi o duo brit&amp;acirc;nico de trip-hop Massive Attack. A primeira ser&amp;aacute; em Belo Horizonte, no dia 15 de novembro no Chevrolet Hall, e a segunda noite ser&amp;aacute; em S&amp;atilde;o Paulo, no dia 16 no HSBC Brasil.&amp;nbsp; Provavelmente, o show ser&amp;aacute; baseado no &amp;uacute;ltimo e excelente disco &amp;ldquo;Heligoland&amp;rdquo;, lan&amp;ccedil;ado neste ano e pouco comentado na imprensa especializada em m&amp;uacute;sica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ingressos para o show na capital mineira come&amp;ccedil;am a ser vendidos na sexta, 3. Em S&amp;atilde;o Paulo, os ingressos estar&amp;atilde;o dispon&amp;iacute;veis a partir do dia 13 de setembro. Preparem os bolsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;
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      <name>tiago</name>
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    <published>2010-09-01T19:25:00Z</published>
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    <title>+ENTREVISTA: J&#233;ssica Mangaba, por Marina Mantovanini</title>
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            &lt;p&gt;(Entrevista publicada na +Soma 18/Jul-Ago 2010. Baixe &lt;a href=&quot;http://tinyurl.com/395pekm&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; ou descubra &lt;a href=&quot;http://bit.ly/cSCPE0&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; onde conseguir uma.)&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;J&amp;eacute;ssica Mangaba&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;ldquo;Sempre, diante de uma imagem, estamos diante do tempo&amp;rdquo;&lt;br /&gt;Georges Didi-Huberman&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fotografia brasileira tem ganhado f&amp;ocirc;lego com o aparecimento de novos artistas como a jovem J&amp;eacute;ssica Mangaba. A fot&amp;oacute;grafa, de apenas 22 anos, j&amp;aacute; participou de algumas coletivas em S&amp;atilde;o Paulo e esteve no importante Festival de Fotografia de Porto Alegre ao lado de nomes como Jo&amp;atilde;o Castilho e Lu&amp;iacute;s Santos. Al&amp;eacute;m de construir seus belos ensaios imag&amp;eacute;ticos, ela pretende se dedicar &amp;agrave; pesquisa fotogr&amp;aacute;fica.&lt;br /&gt;Com uma opini&amp;atilde;o forte sobre a estagna&amp;ccedil;&amp;atilde;o do fotojornalismo e dos formatos repetitivos da fotografia nacional, J&amp;eacute;ssica prop&amp;otilde;e novas maneiras de se construir uma imagem e de pens&amp;aacute;-la. Seja por meio do formato anal&amp;oacute;gico ou digital, ela concentra sua cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o no processo e n&amp;atilde;o apenas em apertar o disparador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como e quando rolou o seu interesse pela fotografia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, acho que a fotografia &amp;eacute; um processo natural da vida de qualquer pessoa. Meus pais sempre fotografaram muito, e muitas coisas aconteceram na minha vida por causa da fotografia. A separa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos meus pais, por exemplo, eu descobri por meio da fotografia. O interesse de estudar foi natural. Eu ia prestar vestibular e fiquei interessada no curso. Eu fazia fotografia caseira como todo mundo e resolvi estudar o assunto, n&amp;atilde;o aprender a fotografar, mas conhecer al&amp;eacute;m do superficial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que a faculdade trouxe para voc&amp;ecirc;?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo da faculdade foi muito importante, principalmente pelo lado te&amp;oacute;rico. Conheci muita coisa, e eu n&amp;atilde;o tinha tanto aprofundamento no tema. Foi uma porta pra mim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E como voc&amp;ecirc; foi parar na Cia de Foto? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga da faculdade, a Alexia, sempre me convidava para conhecer o trabalho deles. Um dia fui at&amp;eacute; l&amp;aacute;, eles estavam precisando de uma assistente e rolou. A Cia foi uma forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o muito importante tamb&amp;eacute;m. Pra mim foi essencial ter passado por l&amp;aacute;, porque &amp;eacute; uma escola em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao estudo do processo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Cia de Foto &amp;eacute; um coletivo, e n&amp;atilde;o h&amp;aacute; uma assinatura individual. Qual a sua posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta da Cia &amp;eacute; muito interessante, e essa hist&amp;oacute;ria de assinatura coletiva eu aprendi l&amp;aacute;. Na faculdade, a gente tem outro processo de autoria, de pensar o que &amp;eacute; autoria, algo mais individualista mesmo. E acho que &amp;eacute; muito v&amp;aacute;lido trabalhar como um grupo, al&amp;eacute;m de ser um tema que precisa ser muito discutido, principalmente nos dias de hoje, em que tudo &amp;eacute; voltado pro indiv&amp;iacute;duo. Acho que o meu caminho &amp;eacute; como o da Cia. Por exemplo, no &amp;uacute;ltimo ensaio que eu fiz tem fotos que n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o minhas&amp;nbsp;&amp;nbsp; a ideia e toda a pesquisa s&amp;atilde;o minhas, mas quem participou &amp;eacute; t&amp;atilde;o dono quanto eu. &amp;Eacute; uma quebra da individualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O seu trabalho de conclus&amp;atilde;o de curso da faculdade foi muito elogiado, chegou a ser exposto em algumas galerias. Fale um pouco sobre ele.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus pais s&amp;atilde;o separados h&amp;aacute; muitos anos, e sempre teve uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o da aus&amp;ecirc;ncia da imagem do meu pai. Em 2008, ele me mostrou umas fotos que eu nunca tinha visto, da vida dele nos anos 70, algumas na Bahia, onde ele morou, e outras em S&amp;atilde;o Paulo. Tinha diversas fotos em que ele aparecia com um viol&amp;atilde;o, mas ele n&amp;atilde;o toca viol&amp;atilde;o, e a&amp;iacute; eu comecei a estudar a representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da fotografia, do processo de a pessoa escolher como quer ser representada. E eu comecei a pensar em como construir a mem&amp;oacute;ria de uma coisa que eu n&amp;atilde;o vivi a partir das fotos antigas do meu pai. Foi um processo muito intenso de reinventar o que poderia ter sido a vida dele. Fotografei o cotidiano dele e pedi pra ele tamb&amp;eacute;m se fotografar. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E quais as t&amp;eacute;cnicas que voc&amp;ecirc; usou para construir esse trabalho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis experimentar v&amp;aacute;rias coisas: filme, polar&amp;oacute;ide, digital, e ver o que tinha mais a ver com a proposta. As minhas refer&amp;ecirc;ncias eram as fotos antigas. Ent&amp;atilde;o, de alguma forma eu quis deixar presente, seja na tonalidade ou no enquadramento, essa est&amp;eacute;tica caseira e crua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fotografia documental ou art&amp;iacute;stica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje existe uma vasta discuss&amp;atilde;o sobre o que &amp;eacute; documental ou o que &amp;eacute; arte na fotografia. Pode ser que o meu trabalho seja documental, eu n&amp;atilde;o me apego muito nesses conceitos. N&amp;atilde;o procuro muito me colocar em uma divis&amp;atilde;o e nem acredito nessas divis&amp;otilde;es. Que seja documental ou n&amp;atilde;o, mas que tenha outros experimentos com a linguagem fotogr&amp;aacute;fica. Hoje em dia tem muita pesquisa boa, por exemplo o trabalho do Jo&amp;atilde;o Castilho, que &amp;eacute; arte, mas n&amp;atilde;o deixa de ser documental. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Quem s&amp;atilde;o os fot&amp;oacute;grafos que te influenciam?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Breno Rotatori &amp;eacute; uma refer&amp;ecirc;ncia pra mim, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; por ele ser o meu namorado e eu acompanhar de perto o processo dele, mas sim porque sempre vejo ele pesquisando e estudando a fotografia. Gosto muito tamb&amp;eacute;m do trabalho do Jo&amp;atilde;o Castilho, do Rodrigo Braga e da italiana Moira Ricci. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saiba Mais:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/jssmangaba&quot;&gt;www.flickr.com/photos/jssmangaba&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2010-08-31T18:01:00Z</published>
    <updated>2010-08-31T18:01:31Z</updated>
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    <title>Espa&#231;o +Soma: Lan&#231;amento da +Soma 19 no Happy Hour na Sexta e Show de Kaoll &amp; Lanny Gordin no S&#225;bado</title>
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            &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O happy hour desta sexta, 3, comemora o lan&amp;ccedil;amento da revista +Soma 19. Nesta edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a arte urbana &amp;eacute; reverenciada com um ensaio sobre o artista norte-americano Thomas Campbell. Outra mat&amp;eacute;ria responsa &amp;eacute; a entrevista com Garage Fuzz, banda que segue pela estrada do rock independente h&amp;aacute; 20 anos. O Zimbo Trio tamb&amp;eacute;m ganha lugar de honra nas p&amp;aacute;ginas da revista e fala sobre a inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o da m&amp;uacute;sica instrumental brasileira na d&amp;eacute;cada de 1960. E mais: Mark Lanegan, Javelin, Do Amor, Porcas Borboletas, Mini Box Lunar, Sellen e Barlow, e por a&amp;iacute; vai.&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No comando da noitada, o jornalista, pesquisador musical e fundador do site S&amp;oacute; Pedrada Musical, Daniel Tamenpi, vai colocar nos toca-discos muito soul, afrobeat, hip-hop, reggae/dub e brasilidades. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Data: 03.09.10 &amp;ndash; Sexta&lt;br /&gt;Hor&amp;aacute;rio: 20h&lt;br /&gt;Entrada . Gratuita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O show de Kaoll &amp;amp; Lanny Gordin, que acontece no Espa&amp;ccedil;o +Soma neste s&amp;aacute;bado, 4, &amp;eacute; para apreciadores de boa m&amp;uacute;sica instrumental com ecos de psicodelia. A banda tem claras refer&amp;ecirc;ncias do som progressivo dos anos 1970, do jazz contempor&amp;acirc;neo e de m&amp;uacute;sica cl&amp;aacute;ssica. Neste ano, lan&amp;ccedil;ou &amp;ldquo;Auto-Hipnose&amp;rdquo;, o segundo &amp;aacute;lbum de est&amp;uacute;dio em parceria com o guitarrista Lanny Gordin. No disco, a guitarra de Lanny permeia as m&amp;uacute;sicas atrav&amp;eacute;s de sutis melodias e improvisos prodigiosos, al&amp;eacute;m das j&amp;aacute; reverenciadas progress&amp;otilde;es de acordes que o notabilizaram como um dos grandes mestres da harmonia. No show, a banda vai apresentar as composi&amp;ccedil;&amp;otilde;es do novo CD e do primeiro disco, &amp;ldquo;Kaoll 04&amp;rdquo;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No v&amp;iacute;deo abaixo um aperitivo do que vai rolar no s&amp;aacute;bado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &amp;lt;object height=&quot;385&quot; width=&quot;541&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/nwD_nOPVWO4?fs=1&amp;amp;amp;hl=en_US&quot; height=&quot;385&quot; width=&quot;541&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Data: 04.09.10 &amp;ndash; S&amp;aacute;bado&lt;br /&gt;Hor&amp;aacute;rio: 20h&lt;br /&gt;Entrada . R$ 15 ou R$ 10 (lista)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Espa&amp;ccedil;o +Soma (Espa&amp;ccedil;o Cultural/Loja/Caf&amp;eacute;)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rua Fidalga 98 - Vila Madalena - S&amp;atilde;o Paulo - SP&lt;br /&gt;Informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es - info@maissoma.com / 11 3031.7945&lt;br /&gt;Ter&amp;ccedil;a a quinta-feira das 12h as 20h&lt;br /&gt;Sextas e s&amp;aacute;bados das 12h a 0h&lt;br /&gt;Aceitamos cart&amp;otilde;es da Redecard. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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      <name>tiago</name>
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    <published>2010-08-30T14:30:00Z</published>
    <updated>2010-08-30T14:33:37Z</updated>
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    <title>Dinosaur Jr: Ingressos &#224; Venda em S&#227;o Paulo</title>
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            &amp;lt;font&gt;Quando o &amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/dinosaurjr&quot;&gt;Dinosaur Jr.&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt; anunciou sua volta em 2007, depois de alguns anos longe dos palcos, a longa lista de f&amp;atilde;s brasileiros da banda torcia pela vinda dos caras ao Brasil. Foram mais de vinte anos de espera, mas acompanhando a enxurrada de shows que v&amp;atilde;o acontecer no pais at&amp;eacute; o final do ano, o trio &amp;iacute;cone do rock alternativo pousa em terra tupiniquim para realizar quatro apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banda toca no dia 25 de setembro no Festival recifense No Ar Coquetel Molotov, no dia 26 em Salvador na Concha Ac&amp;uacute;stica e termina a viagem com dois shows em S&amp;atilde;o Paulo, nos dias 28 e 29 de setembro no Comit&amp;ecirc; Club. Os ingressos para os shows em S&amp;atilde;o Paulo j&amp;aacute; est&amp;atilde;o &amp;agrave; venda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formado no come&amp;ccedil;o dos anos 1980 e conhecido pelos por longos solos de guitarra, riffs mel&amp;oacute;dicos, distor&amp;ccedil;&amp;atilde;o e letras depressivas, o Dinosaur Jr sempre foi citado como grande influenciador de bandas de rock alternativo e dos anos como Sonic Youth, Mudhoney e Nirvana.&amp;nbsp; &amp;Eacute; a oportunidade de ter uma aula de rock com J Mascis, Lou Barlow e Emmett Murph. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;28 . 09 e 29 . 09 em S&amp;atilde;o Paulo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinosaur Jr.&lt;br /&gt;Entrada . R$ 60 (1&amp;deg; Lote) . 23h&lt;br /&gt;Comit&amp;ecirc; Club . Rua Augusta 609 . Centro SP&lt;br /&gt;Mais informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es . &lt;a href=&quot;http://www.ingressorapido.com.br&quot;&gt;ingressorapido.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;
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    <published>2010-08-27T18:07:00Z</published>
    <updated>2010-08-27T19:11:58Z</updated>
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    <title>Javelin Faz Show no Est&#250;dio Emme Amanh&#227; </title>
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            &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt; O &lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/hotjamzofjavelin&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;Javelin&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt;, um dos principais exportadores de beats do Brooklyn da atualidade, chega ao Brasil para uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o responsa amanh&amp;atilde;, 28, no Est&amp;uacute;dio Emme para o projeto Under30 Series.&amp;lt;/font&gt;&amp;lt;font&gt; Formado pelos primos Tom Van Buskirk e George Langford&amp;lt;/font&gt;&amp;lt;font&gt;os, o projeto da dupla &amp;eacute; uma mistura de disco music, Motown, electro e hip-hop. &amp;lt;/font&gt;&amp;lt;font&gt;Se voc&amp;ecirc; curte os caras, eles ainda v&amp;atilde;o fazer apresentar um DJ set no Neu Club hoje.&amp;lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Confira abaixo a mat&amp;eacute;ria de Sean Edgar sobre a dupla, que estar&amp;aacute; na&amp;nbsp; +Soma 19.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;28 . 08&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Under30 Series com Javelin &lt;br /&gt;Entrada . R$ 30 . 23h30&lt;br /&gt;Est&amp;uacute;dio EMME: Av. Pedroso de Moraes&amp;nbsp; 1036 . Pinheiros&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Javelin &lt;br /&gt;Os Mestres da Reciclagem&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Sean Edgar (*) . Retrato por Tim Soter&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Tom van Buskirk, o frontman barbudo do Javelin, admite que era &amp;ldquo;totalmente sem no&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; na &amp;eacute;poca do col&amp;eacute;gio, fica dif&amp;iacute;cil avaliar se a afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; um elogio ou um insulto. Contextualizando: van Buskirk fez essa revela&amp;ccedil;&amp;atilde;o enquanto contava como criou a melodia de uma de suas primeiras composi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, o tema de abertura do programa do clube do audiovisual de sua escola. &amp;ldquo;Eu sampleei um som do Three Dog Night, mixei com o beat de um disco de break e gravei uns instrumentais por cima&amp;rdquo;, ele conta, aos risos. &amp;ldquo;Ficou bem brega.&amp;rdquo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;ldquo;Brega&amp;rdquo; e &amp;ldquo;sem no&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; s&amp;atilde;o duas defini&amp;ccedil;&amp;otilde;es que van Buskirk usa com frequ&amp;ecirc;ncia para descrever suas inclina&amp;ccedil;&amp;otilde;es musicais. Tecnicamente, ele n&amp;atilde;o deixa de ter raz&amp;atilde;o. Junto com seu companheiro de banda George Langford, van Buskirk tem uma certa tend&amp;ecirc;ncia a reciclar, destilar e aglutinar uma determinada gama de g&amp;ecirc;neros subestimados, e muitas vezes considerados brega, do espectro p&amp;oacute;s-moderno. Por&amp;eacute;m, apesar de sua humildade um tanto ir&amp;ocirc;nica, o Javelin &amp;eacute; hoje um dos maiores exportadores de beats do Brooklyn, ostentando um bom n&amp;uacute;mero de mixagens premiadas em elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es feitas por blogs e uma reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o consider&amp;aacute;vel por jams &amp;eacute;picas em lofts da cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as origens do Javelin v&amp;atilde;o muito al&amp;eacute;m das margens do East River. Van Buskirk e Langford t&amp;ecirc;m muito mais em comum do que o amor pelos hits radiof&amp;ocirc;nicos e pela produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o nas picapes: eles s&amp;atilde;o primos, e foram criados nos estados vizinhos de Rhode Island e Massachusetts. Passavam juntos com frequ&amp;ecirc;ncia os feriados prolongados e as f&amp;eacute;rias de ver&amp;atilde;o, trocando riffs de guitarra e mixtapes de quatro canais durante toda a juventude. Depois de se formarem na faculdade (ambos em Literatura Inglesa), eles viajaram para a Am&amp;eacute;rica do Sul: van Buskirk para Buenos Aires, e Langford para Salvador e para o Rio de Janeiro. &amp;ldquo;No meu caso foi s&amp;oacute; uma temporada fora do pa&amp;iacute;s, com um objetivo mais ou menos definido&amp;rdquo;, explica van Buskirk. &amp;ldquo;Levei comigo toda a minha aparelhagem musical e ficava criando coisas no apartamento.&amp;rdquo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os futuros integrantes do Javelin, as lojas de discos locais ofereciam prateleiras repletas de obras-primas esquecidas e novos tesouros que os nova-iorquinos antenados devoravam em segundos. &amp;ldquo;Tinha uma lojinha a que eu ia direto, onde comprei nada menos que 75 discos bem bizarros, desses que s&amp;atilde;o lan&amp;ccedil;ados para o mercado internacional. Muitos deles eram de disco music, e muito, muito bregas.&amp;rdquo; Langford, por sua vez, que nutria um gosto por Herbie Hancock no col&amp;eacute;gio, estava descobrindo Caetano Veloso, Os Mutantes, Gilberto Gil e muitos outros artistas da Tropic&amp;aacute;lia no Brasil.&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Quando voltaram aos Estados Unidos, por volta de 2005, os dois come&amp;ccedil;aram a transformar anos e anos de escava&amp;ccedil;&amp;otilde;es fonogr&amp;aacute;ficas em discos que foram imediatamente bem aceitos pela comunidade blogueira. O lan&amp;ccedil;amento independente &amp;ldquo;Jamz n Jemz&amp;rdquo;, um CD-R de 25 faixas de beats retr&amp;ocirc; do hip-hop e melodias criadas em sintetizadores dos anos 80, chamou a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Luaka Bop, o selo internacional de David Byrne. A gravadora prop&amp;ocirc;s um contrato para o Javelin sem pensar duas vezes. &amp;ldquo;Quando eles entraram em contato, j&amp;aacute; est&amp;aacute;vamos conversando com outro pessoal. A gente tinha acabado de mudar para Nova York, e pensou: &amp;lsquo;N&amp;atilde;o deve ser s&amp;oacute; uma coincid&amp;ecirc;ncia&amp;rsquo;&amp;rdquo;, recorda van Buskirk. A Luaka Bop permitiu inclusive que a dupla co-optasse seu podcast, plataforma na qual surgiu &amp;ldquo;Andean Ocean Tape&amp;rdquo;, uma esp&amp;eacute;cie de celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o escapista do ver&amp;atilde;o. Logo depois, foi lan&amp;ccedil;ado &amp;ldquo;No Mas&amp;rdquo;, primeiro LP de est&amp;uacute;dio do duo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;ldquo;No Mas&amp;rdquo; representa um passo &amp;agrave; frente muito bem pensado na evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o impressionante do Javelin. Poderia ser facilmente confundido com uma mix tape de funk, pop, dub e acid jazz para ningu&amp;eacute;m botar defeito, mas cada som traz consigo o DNA peculiar do duo. A lista de m&amp;uacute;sicas do disco &amp;eacute; um excelente exemplo da inquietude da dupla, que muda de estilo com frequ&amp;ecirc;ncia e delicadeza. &amp;ldquo;Vibrationz&amp;rdquo; pulsa por tr&amp;aacute;s do som de uma guitarra com wah wah digitalizada, que se funde a um vocal feminino sampleado entoando o mantra sensual de uma s&amp;oacute; palavra da faixa. Logo em seguida, &amp;ldquo;Mossy Woodland&amp;rdquo; navega pelas &amp;aacute;guas de uma m&amp;uacute;sica pop executada por um conjunto de cordas, permitindo a van Buskirk exibir seu alcance vocal em meio a uma tempestade de reverbs. E m&amp;uacute;sicas como &amp;ldquo;Tell Me, What Will it Be?&amp;rdquo; mergulham t&amp;atilde;o profundamente no mar de arranjos jazz&amp;iacute;sticos medianos que o limo acumulado durante os longos anos de esquecimento se torna quase palp&amp;aacute;vel. &amp;Eacute; o tipo de trilha sonora capaz de dar sobrevida a uma festa mesmo depois de sua morte natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levar essa mistura sofisticada para os palcos n&amp;atilde;o era uma tarefa f&amp;aacute;cil, e nesse caso van Buskirk e Langford fizeram o qualquer m&amp;uacute;sico de respeito que trabalha com mixagens faria: juntaram um estoque de vinte boomboxes antigas para amplificar suas batidas atrav&amp;eacute;s de um r&amp;aacute;dio FM. Assim como em suas escava&amp;ccedil;&amp;otilde;es sonoras, eles foram longe para conseguir os melhores sons reciclados. &amp;ldquo;Eu passava o tempo todo indo a lojas de artigos de segunda m&amp;atilde;o. A maior parte da aparelhagem do Javelin foi encontrada nessas lojas, assim como os discos, os cassetes e as fitas VHS. Achamos algumas coisas na rua uma vez, mas a maioria foi comprada por 10 ou 20 d&amp;oacute;lares em um bazar qualquer do Ex&amp;eacute;rcito da Salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;rdquo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por&amp;eacute;m, apesar do contrato com uma gravadora de prest&amp;iacute;gio e da pir&amp;acirc;mide de alto-falantes velhos, van Buskirk ainda n&amp;atilde;o se acha muito diferente do moleque do col&amp;eacute;gio que incorporava beats a samples de sons do Three Dog Night. &amp;ldquo;Na m&amp;uacute;sica &amp;lsquo;Radio&amp;rsquo;, a letra que eu escrevi diz que &amp;lsquo;Eu sou o mesmo desde a quarta s&amp;eacute;rie.&amp;rsquo; E &amp;eacute; verdade &amp;ndash; eu fa&amp;ccedil;o as mesmas coisas que fazia quando era moleque.&amp;rdquo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(*) Tradu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Alexandre Boide &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2010-08-26T21:10:00Z</published>
    <updated>2010-08-26T21:36:23Z</updated>
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    <title>Nosaj Thing Toca em S&#227;o Paulo em Setembro</title>
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            &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;J&amp;aacute; tem uns bons anos que o Sul da Calif&amp;oacute;rina despontou como uma das mecas da m&amp;uacute;sica eletr&amp;ocirc;nica mundial (m&amp;uacute;sica boa, n&amp;atilde;o psytrance e farofadas do tipo). Foi de l&amp;aacute; que sa&amp;iacute;ram gente como Flying Lotus, Gonjasufi, Dam Funk, Daedelus e o coletivo Low End Theory. Um dos nomes mais novos e virtuosos dessa cena, sem d&amp;uacute;vida, &amp;eacute; o prod&amp;iacute;gio Jason Chung, conhecido pelo nome de guerra &amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/nosajthing&quot;&gt;Nosaj Thing&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;. Chung lan&amp;ccedil;ou um disca&amp;ccedil;o em 2009, &amp;quot;DRIFT&amp;quot;, que entrou na lista de melhores do ano de ve&amp;iacute;culos como &amp;quot;XLR8R&amp;quot;, &amp;quot;Urb&amp;quot;, e &amp;quot;The New Yorker&amp;quot; (e que voc&amp;ecirc; pode baixar de gra&amp;ccedil;a e legalmente &amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://rs768.rapidshare.com/files/224297009/Nosaj_Thing_-_Drift__2009_.rar&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;). Beatmaker e modulador de m&amp;atilde;o cheia, ele demonstra um talento assombroso ao vivo, manipulando beats com rapidez e precis&amp;atilde;o matem&amp;aacute;tica. E o melhor, com cultura musical, saindo do mundo normalmente end&amp;oacute;geno e auto-referente da m&amp;uacute;sica eletr&amp;ocirc;nica: entre suas refer&amp;ecirc;ncias, Chung cita sempre Chopin e Erik Satie, al&amp;eacute;m de produtores como Boards of Canada e a cena de hip-hop da Costa Oeste estadunidense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de rodar o mundo em festivais como Pukkelpop e S&amp;oacute;nar, Nosaj thing se apresenta agora no MIS, em duas datas, com apoio da Passport: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+ S&amp;aacute;bado 4/09 na Sunset Party, no p&amp;aacute;tio do museu, das 16h &amp;agrave;s 21h. &lt;strong&gt;Entrada franca.&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;+ Domingo 5/09 no Audit&amp;oacute;rio do MIS, &amp;agrave;s 19h. Neste show, o Nosaj apresenta ainda esse show audiovisual fin&amp;eacute;rrimo a&amp;iacute; de baixo. &lt;strong&gt;Inteira: R$ 10. Meia R$ 5.&lt;/strong&gt;&amp;nbsp; &amp;lt;/font&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;230&quot; width=&quot;400&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=5817444&amp;amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;amp;show_title=1&amp;amp;amp;show_byline=1&amp;amp;amp;show_portrait=1&amp;amp;amp;color=00ADEF&amp;amp;amp;fullscreen=1&amp;amp;amp;autoplay=0&amp;amp;amp;loop=0&quot; height=&quot;230&quot; width=&quot;400&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://vimeo.com/5817444&quot;&gt;Nosaj Thing Visual Show Compilation Test Shoot&lt;/a&gt; from &lt;a href=&quot;http://vimeo.com/user536518&quot;&gt;Adam Guzman&lt;/a&gt; on &lt;a href=&quot;http://vimeo.com&quot;&gt;Vimeo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;font&gt;Veja abaixo DJ set do Nosaj Thing na r&amp;aacute;dio KEXP, de Seattle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;338&quot; width=&quot;541&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/31AFfyPXUKQ?fs=1&amp;amp;amp;hl=pt_BR&quot; height=&quot;338&quot; width=&quot;541&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Saiba mais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.nosajthing.com&quot;&gt;www.nosajthing.com&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/nosajthing&quot;&gt;www.myspace.com/nosajthing&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixe &amp;quot;DRIFT&amp;quot; na faixa e sem culpa &amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://rs768.rapidshare.com/files/224297009/Nosaj_Thing_-_Drift__2009_.rar&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;por Mateus Potumati em 26/08/2010&lt;/em&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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    <title>+ENSAIO DE FOTOS: Alejandra Laviada</title>
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            &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;Foto Esculturas&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;em&gt; &lt;strong&gt;de Alejandra Laviada&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Ao fotografar encena&amp;ccedil;&amp;otilde;es escult&amp;oacute;ricas, Alejandra Laviada subverte a mat&amp;eacute;ria. O primeiro ato se encerra quando a cortina da sua c&amp;acirc;mera 6x7 se fecha. Objetos aparentemente descartados da sociedade, encontrados em edif&amp;iacute;cios abandonados na cidade do M&amp;eacute;xico, s&amp;atilde;o reordenados por Alejandra como esculturas ef&amp;ecirc;meras que ressurgem pictoricamente em forma de fotografias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado dessas interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es nos conduze por sensa&amp;ccedil;&amp;otilde;es estranhas. &amp;Eacute; inevit&amp;aacute;vel o desejo de tocar o objeto fixo, im&amp;oacute;vel e que agora s&amp;oacute; existe no plano bidimensional da fotografia. Somos convidados a decifrar essas imagens, obrigados a saltar da exist&amp;ecirc;ncia linear dos objetos para um n&amp;iacute;vel de exist&amp;ecirc;ncia mais abstrato e adimensional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al&amp;eacute;m disso, a po&amp;eacute;tica deste trabalho, que se utiliza de res&amp;iacute;duos da sociedade industrial, sugere uma reflex&amp;atilde;o sobre os ciclos de vida urbana com seus processos de decad&amp;ecirc;ncia e reinven&amp;ccedil;&amp;atilde;o: &amp;ldquo;Meu processo fotogr&amp;aacute;fico &amp;eacute; uma esp&amp;eacute;cie de arqueologia urbana, j&amp;aacute; que recrio novas narrativas com os objetos que vou desenterrando. Cada pe&amp;ccedil;a nos revela algo da hist&amp;oacute;ria ou fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o do espa&amp;ccedil;o e das pessoas que o habitaram&amp;rdquo;, afirma Laviada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com &amp;ldquo;Foto Esculturas&amp;rdquo;, Alejandra ganhou em 2009 o pr&amp;ecirc;mio &amp;ldquo;Descubrimientos&amp;rdquo; do festival PhotoEspa&amp;ntilde;a, que lhe proporcionou uma exposic&amp;atilde;o individual no festival deste ano. Neste ensaio, a fot&amp;oacute;grafa questiona os processos de revitaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os urbanos, assim como a pr&amp;oacute;pria fotografia, que aparece como uma forma de reflex&amp;atilde;o diferenciada da premissa cartesiana, na qual pensar significa seguir a linha escrita.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Edu Monteiro&lt;br /&gt;Fotonauta&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2010-08-24T20:47:00Z</published>
    <updated>2010-08-24T20:47:51Z</updated>
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    <title>Psilosamples Nesta Sexta no CCJ em SP</title>
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            &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Nesta sexta, 27, o Centro Cultural da Juventude vai receber o projeto de Z&amp;eacute; Rol&amp;ecirc; aka &lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/psilosamples&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;Psilosamples&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt;. De banda punk rock a MC Freestyle, Z&amp;eacute; est&amp;aacute; envolvido com a m&amp;uacute;sica desde os tr&amp;ecirc;s anos de idade e ganhou v&amp;aacute;rios festivais de can&amp;ccedil;&amp;atilde;o no sul de Minas. Hoje, o mineiro de Po&amp;ccedil;o Fundo faz m&amp;uacute;sica eletr&amp;ocirc;nica e se apresenta com um computador na m&amp;atilde;o e alguns softwares. As composi&amp;ccedil;&amp;otilde;es eletr&amp;ocirc;nicas s&amp;atilde;o misturada com cantigas, cirandas, forr&amp;oacute;, hip-hop e outras refer&amp;ecirc;ncias que v&amp;atilde;o se colando e formam um downbeat com experimentalismo e som regional. No live-act, ele deve apresentar a cole&amp;ccedil;&amp;atilde;o de remixes As Aventuras de Z&amp;eacute; no Planeta Ro&amp;ccedil;a e algumas composi&amp;ccedil;&amp;otilde;es in&amp;eacute;ditas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;27 . 08 . 2010 &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Psilosamples&lt;br /&gt;Entrada . S&amp;oacute; chegar. 20h&lt;br /&gt;Centro Cultural da Juventude . Av. Deputado Em&amp;iacute;lio Carlos 3.641. Vila Nova Cachoeirinha . ZN&lt;br /&gt;Mais informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es . escuta.estudiolivre.org&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2010-08-24T14:20:00Z</published>
    <updated>2010-08-24T14:23:38Z</updated>
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    <title>+ENTREVISTA: Chali 2Na, Por Daniel Tamenpi</title>
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            &lt;p&gt;(Entrevista publicada na +Soma 18/Jul-Ago 2010. Baixe &lt;a href=&quot;http://tinyurl.com/395pekm&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; ou descubra &lt;a href=&quot;http://bit.ly/cSCPE0&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; onde conseguir uma.)&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;O bar&amp;iacute;tono do hip-hop&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;em&gt;Por Daniel Tamenpi . Colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Suemyra Shah&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles Stewart Jr., ou Chali 2Na, como ficou mundialmente conhecido, &amp;eacute; uma das figuras mais ativas do hip-hop mundial. Sua carreira acompanha a evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do rap desde os anos 90 at&amp;eacute; os dias de hoje. Nascido em Chicago, mas criado em Los Angeles, Tuna faz parte da gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o que moldou o estilo que viria na contram&amp;atilde;o do gangsta rap e do rap comercial. Sua voz &amp;eacute; marcante, daquelas que se reconhece nos primeiros versos, seja nas m&amp;uacute;sicas do Jurassic 5, do Ozomatli ou nas dezenas de participa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que fez durante toda a carreira. Uma de suas caracter&amp;iacute;sticas &amp;eacute; a facilidade de se encaixar em linhas sonoras variadas: rap, funk, reggae, m&amp;uacute;sica latina, rock, o que for. Apelidado &amp;ldquo;o bar&amp;iacute;tono do hip-hop&amp;rdquo;, o rapper agora segue em carreira solo ap&amp;oacute;s a separa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do J5, al&amp;ccedil;ando voos altos e marcantes em seu &amp;aacute;lbum de estreia, &amp;ldquo;Fish Outta Water&amp;rdquo;, um dos destaques de 2009, na rec&amp;eacute;m-lan&amp;ccedil;ada mixtape &amp;ldquo;Fish Market Part 2&amp;rdquo; e em v&amp;aacute;rios outros projetos. Em conversa com a +Soma, Tuna fala de sua carreira, dos tempos de col&amp;eacute;gio, da paix&amp;atilde;o pelo graffiti e pela pintura e ainda adianta informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre novos shows no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; nasceu em Chicago, que tem uma grande hist&amp;oacute;ria no hip-hop. Qual foi o motivo da sua mudan&amp;ccedil;a pra Los Angeles?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Eu me mudei para Los Angeles para evitar s&amp;eacute;rios problemas em que estava prestes a me meter e que n&amp;atilde;o vem ao caso descrever aqui. Minha av&amp;oacute; j&amp;aacute; estava cansada de Chicago, por causa das muitas trag&amp;eacute;dias que teve que enfrentar durante anos, ent&amp;atilde;o se ofereceu pra me levar, junto com meus irm&amp;atilde;os, pra morar com ela na Calif&amp;oacute;rnia. N&amp;oacute;s aceitamos e fomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fale um pouco sobre o seu tempo de col&amp;eacute;gio, quando tinha companheiros de classe como Cut Chemist, Everlast, DJ Muggs e Sun Doobie. O hip-hop j&amp;aacute; fazia parte da vida de voc&amp;ecirc;s nessa &amp;eacute;poca?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Sim, senhor! O hip-hop me conquistou bem no in&amp;iacute;cio dos anos 80. Em 86/87 eu j&amp;aacute; estava em Los Angeles, ent&amp;atilde;o [o rap] definitivamente j&amp;aacute; fazia parte da minha vida. Eu, Sun Doobie, Cut Chemist e Marc7 faz&amp;iacute;amos parte do U.N.I.T.Y. Committee, e foi atrav&amp;eacute;s deles que conheci o Muggs e depois o Everlast. O hip-hop em Los Angeles era bem louco, porque era muito influenciado e fortemente ligado &amp;agrave; ind&amp;uacute;stria do cinema, ent&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; via todo tipo de estrelas em qualquer lugar. Isso me fez pensar: se eles podem, eu tamb&amp;eacute;m posso! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/01qwM8_jeos?fs=1&amp;amp;amp;hl=en_US&quot; height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sei que antes de rimar voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; pintava, e faz disso uma atividade at&amp;eacute; os dias de hoje. Inclusive, na sua passagem pelo Brasil, fez pinturas com o Flip. Qual a import&amp;acirc;ncia do grafitti na sua vida?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Foi a chave dos port&amp;otilde;es do hip-hop pra mim. Abriu as portas de um novo mundo, que at&amp;eacute; hoje parece novo, gra&amp;ccedil;as a todas as coisas que eu aprendi sobre arte atrav&amp;eacute;s dos anos. &amp;Eacute; um dos elementos mais antigos do hip-hop, e n&amp;atilde;o pertence s&amp;oacute; a ele, faz parte tamb&amp;eacute;m de outros subg&amp;ecirc;neros. A minha disciplina art&amp;iacute;stica passa pra minha m&amp;uacute;sica, ent&amp;atilde;o [a arte] &amp;eacute; muito importante pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vi no seu Myspace que voc&amp;ecirc; tem feito telas a &amp;oacute;leo, al&amp;eacute;m do graffiti. Quais s&amp;atilde;o suas influ&amp;ecirc;ncias nessa &amp;aacute;rea?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Van Gogh e Rembrandt. Esses caras t&amp;ecirc;m quadros que duram centenas de anos, e os detalhes continuam imaculados! Eu busco a mesma habilidade e longevidade no que eu pinto, ent&amp;atilde;o decidi experimentar a pintura a &amp;oacute;leo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Good Life Cafe foi um lugar que teve um grande valor na sua carreira. Fale um pouco sobre a import&amp;acirc;ncia desse local pra cena daquele momento.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O Good Life Cafe foi importante pra cena porque voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o conseguia um contrato se n&amp;atilde;o fizesse parte do gangsta rap. Naquela &amp;eacute;poca esse estilo era t&amp;atilde;o popular que todo selo queria um grupo como o N.W.A., ent&amp;atilde;o o Good Life era a vitrine necess&amp;aacute;ria para aqueles de n&amp;oacute;s que n&amp;atilde;o participavam da cena gangsta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/qxS7sA-zr44?fs=1&amp;amp;amp;hl=en_US&quot; height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi por l&amp;aacute; que o Jurassic 5 surgiu? Como aconteceu essa uni&amp;atilde;o de tanta gente talentosa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Sim, o Jurassic 5 se conheceu no Good Life. Come&amp;ccedil;ou com dois grupos distintos que se admiravam mutuamente e queriam trabalhar juntos. Alguns anos depois finalmente tivemos a chance, e esse som abriu caminho para o que viria a ser o Jurassic 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antes do J5 voc&amp;ecirc; e o Cut Chemist fizeram parte do Ozomatli, uma banda que tem a m&amp;uacute;sica latina como sonoridade principal. Como rolou essa hist&amp;oacute;ria? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Na verdade o J5 existia antes do Ozomatli. Foi a vers&amp;atilde;o deles da nossa primeira m&amp;uacute;sica, que se chamava &amp;ldquo;Unified Revolution&amp;rdquo;, que me levou a tocar com a banda e mais tarde me tornar parte dela. Eu conhe&amp;ccedil;o o Wil-Dog desde que ele tinha uns 14 anos, e continuamos amigos at&amp;eacute; que as circunst&amp;acirc;ncias me levarem a ajud&amp;aacute;-lo a propagar sua causa. Eu me sinto aben&amp;ccedil;oado por ter sido parte daquilo, e ainda toco e gravo com eles de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Jurassic 5 &amp;eacute; um dos grupos mais queridos do hip-hop. Voc&amp;ecirc;s viajaram o mundo todo fazendo shows e turn&amp;ecirc;s. Quais foram os mais marcantes e importantes?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O Festival de Glastonbury, na Inglaterra, em 98, e o Festival Bonnaroo, em 2001, foram pra mim dois pontos cruciais no sucesso do nosso grupo. Tanta gente nos viu ao mesmo tempo em cada um desses festivais que o boca-a-boca se espalhou feito fogo em mato seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No ano passado o EP do J5 foi relan&amp;ccedil;ado em uma comemora&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos 10 anos do lan&amp;ccedil;amento original. Bateu uma saudade do grupo? Existe a possibilidade de um retorno?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Na verdade n&amp;atilde;o rolou nostalgia, porque essa &amp;eacute; [at&amp;eacute; hoje] a parte principal da minha hist&amp;oacute;ria como artista. Agrade&amp;ccedil;o o que conquistei durante aquela &amp;eacute;poca, assim como o que conquistei depois que me desliguei do grupo. Todos n&amp;oacute;s estamos fazendo o que consideramos necess&amp;aacute;rio artisticamente neste momento em nossas carreiras solo. Apesar de n&amp;atilde;o poder prever o futuro, n&amp;atilde;o acho que exista a chance de nos reunirmos t&amp;atilde;o cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No ano passado voc&amp;ecirc; lan&amp;ccedil;ou seu primeiro disco solo. &amp;ldquo;Fish Outta Water&amp;rdquo; me surpreendeu muito &amp;ndash; como f&amp;atilde;, esperava algo que lembrasse a sonoridade do J5, mas voc&amp;ecirc; seguiu um caminho diferente, mais autoral, mostrando diversas influ&amp;ecirc;ncias.&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;ldquo;Fish Outta Water&amp;rdquo; foi o processo de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma identidade, ent&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; certo. Era minha inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o expor coisas diferentes, que me formaram como artista, e ir al&amp;eacute;m. Agrade&amp;ccedil;o a todos os produtores e artistas convidados que me ajudaram a pintar esse quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; fez parte do interessante projeto Dino 5, de hip-hop direcionado para as crian&amp;ccedil;as. Como MC e pai, como foi essa experi&amp;ecirc;ncia?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Foi maravilhoso, porque eu realmente pude usar minha habilidade pra me dirigir &amp;agrave;s crian&amp;ccedil;as sem descambar pro brega. O Prince Paul foi o idealizador. Ele me chamou de uma hora pra outra e explicou a miss&amp;atilde;o. Eu jamais diria n&amp;atilde;o ao Prince Paul! (Risos) Al&amp;eacute;m de mim, estavam envolvidos LadyBug Mecca, WordsWorth, Scratch e a Ursula Rucker. N&amp;oacute;s finalizamos o projeto em uns cinco dias, apesar de termos um prazo de at&amp;eacute; onze. Tenho muito orgulho de ser parte disso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; pegou o hip-hop como cultura, e n&amp;atilde;o como a ind&amp;uacute;stria que &amp;eacute; nos dias de hoje. No Brasil, o hip-hop ainda &amp;eacute; visto dessa forma. Como voc&amp;ecirc; encara o hip-hop nos EUA atualmente?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O hip-hop nos EUA &amp;eacute; definitivamente movido pela ind&amp;uacute;stria e pelo que voc&amp;ecirc; pode ganhar nesse jogo. Ainda &amp;eacute; um movimento centrado na juventude, porem &amp;eacute; mais superficial e visto como uma maneira de ganhar dinheiro, e n&amp;atilde;o como um meio de express&amp;atilde;o. Isso &amp;eacute; a realidade. Mas tenho muito orgulho de existirem artistas por a&amp;iacute; que ainda o amam como forma de arte. S&amp;oacute; tenho a agradecer ao pessoal do Brasil por manter isso vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Jurassic 5 fez duas apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es em 2005 em S&amp;atilde;o Paulo. Eu estava presente e me pareceu que voc&amp;ecirc;s ficaram bem satisfeitos, dando aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o e sorrisos a todos ap&amp;oacute;s as apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es. O que voc&amp;ecirc; achou do Brasil? Tem planos pra novos shows por aqui?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Eu simplesmente amo o seu pa&amp;iacute;s por in&amp;uacute;meras raz&amp;otilde;es. Tem gente linda por dentro e por fora, uma m&amp;uacute;sica espetacular e uma cultura inquestionavelmente rica. Eu amei o Brasil, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; daquelas duas vezes, mas em todas as vezes que o visitei (ele tamb&amp;eacute;m veio ao Brasil com o &amp;ldquo;Galactic&amp;rdquo;). Eu amo o povo brasileiro. Voc&amp;ecirc;s s&amp;atilde;o calorosos e hospitaleiros. Estou pra voltar nos tr&amp;ecirc;s &amp;uacute;ltimos dias de julho, pra promover o &amp;ldquo;Fish Outta Water&amp;rdquo; e o meu novo projeto, a mixtape &amp;ldquo;Fish Market Part 2&amp;rdquo;, ent&amp;atilde;o, por favor, apare&amp;ccedil;am pra me dar uma for&amp;ccedil;a!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/01qwM8_jeos?fs=1&amp;amp;amp;hl=en_US&quot; height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saiba mais: &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.Chali2na.com&quot;&gt;Chali2na.com&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.Jurassic5.com&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;Jurassic5.com&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2010-08-23T19:53:00Z</published>
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    <title>+Espa&#231;o Soma: Happy Hour com Quest Crew e Show de Ellen Ol&#233;ria</title>
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            &amp;lt;font&gt;&amp;Uacute;ltima sexta de agosto e o clima est&amp;aacute; esquentando. J&amp;aacute; que o frio resolveu dar uma tr&amp;eacute;gua, nada melhor do que curtir m&amp;uacute;sica boa com cerveja gelada A dica &amp;eacute; o happy hour no Espa&amp;ccedil;o +Soma, que recebe novamente o coletivo de camaradas do Quest Crew. O nome do coletivo &amp;eacute; inspirado no v&amp;iacute;deo de skate &amp;ldquo;The Questionable V&amp;iacute;deo&amp;rdquo;, &amp;iacute;cone do movimento. Assim sendo, a discotecagem e a sonoridade do trio, composto por Alexandre Vianna, Marcelo Calazans e Persio Tagawa, n&amp;atilde;o poderia fugir do tema: os rol&amp;ecirc;s nas pistas de skate. Cola ae!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Data: 27.08.10 &amp;ndash; Sexta&lt;br /&gt;Hor&amp;aacute;rio: 20h&lt;br /&gt;Entrada . Gratuita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz dez anos que a cantora &lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/ellenoleria&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;Ellen Ol&amp;eacute;ria&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; apresenta sua m&amp;uacute;sica pelos palcos do Brasil. Neste s&amp;aacute;bado, a brasiliense vem ao Espa&amp;ccedil;o +Soma para lan&amp;ccedil;ar &amp;ldquo;Pe&amp;ccedil;a&amp;rdquo;, o primeiro disco solo da artista. Abastecida de muito balan&amp;ccedil;o e com uma singular presen&amp;ccedil;a de palco, Ellen vem acompanhada de sua banda e vai tocar as m&amp;uacute;sicas do novo &amp;aacute;lbum. As can&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o repletas de groove e fazem uma mistura de funk, samba, MPB e afox&amp;eacute;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Data: 28.08.10 &amp;ndash; S&amp;aacute;bado&lt;br /&gt;Hor&amp;aacute;rio: 20h&lt;br /&gt;Entrada . R$ 15 ou R$ 10 (lista)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Espa&amp;ccedil;o +Soma (Espa&amp;ccedil;o Cultural/Loja/Caf&amp;eacute;)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rua Fidalga 98 - Vila Madalena - S&amp;atilde;o Paulo - SP&lt;br /&gt;Informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es - info@maissoma.com / 11 3031.7945&lt;br /&gt;Ter&amp;ccedil;a a quinta-feira das 12h as 20h&lt;br /&gt;Sextas e s&amp;aacute;bados das 12h a 0h&lt;br /&gt;Aceitamos cart&amp;otilde;es da Redecard. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;
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    <author>
      <name>tiago</name>
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    <published>2010-08-20T14:32:00Z</published>
    <updated>2010-08-20T14:32:52Z</updated>
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    <title>+ENSAIO . Clara Crocodilo, por Raquel Setz</title>
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            &lt;p&gt;(Ensaio publicado na +Soma 18/Jul-Ago 2010. Baixe &lt;a href=&quot;http://tinyurl.com/395pekm&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; ou descubra &lt;a href=&quot;http://bit.ly/cSCPE0&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; onde conseguir uma.)&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Por onde andou Clara Crocodilo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como Arrigo Barnab&amp;eacute; costurou m&amp;uacute;sica erudita contempor&amp;acirc;nea, can&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira, arquitetura, HQs, sensacionalismo, submundo e transgress&amp;atilde;o e, encarnando uma esp&amp;eacute;cie de doutor Frankenstein da MPB, criou o monstro/obra-de-arte que completa 30 anos em 2010&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;em&gt;&amp;lt;font&gt;Por Raquel Setz . Ilustra&amp;ccedil;&amp;otilde;es por Luiz G&amp;ecirc; . Fotos da banda por Antonio Carlos Toneli&amp;lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&amp;lt;font&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S&amp;atilde;o Paulo, 21 de maio de 1979. O teatro Pixinguinha, do SESC Anchieta, estava absolutamente lotado. O p&amp;uacute;blico esperava ansioso pela final do I Festival Universit&amp;aacute;rio de M&amp;uacute;sica Popular Brasileira, promovido pela TV Cultura. Assim como nos hist&amp;oacute;ricos festivais da TV Record do final dos anos 60, a plateia n&amp;atilde;o era exatamente bem comportada: podia tanto aplaudir efusivamente um concorrente como fuzil&amp;aacute;-lo com vaias. Quando um jovem compositor londrinense, que atendia pelo ex&amp;oacute;tico nome Arrigo Barnab&amp;eacute;, subiu ao palco com sua banda de treze integrantes para apresentar as finalistas &amp;ldquo;Infort&amp;uacute;nio&amp;rdquo; e &amp;ldquo;Divers&amp;otilde;es Eletr&amp;ocirc;nicas&amp;rdquo;, as rea&amp;ccedil;&amp;otilde;es foram divididas. Enquanto alguns empunhavam faixas com dizeres como &amp;ldquo;Vai firme, Arrigo&amp;rdquo;, outros vaiavam, gritavam &amp;ldquo;Fora!&amp;rdquo; e at&amp;eacute; atiravam objetos no palco &amp;ndash; a cantora Neuza Pinheiro foi alvejada na testa por uma bola de papel. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Esse estranhamento j&amp;aacute; era um tanto esperado: para quem tinha esperan&amp;ccedil;a de que o festival revelasse a nova &amp;ldquo;A Banda&amp;rdquo;, aquelas m&amp;uacute;sicas complexas, que mesclavam disson&amp;acirc;ncias e ritmos pouco convencionais com performance teatral, al&amp;eacute;m de letras que tratavam de personagens do submundo urbano, eram simplesmente intoler&amp;aacute;veis. Quando, em novembro daquele mesmo ano, Arrigo concorreu com a m&amp;uacute;sica &amp;ldquo;Sabor de Veneno&amp;rdquo; no Festival 79 de M&amp;uacute;sica Popular Brasileira, da TV Tupi, a rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o da plateia foi ainda mais agressiva: em vez de inofensivas bolas de papel, foram arremessados cinzeiros de metal arrancados das cadeiras do teatro &amp;ndash; por sorte, desta vez ningu&amp;eacute;m foi atingido. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Durante a apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o baixista da banda (que na &amp;eacute;poca era um ilustre desconhecido chamado Itamar Assump&amp;ccedil;&amp;atilde;o), provocava os espectadores perguntando &amp;ldquo;Sabor de qu&amp;ecirc;?&amp;rdquo; &amp;ldquo;De merda!&amp;rdquo;, eles berravam em resposta. &lt;br /&gt;&amp;ldquo;Divers&amp;otilde;es Eletr&amp;ocirc;nicas&amp;rdquo; ficou com o primeiro lugar no Festival da TV Cultura, e &amp;ldquo;Sabor de Veneno&amp;rdquo; levou os pr&amp;ecirc;mios de melhor int&amp;eacute;rprete (Neuza Pinheiro) e melhor arranjo. Mais importante que os pr&amp;ecirc;mios, a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o nesses dois festivais mostrou que havia algo novo sendo proposto na MPB. Nos anos seguintes, uma cena musical come&amp;ccedil;ou a tomar for&amp;ccedil;a na cidade de S&amp;atilde;o Paulo: foi a chamada Vanguarda Paulista. Muitos artistas de destaque dessa cena estavam na banda que acompanhou Arrigo nos festivais &amp;ndash; al&amp;eacute;m do genial Itamar Assump&amp;ccedil;&amp;atilde;o, havia tamb&amp;eacute;m o multi-instrumentista Paulo Barnab&amp;eacute; (irm&amp;atilde;o de Arrigo), o trombonista Bocato, as cantoras Suzana Salles, V&amp;acirc;nia Bastos e Tet&amp;ecirc; Esp&amp;iacute;ndola, e Claus Petersen, flautista e saxofonista do grupo Premeditando o Breque, que pegou o segundo lugar no Festival da Cultura com o divertid&amp;iacute;ssimo samba de breque &amp;ldquo;Brigando na Lua&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Havia ali um evidente elogio &amp;agrave; figura do marginal &amp;ndash; o que, no contexto da ditadura militar e, especialmente, dos anos de chumbo do governo M&amp;eacute;dici, significava muito mais um ato de resist&amp;ecirc;ncia do que uma apologia ao crime&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Um mutante na linha evolutiva&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Desde o in&amp;iacute;cio dos anos 70, Arrigo Barnab&amp;eacute; vinha desenvolvendo um estilo muito particular de trabalhar a can&amp;ccedil;&amp;atilde;o popular brasileira. Ao ler o livro &amp;ldquo;O Balan&amp;ccedil;o da Bossa&amp;rdquo;, de Augusto de Campos, ele come&amp;ccedil;ou a pensar em qual seria o salto seguinte na linha evolutiva da MPB. A bossa nova havia trazido inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es r&amp;iacute;tmicas, mel&amp;oacute;dicas e, principalmente, harm&amp;ocirc;nicas; a tropic&amp;aacute;lia tinha ousado bastante nos arranjos e nas letras. Um novo passo poss&amp;iacute;vel seria mexer na pr&amp;oacute;pria estrutura da m&amp;uacute;sica, mudando as f&amp;oacute;rmulas de compasso (dos tradicionais 2/4 ou 4/4 para os pouco utilizados 5/4 ou 7/4, por exemplo) e radicalizando harmonias e melodias com o abandono da tonalidade. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Em 1971, com essas ideias na cabe&amp;ccedil;a, Arrigo e Mario L&amp;uacute;cio C&amp;ocirc;rtes resolveram escrever uma m&amp;uacute;sica em parceria. Amigos desde a adolesc&amp;ecirc;ncia em Londrina, os dois fizeram aulas de piano cl&amp;aacute;ssico juntos e passaram v&amp;aacute;rias tardes tocando Bach e conversando sobre m&amp;uacute;sica. Em 1970, Arrigo veio para S&amp;atilde;o Paulo fazer cursinho e, em seguida, estudar Arquitetura na FAU; Mario Lucio tamb&amp;eacute;m saiu de Londrina para cursar Engenharia no ITA, em S&amp;atilde;o Jos&amp;eacute; dos Campos. Os amigos passaram a se encontrar somente nas f&amp;eacute;rias, per&amp;iacute;odo em que trocavam informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre a m&amp;uacute;sica erudita do s&amp;eacute;culo XX, tema que pesquisavam com afinco.&lt;br /&gt;Dessa vez, aproveitaram a ocasi&amp;atilde;o para compor em conjunto, e assim come&amp;ccedil;ou a lenta e trabalhosa cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o da m&amp;uacute;sica &amp;ldquo;Clara Crocodilo&amp;rdquo;. Primeiro, eles decidiram que ela seria feita sobre um compasso 7/4 &amp;ndash; o mesmo que o Pink Floyd utilizaria anos depois na m&amp;uacute;sica Money, de 1973. Em seguida, criaram algumas linhas mel&amp;oacute;dicas e uma harmonia.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/vOgoVO44mVo?fs=1&amp;amp;amp;hl=en_US&quot; height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Cada linha mel&amp;oacute;dica funcionava como um m&amp;oacute;dulo &amp;ndash; conceito que Arrigo importou das aulas de desenho arquitet&amp;ocirc;nico do cursinho: &amp;ldquo;M&amp;oacute;dulo &amp;eacute; uma forma plana, que cri&amp;aacute;vamos na cartolina. Mont&amp;aacute;vamos mais de uma estrutura usando os mesmos m&amp;oacute;dulos encaixados de formas diferentes. &amp;Eacute; quase como um brinquedo. Eu era p&amp;eacute;ssimo nisso, mas achei a ideia muito legal&amp;rdquo;, conta Arrigo em entrevista &amp;agrave; +Soma na sala de sua casa, em uma vila buc&amp;oacute;lica encravada no agitado cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Itaim, bairro na Zona Sul de S&amp;atilde;o Paulo. Juntando esse conceito com o procedimento do &amp;ldquo;caos controlado&amp;rdquo; utilizado na m&amp;uacute;sica aleat&amp;oacute;ria, os &amp;ldquo;m&amp;oacute;dulos musicais&amp;rdquo; seriam distribu&amp;iacute;dos aos instrumentistas, e cada um poderia escolher a ordem de execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;ldquo;Tem uma quantidade de acaso pela escolha dos instrumentistas, mas tamb&amp;eacute;m tem o controle, que s&amp;atilde;o os m&amp;oacute;dulos que voc&amp;ecirc; mesmo produziu&amp;rdquo;, ele detalha. &amp;ldquo;Clara Crocodilo&amp;rdquo; foi apresentada em p&amp;uacute;blico pela primeira vez em mar&amp;ccedil;o de 1973, no show coletivo Na Boca do Bode, que reuniu diversos compositores jovens de Londrina. A essa altura, Arrigo havia colocado letra na m&amp;uacute;sica, que inicialmente era instrumental. O personagem Clara Crocodilo j&amp;aacute; aparecia como um fora-da-lei que n&amp;atilde;o se curva ao poder e por isso tem que &amp;ldquo;fugir, escapulir&amp;rdquo;. Havia ali um evidente elogio &amp;agrave; figura do marginal &amp;ndash; o que, no contexto da ditadura militar e, especialmente, dos anos de chumbo do governo M&amp;eacute;dici, significava muito mais um ato de resist&amp;ecirc;ncia do que uma apologia ao crime. &amp;ldquo;Ele tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; sexualmente um marginal, tem uma ambiguidade sexual. Esse tipo de transgress&amp;atilde;o era elogiado como modelo de liberdade&amp;rdquo;, explica Arrigo. O nome do personagem, al&amp;eacute;m de misturar masculino e feminino, trabalha com as oposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es entre luz (Clara) e escurid&amp;atilde;o (Crocodilo, animal que vive nos p&amp;acirc;ntanos) e entre a sonoridade das s&amp;iacute;labas &amp;ldquo;cla&amp;rdquo; e &amp;ldquo;cro&amp;rdquo;.&amp;nbsp; &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;A banda que apresentou &amp;ldquo;Clara Crocodilo&amp;rdquo; no Na Boca do Bode era formada por Arrigo no piano, Mario L&amp;uacute;cio no teclado, Paulo Barnab&amp;eacute; na bateria, Antonio Carlos Tonelli no baixo e Paulo C&amp;ocirc;rtes, irm&amp;atilde;o de Mario, nos vocais. Durante um ensaio, o compositor Valter Guimar&amp;atilde;es, um dos organizadores do evento, gritou que estava tudo errado. Eles ficaram espantados, j&amp;aacute; que parecia que daquela vez o grupo finalmente havia conseguido acertar. Para tirar a prova, um dos integrantes foi para o fundo do teatro ouvir o que os outros tocavam. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Na verdade, a m&amp;uacute;sica estava sendo executada perfeitamente, s&amp;oacute; que era t&amp;atilde;o estranha e propositalmente desencontrada que, para ouvidos pouco acostumados, parecia simplesmente um grande equ&amp;iacute;voco. &lt;br /&gt;Em 1977, em um outro show coletivo chamado Invas&amp;atilde;o, &amp;ldquo;Clara Crocodilo&amp;rdquo; foi apresentada pela primeira vez com uma narra&amp;ccedil;&amp;atilde;o no in&amp;iacute;cio. Imitando um rep&amp;oacute;rter policial de programa de r&amp;aacute;dio sensacionalista, Arrigo alertava os ouvintes sobre &amp;ldquo;o perigoso marginal, o delinquente, o fac&amp;iacute;nora, o inimigo p&amp;uacute;blico n&amp;uacute;mero 1&amp;rdquo;. Alguns anos depois, ele comp&amp;ocirc;s &amp;ldquo;Office Boy&amp;rdquo;, na qual o personagem Clara Crocodilo &amp;eacute; apresentado como um terr&amp;iacute;vel monstro mutante criado em laborat&amp;oacute;rio. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Essa hist&amp;oacute;ria ao mesmo tempo bizarra, sinistra e engra&amp;ccedil;ada foi inspirada em quadrinhos de fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica. Arrigo come&amp;ccedil;ou a se interessar por HQs por influ&amp;ecirc;ncia do quadrinista Luiz G&amp;ecirc;, colega de turma no cursinho e na FAU. &amp;ldquo;Na &amp;eacute;poca, havia o underground americano e os quadrinhos europeus que fizeram a introdu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do er&amp;oacute;tico. Os quadrinhos antes dessa fase eram infanto-juvenis; nessa &amp;eacute;poca, estava indo pro mundo adulto&amp;rdquo;, explica Luiz G&amp;ecirc;. Al&amp;eacute;m desse material de vanguarda, ele apresentou a Arrigo os gibis da Marvel, que se tornaram uma fonte de inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o, principalmente &amp;ldquo;Homem-Aranha&amp;rdquo;. &amp;ldquo;O Lagarto, que &amp;eacute; o inimigo do Homem-Aranha, &amp;eacute; meio Clara Crocodilo. O pr&amp;oacute;prio her&amp;oacute;i &amp;eacute; meio Clara Crocodilo, porque &amp;eacute; picado por uma aranha radioativa e assim se transforma no Homem-Aranha&amp;rdquo;, revela Arrigo. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&amp;lt;font&gt;Enquanto Schoenberg utilizava o atonalismo como continuidade hist&amp;oacute;rica e liberta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do sistema tonal, Arrigo Barnab&amp;eacute; o faz como forma de confronto com a tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. No entanto, sua m&amp;uacute;sica soa bem menos estranha do que a do mestre alem&amp;atilde;o. Isso acontece porque Arrigo inseriu o dodecafonismo dentro da estrutura da can&amp;ccedil;&amp;atilde;o: as faixas de Clara Crocodilo possuem estrofes, ponte e refr&amp;atilde;o. Elas tamb&amp;eacute;m trabalham com repeti&amp;ccedil;&amp;atilde;o de frases musicais &amp;ndash; assim, mesmo melodias &amp;ldquo;tortas&amp;rdquo;, tornam-se familiares aos ouvidos. O resultado dessa uni&amp;atilde;o de opostos &amp;eacute; uma m&amp;uacute;sica atonal que pode ser assobiada&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Can&amp;ccedil;&amp;atilde;o dodecaf&amp;ocirc;nica&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de sua linguagem musical, Arrigo Barnab&amp;eacute; sofreu influ&amp;ecirc;ncia direta da m&amp;uacute;sica erudita do s&amp;eacute;culo XX e, principalmente, do compositor alem&amp;atilde;o Arnold Schoenberg, criador do dodecafonismo. Para entender esse conceito &amp;eacute; preciso uma r&amp;aacute;pida explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre a m&amp;uacute;sica ocidental. Como esclarece Julio Medaglia no livro &amp;ldquo;M&amp;uacute;sica Impopular&amp;rdquo;, da Gr&amp;eacute;cia Antiga at&amp;eacute; o fim da Idade M&amp;eacute;dia, o ouvido dos ocidentais se habituou a ouvir melodias; do fim da Idade M&amp;eacute;dia em diante, tamb&amp;eacute;m se acostumou a acordes e harmonias. &amp;Eacute; do relacionamento entre melodias e harmonias que surgiu o sistema tonal, no qual uma certa nota (tom) &amp;eacute; &amp;ldquo;um p&amp;oacute;lo imantado de onde partia e aonde chegava a composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo;. Quando se diz que uma m&amp;uacute;sica est&amp;aacute; em D&amp;oacute; maior, por exemplo, quer dizer que a nota principal, o centro da m&amp;uacute;sica &amp;eacute; D&amp;oacute;. A tonalidade atingiu o aprimoramento absoluto com Bach e o m&amp;aacute;ximo de dilata&amp;ccedil;&amp;atilde;o com Wagner, entrando no s&amp;eacute;culo XX em profunda crise. Como n&amp;atilde;o havia mais possibilidades a serem exploradas dentro desse sistema, Schoenberg tomou para si a ingrata tarefa de implodi-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/M0byNbVbC_U?fs=1&amp;amp;amp;hl=en_US&quot; height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Na d&amp;eacute;cada de 1910, ele j&amp;aacute; criava pe&amp;ccedil;as atonais, como a famosa &amp;ldquo;Pierrot Lunaire&amp;rdquo;. Mas foi somente na primeira metade dos anos 1920 que desenvolveu um m&amp;eacute;todo organizado de composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o atonal, chamado de dodecafonismo ou serialismo. Nesse m&amp;eacute;todo, as doze notas da escala crom&amp;aacute;tica (no piano, as 12 teclas brancas e pretas no espa&amp;ccedil;o de uma oitava) t&amp;ecirc;m a mesma import&amp;acirc;ncia, fazendo com que a m&amp;uacute;sica deixe de ter um centro tonal. Desaparecem os conceitos de tens&amp;atilde;o e repouso, conson&amp;acirc;ncia e disson&amp;acirc;ncia, e o movimento harm&amp;ocirc;nico e mel&amp;oacute;dico &amp;eacute; completamente imprevis&amp;iacute;vel. Para o ouvinte ocidental, adestrado por s&amp;eacute;culos de m&amp;uacute;sica tonal, &amp;eacute; como se a lei da gravidade fosse revogada.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Nos anos 70, Arrigo aprendeu essas t&amp;eacute;cnicas de composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o em um livro de bolso em espanhol chamado &amp;ldquo;Que Es el Dodecafonismo&amp;rdquo;, presente da ent&amp;atilde;o namorada Cristina Santeiro. &amp;ldquo;Infort&amp;uacute;nio&amp;rdquo; e &amp;ldquo;Divers&amp;otilde;es Eletr&amp;ocirc;nicas&amp;rdquo;, que causaram pol&amp;ecirc;mica no Festival da TV Cultura, foram compostas utilizando essas t&amp;eacute;cnicas, mas nenhuma delas segue inteiramente o m&amp;eacute;todo elaborado por Schoenberg. Em &amp;ldquo;Infort&amp;uacute;nio&amp;rdquo;, a primeira parte &amp;eacute; serial, mas a segunda &amp;eacute; tonal. Em &amp;ldquo;Divers&amp;otilde;es Eletr&amp;ocirc;nicas&amp;rdquo;, o baixo e o piano tocam uma s&amp;eacute;rie de doze notas, enquanto o vocal segue uma melodia ora livre, ora serial. Dentre as composi&amp;ccedil;&amp;otilde;es que foram para o disco de estreia de Arrigo, a que se vale do m&amp;eacute;todo dodecaf&amp;ocirc;nico de maneira mais rigorosa &amp;eacute; &amp;ldquo;Orgasmo Total&amp;rdquo;, mas mesmo esta acaba apelando para a tonalidade no final. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O pesquisador Andr&amp;eacute; Cavazotti, autor de um estudo sobre o uso do serialismo e do atonalismo livre no disco &amp;ldquo;Clara Crocodilo&amp;rdquo;, defende a ideia de que, enquanto Schoenberg utilizava o atonalismo como continuidade hist&amp;oacute;rica e liberta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do sistema tonal, Arrigo Barnab&amp;eacute; o faz como forma de confronto com a tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. No entanto, sua m&amp;uacute;sica soa bem menos estranha do que a do mestre alem&amp;atilde;o. Isso acontece porque Arrigo inseriu o dodecafonismo dentro da estrutura da can&amp;ccedil;&amp;atilde;o: as faixas de &amp;ldquo;Clara Crocodilo&amp;rdquo; possuem estrofes, ponte e refr&amp;atilde;o. Elas tamb&amp;eacute;m trabalham com repeti&amp;ccedil;&amp;atilde;o de frases musicais &amp;ndash; assim, mesmo melodias &amp;ldquo;tortas&amp;rdquo;, tornam-se familiares aos ouvidos. O resultado dessa uni&amp;atilde;o de opostos &amp;eacute; uma m&amp;uacute;sica atonal que pode ser assobiada. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;ldquo;O Lagarto, que &amp;eacute; o inimigo do Homem-Aranha, &amp;eacute; meio Clara Crocodilo. O pr&amp;oacute;prio her&amp;oacute;i &amp;eacute; meio Clara Crocodilo, porque &amp;eacute; picado por uma aranha radioativa e assim se transforma no Homem-Aranha&amp;rdquo;&amp;lt;/font&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt; &amp;lt;/font&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Olho de r&amp;eacute;ptil&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ap&amp;oacute;s a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos festivais em 1979, Arrigo ficou conhecido e foi elogiado por artistas como Caetano Veloso, Elis Regina e Paulinho da Viola. Um amigo de inf&amp;acirc;ncia chamado Robinson Borba veio para S&amp;atilde;o Paulo e passou a empresari&amp;aacute;-lo. Arrigo e seu grupo, batizado como Sabor de Veneno, ensaiavam nos fundos da casa onde Robinson morava com a esposa e os filhos pequenos.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;J&amp;aacute; em meados dos anos 1970, Robinson, que tamb&amp;eacute;m era compositor, percebeu que o tipo de m&amp;uacute;sica que ele, Arrigo e outros jovens de Londrina faziam n&amp;atilde;o teria espa&amp;ccedil;o nas gravadoras. Arquitetou ent&amp;atilde;o um plano: ap&amp;oacute;s se formar em engenharia, no fim de 1974, passaria cinco anos trabalhando como engenheiro em Londrina e, com o dinheiro do trabalho, viria para S&amp;atilde;o Paulo investir em m&amp;uacute;sica. Sua ideia original era fazer um disco coletivo com os compositores jovens de Londrina &amp;ndash; Arrigo, Paulo Barnab&amp;eacute;, Itamar Assump&amp;ccedil;&amp;atilde;o, Antonio Carlos Tonelli e ele pr&amp;oacute;prio. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Arrigo Barnab&amp;eacute; discordava do amigo. Para ele, o p&amp;uacute;blico iria exigir que as gravadoras dessem espa&amp;ccedil;o a essa m&amp;uacute;sica nova. E, de fato, ele foi procurado pelo produtor Marcos Maynard, da Polygram. Por&amp;eacute;m, apesar do interesse em lan&amp;ccedil;ar Arrigo, o produtor se disp&amp;ocirc;s a pagar somente cinco m&amp;uacute;sicos. Depois desse aceno inicial, as gravadoras deixaram de procur&amp;aacute;-lo. Os shows, no entanto, estavam cada vez mais lotados. Ap&amp;oacute;s uma entrevista ao rep&amp;oacute;rter Dirceu Soares, da Folha de S. Paulo, Arrigo come&amp;ccedil;ou a aparecer na m&amp;iacute;dia impressa. Foi quando resolveu deixar de perder tempo e fazer um disco sem gravadora, inspirado no sucesso estrondoso do disco independente lan&amp;ccedil;ado em 79 pelo quarteto vocal Boca Livre, que em apenas um ano vendeu mais de 100 mil c&amp;oacute;pias. &lt;br /&gt;O LP de estreia de Arrigo, &amp;ldquo;Clara Crocodilo&amp;rdquo;, foi inteiramente financiado por Robinson Borba. Na casa onde vivia com a fam&amp;iacute;lia, ele improvisou o escrit&amp;oacute;rio da firma de um homem s&amp;oacute; que criou para administrar as muitas cifras e os n&amp;uacute;meros envolvidos na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um disco. A microempresa chegou a contar com tr&amp;ecirc;s funcion&amp;aacute;rios, al&amp;eacute;m do pr&amp;oacute;prio Robinson e de sua esposa, Cristina Borba. &amp;ldquo;A autonomia da arte &amp;eacute; fundamental para que surjam novas ideias, e acho que o &amp;ldquo;Clara Crocodilo&amp;rdquo; &amp;eacute; um exemplo disso: mostrou autonomia do mercado e do Estado, uma independ&amp;ecirc;ncia na proposta est&amp;eacute;tica e na proposta de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo;, afirma Robinson. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/kAxE1HPp6ac?fs=1&amp;amp;amp;hl=en_US&quot; height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Mas trabalhar &amp;agrave; margem do grande capital exigia uma boa dose de criatividade. As t&amp;aacute;ticas de divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o do disco inclu&amp;iacute;am colar adesivos em banheiros de bar, distribuir filipetas e pichar muros: &amp;ldquo;Mas eram sempre picha&amp;ccedil;&amp;otilde;es bonitas, da capa do disco, do Arrigo de perfil&amp;rdquo;, garante Robinson. A parte gr&amp;aacute;fica do &amp;aacute;lbum foi um trabalho incr&amp;iacute;vel, feito por Luiz G&amp;ecirc;. Na capa, um imenso olho de r&amp;eacute;ptil &amp;eacute; emoldurado pelas palavras Clara Crocodilo, escritas com letras que parecem feitas de sangue. Esse mesmo olho foi impresso no r&amp;oacute;tulo do disco, criando uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre a capa e o objeto. Tudo isso tamb&amp;eacute;m foi feito com recursos limitados, realidade &amp;agrave; qual o quadrinista j&amp;aacute; estava acostumado. &amp;ldquo;Era uma coisa instigante: estar tolhido graficamente, mas pegar os elementos que eu tinha e criar coisas diferentes com eles&amp;rdquo;, conta G&amp;ecirc;. &amp;ldquo;E isso tinha a ver com essa proposta alternativa que o disco representava.&amp;rdquo;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;ldquo;O Lagarto, que &amp;eacute; o inimigo do Homem-Aranha, &amp;eacute; meio Clara Crocodilo. O pr&amp;oacute;prio her&amp;oacute;i &amp;eacute; meio Clara Crocodilo, porque &amp;eacute; picado por uma aranha radioativa e assim se transforma no Homem-Aranha&amp;rdquo;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eterno retorno&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;ldquo;Clara Crocodilo&amp;rdquo; foi lan&amp;ccedil;ado no dia 15 de novembro de 1980, em um show com lota&amp;ccedil;&amp;atilde;o completa no Audit&amp;oacute;rio da FAU. Era a s&amp;iacute;ntese da linguagem que Arrigo vinha desenvolvendo h&amp;aacute; quase dez anos, desde o dia em que sentou ao piano com Mario L&amp;uacute;cio C&amp;ocirc;rtes para compor uma m&amp;uacute;sica diferente. Um trabalho transgressor tanto na parte musical (por incorporar m&amp;uacute;sica erudita contempor&amp;acirc;nea &amp;agrave; can&amp;ccedil;&amp;atilde;o) como na tem&amp;aacute;tica: monstros mutantes, prostitutas, b&amp;ecirc;bados, vi&amp;uacute;vas desesperadas e uma esp&amp;eacute;cie de Garota de Ipanema que, em vez do &amp;ldquo;doce balan&amp;ccedil;o a caminho do mar&amp;rdquo;, oferece o &amp;ldquo;gosto amargo do futuro&amp;rdquo; (&amp;ldquo;Sabor de Veneno&amp;rdquo;).&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Com esse &amp;aacute;lbum, Arrigo abriu um novo caminho na MPB. O problema &amp;eacute; que, depois dele, ningu&amp;eacute;m mais ousou criar em um n&amp;iacute;vel de radicalismo t&amp;atilde;o grande. &amp;ldquo;&amp;Eacute; um neg&amp;oacute;cio inacredit&amp;aacute;vel, porque &amp;eacute; m&amp;uacute;sica erudita que virou sucesso por ser tocada com guitarra, baixo, bateria&amp;rdquo;, Arrigo comenta, admirado. Ele mesmo, apesar de ter lan&amp;ccedil;ado outros trabalhos depois de &amp;ldquo;Clara&amp;rdquo;, est&amp;aacute; sempre voltando ao material do &amp;aacute;lbum. Com arranjos diferentes, o repert&amp;oacute;rio j&amp;aacute; foi regravado tr&amp;ecirc;s vezes: nos discos ao vivo &amp;ldquo;A Saga de Clara Crocodilo e Ao Vivo em Porto&amp;rdquo; (com o pianista Paulo Braga) e no DVD com a Orquestra a Base de Sopros de Curitiba, que deve ser lan&amp;ccedil;ado em 2011. Al&amp;eacute;m disso, desde 2004, Arrigo faz shows espor&amp;aacute;dicos com repert&amp;oacute;rio exclusivo do disco.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O t&amp;atilde;o almejado salto na linha evolutiva da MPB foi atingido, mas parece que o mutante &amp;ldquo;Clara Crocodilo&amp;rdquo; se mant&amp;eacute;m, ainda hoje, como o &amp;uacute;nico representante de sua esp&amp;eacute;cie. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt; Um trabalho transgressor tanto na parte musical como na tem&amp;aacute;tica: monstros mutantes, prostitutas, b&amp;ecirc;bados, vi&amp;uacute;vas desesperadas e uma esp&amp;eacute;cie de Garota de Ipanema que, em vez do &amp;ldquo;doce balan&amp;ccedil;o a caminho do mar&amp;rdquo;, oferece o &amp;ldquo;gosto amargo do futuro&amp;rdquo;&amp;lt;/font&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &amp;lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saiba mais: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.arrigobarnabe.com.br&quot;&gt;www.arrigobarnabe.com.br&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/arrigobarnabe&quot;&gt;myspace.com/arrigobarnabe &lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2010-08-19T17:51:00Z</published>
    <updated>2010-08-19T18:54:43Z</updated>
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    <title>Coquetel Molotov Traz Dinosaur Jr. Ao Brasil</title>
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            &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Depois de muito disse-que-me-disse nas redes sociais, a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do festival pernambucano Coquetel Molotov&lt;br /&gt;confirmou no come&amp;ccedil;o da tarde de hoje: o Dinosaur Jr. vem mesmo ao Brasil este ano. O trio, um dos grupos seminais do indie rock estadunidense, far&amp;aacute; quatro shows, todos em setembro: 25 em Recife e 26 em Salvador (ambos dentro da programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Coquetel),&amp;nbsp; 28 e 29 em S&amp;atilde;o Paulo, no Comit&amp;ecirc;. Ser&amp;aacute; a primeira vez que o grupo liderado pelo indefect&amp;iacute;vel J. Mascis (o sobrenome se pronuncia &amp;quot;M&amp;eacute;squis&amp;quot;) se apresentar&amp;aacute; no pa&amp;iacute;s. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al&amp;eacute;m do Dinosaur, o lineup do Coquetel tem atra&amp;ccedil;&amp;otilde;es como Emicida, Otto, Soko (Fran&amp;ccedil;a) e as suecas Taxi Taxi!, Anna Von Hausswoff e Taken By Trees. Depois de apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es em REcife e Salvador, os n&amp;oacute;rdicos seguem viagem para a tradicional turn&amp;ecirc; &amp;quot;Invas&amp;atilde;o Sueca&amp;quot;, realizada h&amp;aacute; alguns anos pelo Coquetel Molotov. A tour passar&amp;aacute; por Fortaleza (26) e S&amp;atilde;o Paulo, no SESC Pompeia (24 e 30). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O site do festival listar&amp;aacute; novas informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es (como o pre&amp;ccedil;o dos ingressos) em breve. Fique ligado: &amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.coquetelmolotov.com.br/&quot;&gt;www.coquetelmolotov.com.br&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;338&quot; width=&quot;541&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/TgTJtdn6VjM?fs=1&amp;amp;amp;hl=pt_BR&quot; height=&quot;338&quot; width=&quot;541&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;338&quot; width=&quot;541&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/OQ2FS53ySgU?fs=1&amp;amp;amp;hl=pt_BR&quot; height=&quot;338&quot; width=&quot;541&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Mateus Potumati em 19/08/2010 &lt;/p&gt;
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    <published>2010-08-17T15:20:00Z</published>
    <updated>2010-08-18T15:10:43Z</updated>
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    <title>+Espa&#231;o Soma: Happy Hour Staff Convida Fernando Martins na Sexta e Show com Criolo Doido Neste S&#225;bado</title>
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            &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Noite de rock no happy hour do Espa&amp;ccedil;o +Soma desta sexta, 20. O fot&amp;oacute;grafo da revista +Soma, Fernando Ferreira Martins, &amp;eacute; o convidado para discotecar as p&amp;eacute;rolas musicais que guarda em seu Ipod. Fernando cresceu imerso no rock e vai passear por v&amp;aacute;rias vertentes do estilo. Espere ouvir bandas como Spaceman 3, Olivia Tremor Control, Beat Happening e Autechre. Junto ao happy hour vai rolar o lan&amp;ccedil;amento do livro &amp;quot;12 Caras em 4 Partes&amp;quot; da editora Caderno Listrado. A compila&amp;ccedil;&amp;atilde;o tem a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de nomes&amp;nbsp; como Louren&amp;ccedil;o Mutarelli, Fernando Chamarelli e Jorge Galv&amp;atilde;o. S&amp;atilde;o apenas 200 exemplares numerados, encadernados artesanalmente e&amp;nbsp; impressos em serigrafia, composto por uma imagem in&amp;eacute;dita de cada convidado, al&amp;eacute;m de dois textos que discutem o suporte &amp;ldquo;publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; e a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que os artistas t&amp;ecirc;m com ele.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Data: 20.08.10 &amp;ndash; Sexta&lt;br /&gt;Hor&amp;aacute;rio: 20h&lt;br /&gt;Entrada . S&amp;oacute; chegar! &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Conhecido por ser o fundador da Rinha dos MCs em S&amp;atilde;o Paulo, o habilidoso &amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://tinyurl.com/2eut5dt&quot;&gt;MC Criolo Doido&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt; trilha seu caminho pelo hip-hop h&amp;aacute; mais de 20 anos. Criador de um rap bate-cabe&amp;ccedil;a carregado de influ&amp;ecirc;ncias musicais diversas como samba, MPB, reggae e at&amp;eacute; m&amp;uacute;sica francesa, ele escreve letras com muito senso de humor. O m&amp;uacute;sico j&amp;aacute; trabalhou com grandes nomes do rap nacional, como SNJ, Rappin Hood e DJ Dan Dan, e gente da MPB como Ney Matogrosso. Para comemorar seus vinte anos de carreira, ele lan&amp;ccedil;ou neste ano DVD &amp;ldquo;Criolo Doido Live in SP&amp;rdquo;, que foi gravado na Rinha dos MC&#39;s. Uma bela mostra de como ser&amp;aacute; en&amp;eacute;rgica a noite deste s&amp;aacute;bado,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Data: 21.08.10 &amp;ndash; S&amp;aacute;bado&lt;br /&gt;Hor&amp;aacute;rio: 20h&lt;br /&gt;Entrada . R$ 15 ou R$ 10 (lista)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Espa&amp;ccedil;o +Soma (Espa&amp;ccedil;o Cultural/Loja/Caf&amp;eacute;)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rua Fidalga 98 - Vila Madalena - S&amp;atilde;o Paulo - SP&lt;br /&gt;Informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es - info@maissoma.com / 11 3031.7945&lt;br /&gt;Ter&amp;ccedil;a a quinta-feira das 12h as 20h&lt;br /&gt;Sextas e s&amp;aacute;bados das 12h a 0h&lt;br /&gt;Aceitamos cart&amp;otilde;es da Redecard. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2010-08-16T18:05:00Z</published>
    <updated>2010-08-16T18:12:15Z</updated>
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    <title>+ENTREVISTA . Carla Barth, por Marina Mantovanini</title>
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            &lt;p&gt;(Entrevista publicada na +Soma 18/Jul-Ago 2010. Baixe &lt;a href=&quot;http://tinyurl.com/395pekm&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; ou descubra &lt;a href=&quot;http://bit.ly/cSCPE0&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; onde conseguir uma.)&amp;nbsp; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Entre o Sonho e a Realidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Marina Mantovanini . Foto Fernando Ferreira Martins&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte na&amp;iuml;f e pop s&amp;atilde;o as palavras-chave para entender o trabalho da porto-alegrense Carla Barth. Apesar de seus quadros n&amp;atilde;o se encaixarem categoricamente em nenhum dos dois estilos, a artista procura portas para criar uma conversa entre eles. Carla &amp;eacute; contempor&amp;acirc;nea justamente por conseguir, de maneira erudita, trazer refer&amp;ecirc;ncias do imagin&amp;aacute;rio folcl&amp;oacute;rico e popular da arte na&amp;iuml;f e mistur&amp;aacute;-las &amp;agrave;s influ&amp;ecirc;ncias de artistas oriundos do universo dos quadrinhos, como o ga&amp;uacute;cho Jaca. Carla &amp;eacute; uma compositora, cada pincelada sua cria cen&amp;aacute;rios on&amp;iacute;ricos e ricos em cores, e a coer&amp;ecirc;ncia em sua produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o pl&amp;aacute;stica faz com que ela j&amp;aacute; tenha um corpo de trabalho solidificado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como voc&amp;ecirc; se aproximou das artes pl&amp;aacute;sticas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai se formou em arte, e o forte dele era a serigrafia. A minha m&amp;atilde;e se formou em desenho no Instituto de Artes de Porto Alegre, mas tamb&amp;eacute;m fazia escultura, e foi quem me iniciou. Antes de a minha m&amp;atilde;e fazer artes, fez um curso de magist&amp;eacute;rio &amp;ndash; ela tinha um jeito de professora, me incentivava, me apresentava as t&amp;eacute;cnicas. Sempre fui estimulada, participava dos concurso de arte quando era crian&amp;ccedil;a, mas naquela &amp;eacute;poca ainda n&amp;atilde;o tinha base e conte&amp;uacute;do.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; sempre diz que cresceu no ateli&amp;ecirc; dos seus pais. Fale um pouco sobre essa experi&amp;ecirc;ncia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles alugavam um ateli&amp;ecirc; com mais dois artistas. Era uma casa muito grande, e eu passei a minha inf&amp;acirc;ncia l&amp;aacute;. Cada um tinha a sua sala e fazia um tipo de trabalho. Minha m&amp;atilde;e sempre me apresentava novas t&amp;eacute;cnicas: pintura, escultura, desenho, e eu ficava observando o trabalho de cada artista. Tinha o Cabral, que pintava a &amp;oacute;leo, era um artista bem conceituado em Porto Alegre. Mas, mesmo vivendo assim, meus pais n&amp;atilde;o queriam que eu fizesse arte como profiss&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por qu&amp;ecirc;?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles achavam que eu tinha que estudar direito ou arquitetura e fazer cursos com artistas bons. Mas como curso superior optei por turismo. Eu sabia que n&amp;atilde;o me encaixava, a&amp;iacute; estudei dois anos, tranquei e resolvi fazer alguns cursos de arte no Atelier Livre da Prefeitura, que eram muito bons. Estudei escultura, desenho de observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e fiz hist&amp;oacute;ria em quadrinhos no Museu de Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Porto Alegre. Aprendi luz e sombra, perspectiva, todas essas coisas me deram uma base. A&amp;iacute; resolvi voltar para o turismo, desencantada com a profiss&amp;atilde;o, mas foi l&amp;aacute; que eu despertei para as artes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi l&amp;aacute; que voc&amp;ecirc; conheceu o Guilherme Pilla, do Upgrade do Macaco?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Eu fiquei sabendo que na faculdade tinha um cara que desenhava e tinha um desenho muito forte, com uma pegada muito original, aut&amp;ecirc;ntico numa &amp;eacute;poca que ali ningu&amp;eacute;m fazia nada. Decidi que precisava conhec&amp;ecirc;-lo, ficamos amigos e eu conheci toda a galera do Upgrade. Eles se reuniam, faziam umas colagens, uns zines, criavam uma cena em Porto Alegre, e eu queria fazer parte. Eles me apresentaram outras refer&amp;ecirc;ncias, comecei a ler sobre terrorismo po&amp;eacute;tico, toda uma arte de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Foi a&amp;iacute; que eu despertei para o mundo, e que meu trabalho come&amp;ccedil;ou a ganhar corpo. O Guilherme me ensinou a colocar ideias no papel, ele tinha muita disciplina, e eu passei fazer arte o dia inteiro. Quando ficava cansada ele falava: &amp;ldquo;vai desenhar, tem que desenhar&amp;rdquo;. No come&amp;ccedil;o eu n&amp;atilde;o desenhava nada, mas com o tempo fui ganhando profundidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Al&amp;eacute;m do desenho, voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m fazia esculturas.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a fazer esculturas porque queria fazer coisas diferentes e porque n&amp;atilde;o dominava a t&amp;eacute;cnica da pintura. Comecei quase na mesma &amp;eacute;poca em que a surgiu toy art, mas o que eu fazia n&amp;atilde;o era toy art, e sim esculturas. Eu tinha muita refer&amp;ecirc;ncia japonesa, pesquisava na internet o que os japoneses estavam fazendo, gostava muito de quadrinhos e anima&amp;ccedil;&amp;atilde;o, esses personagens mitol&amp;oacute;gicos, e comecei a fazer as esculturas meio artesanais. A&amp;iacute; fiz uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o em 2005, na extinta Galeria Adesivo, criei uns totens de papel mach&amp;ecirc; e, depois dessa mostra, no ano seguinte, fiz uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o na Galeria Melissa. Foi a partir da&amp;iacute; que o meu trabalho come&amp;ccedil;ou a ganhar visibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando a pintura come&amp;ccedil;ou a rolar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Galeria Choque Cultural me abriu as portas desde que eu vim morar aqui, h&amp;aacute; dois anos. A primeira individual que apresentei na Choque eram telas feitas com canet&amp;atilde;o. S&amp;oacute; que com o tempo temos que melhorar a qualidade tanto t&amp;eacute;cnica quanto de material, e eu sei que o canet&amp;atilde;o desbota. Nesse per&amp;iacute;odo de profissionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, eu comecei a investir na tinta e nas telas, mas sem abandonar o desenho. De vez em quando eu ainda crio com nanquim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E a hist&amp;oacute;ria do automatismo ps&amp;iacute;quico no seu processo de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o Guilherme que me ensinou a criar no automatismo ps&amp;iacute;quico. A criatividade nasceu quando eu comecei a desenhar e trabalhar com o meu inconsciente e soltar a minha imagina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Era meio um estado de sonho, soltava as ideias livremente. Mas agora n&amp;atilde;o tenho usado muito essa pr&amp;aacute;tica, porque antes eu era uma desenhista, fazia canet&amp;atilde;o na tela, podia fazer no automatismo. Hoje para pintar eu tenho que pensar no que vou fazer, porque preciso contar uma hist&amp;oacute;ria, &amp;eacute; muito mais dif&amp;iacute;cil fazer algo mais insano. A tela &amp;eacute; um processo demorado pra mim. Penso mais na composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, crio uma hist&amp;oacute;ria. Hoje meu processo de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; mais estruturado. Ainda consigo dar uma desorganizada, mas estou feliz com o meu trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O tom surrealista do seu trabalho est&amp;aacute; ligado a esse inconsciente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, com certeza. S&amp;atilde;o duas coisas trabalhando: a s&amp;iacute;ntese do ac&amp;uacute;mulo de conhecimento, que vai criando seu banco de dados mental &amp;ndash; e eu consulto esse banco &amp;ndash;, e tamb&amp;eacute;m os meus sonhos, porque parte de mim est&amp;aacute; sempre sonhando, no mundo da imagina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Eu n&amp;atilde;o me desligo desse imagin&amp;aacute;rio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc; algo da arte dos seus pais nos seus quadros?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo. O desenho da minha m&amp;atilde;e, por exemplo, era muito figurativo, e eu tenho essa fixa&amp;ccedil;&amp;atilde;o no figurativo. J&amp;aacute; o do meu pai era totalmente arquitet&amp;ocirc;nico: usava fotos, as serigrafias eram ruas, edif&amp;iacute;cios, casas vazias, solit&amp;aacute;rias, com muitas texturas. Minha m&amp;atilde;e tamb&amp;eacute;m gostava muito de textura, e eram imagens um pouco surreais e bem ca&amp;oacute;ticas. Eu comecei fazendo desenhos assim. Acho que tem mais coisas da minha m&amp;atilde;e mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como voc&amp;ecirc; cria esses personagens antropom&amp;oacute;rficos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles v&amp;ecirc;m da s&amp;iacute;ntese do conhecimento e do meu imagin&amp;aacute;rio. Tudo &amp;eacute; influ&amp;ecirc;ncia, tudo &amp;eacute; leitura. Quando come&amp;ccedil;o a ler, come&amp;ccedil;o a me conhecer e me aprofundar. Li muito Gustav Jung, Joseph Campbell, pessoas que conhecem o pensamento humano, o inconsciente coletivo, e fui me aprofundando no meu inconsciente e conhecendo esses personagens. Hoje em dia, por exemplo, o cineasta Alejandro Jodorowsky &amp;eacute; um dos caras de dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o de arte que eu mais admiro, ele faz um surrealismo m&amp;iacute;stico muito interessante. &amp;Eacute; mais ou menos essa linha que sigo no meu trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; tem usado menos cores em suas telas. Por que essa transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda em Porto Alegre, conheci uma outra galera mais nova. Comecei a frequentar a casa do Luciano Scherer, meu namorado h&amp;aacute; dois anos, com quem eu moro em S&amp;atilde;o Paulo, para desenhar junto com um pessoal &amp;ndash; Talita Hoffman, Herman, Luisa Ritter. A gente se reunia umas duas vezes por semana, e o Luciano era disciplinado e usava poucas cores nos quadros dele. Ele pira muito mais em uma arte cl&amp;aacute;ssica, g&amp;oacute;tica. Foi uma outra inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o pra mim, comecei pintar de outra maneira. Mudou tanto a composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o como o uso das cores. Antes eu n&amp;atilde;o tinha limites para a cor, hoje uso menos. Acho que fica mais harm&amp;ocirc;nico.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Seus quadros t&amp;ecirc;m tra&amp;ccedil;os fortes do folclore brasileiro, as texturas e cores bem caracter&amp;iacute;sticas da est&amp;eacute;tica na&amp;iuml;f, no estilo do Henri Rosseau.&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um guia sobre arte brasileira, e desde pequena meus pais me levavam em feiras de artesanato, compravam pe&amp;ccedil;as, valorizando a cultura nacional. Tenho muita refer&amp;ecirc;ncia, mas n&amp;atilde;o acho que vou fazer uma coisa parecida, &amp;eacute; outra pegada, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; no acabamento. Eu sou super brasileira, mas n&amp;atilde;o sou arte na&amp;iuml;f porque n&amp;atilde;o consigo ser t&amp;atilde;o crua, n&amp;atilde;o consigo fazer um p&amp;eacute; de tamanho desproporcional sem ser de prop&amp;oacute;sito, sem ter pensado nisso. Eu penso nas propor&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Mas, ao mesmo tempo, n&amp;atilde;o fa&amp;ccedil;o arte conceitual, sou muito mais neo na&amp;iuml;f. Acho que a arte, acima de tudo, tem que causar uma sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saiba mais:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/preza&quot;&gt;www.flickr.com/photos/preza&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/carlabarth&quot;&gt;myspace.com/carlabarth &lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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