(Entre (Outros) publicado na +Soma 19/Sep-Out 2010. Baixe aqui ou descubra aqui onde conseguir uma.)
Entre (Outros) conta com o apoio da Nike, que, assim como a Soma, nasceu da típica energia e paixão que motivam os jovens no mundo todo a correr atrás de seus sonhos. Um espaço democrático que celebra a arte, trazendo a cada edição novos artistas e ideias que inspiram.
Artistas:
Luda Lima
Estúdio Mopa
Kael Kasabian
Quer publicar o seu trabalho na revista e expor no nosso espaço? Mande um e-mail para entreoutros@maissoma.com com amostras da sua arte em baixa resolução e torça para ser selecionado!
(Ensaio publicado na +Soma 19/Sep-Out 2010. Baixe aqui ou descubra aqui onde conseguir uma.)
One Love
Texto por Marina Mantovanini Fotos por Fabio Bitão
Com uma história muito parecida com a do Brasil, a Jamaica também teve a sua população indígena dizimada, foi colonizada por um país europeu e a economia era baseada no trabalho de escravos africanos e na monocultura da cana-de-açúcar. Com a abolição da escravatura, levantou-se uma questão: o que fazer com os ex-escravos?
Sem solução, a capital Kingston passou a abrigar uma população que não tinha nenhuma opção de trabalho, e o empobrecimento crescente se reflete até hoje nas ruas e na arquitetura da cidade. Localizada na Costa Sudeste da ilha jamaicana, Kingston parece um labirinto formado por avenidas principais, estradas secundárias, ruelas e bairros praticamente fechados. As casas são construídas de uma maneira muito específica: telhas de metal ondulado, chão de terra batida e paredes sem reboco, fruto da falta de dinheiro que acomete a maioria dos jamaicanos.
Como uma grande favela, parte de Kingston tem uma estética crua - como se ainda vivesse nos anos 1970. A música reggae, marca registrada da ilha, cresceu em dois bairros, que são fundamentais para a formação artística da capital: o violento Trench Town e Red Hills Road. Nos anos 1960, Trench Town foi a base para a maior parte dos artistas, músicos e poetas. Hoje, eles vivem em Red Hills Road. Foi em Red Hills Road, aliás, que o fotógrafo Fabio Bitão ficou hospedado nos 12 dias que esteve em Kingston. Instalado na casa da jamaicana Lorna Beckford, Fabio teve a oportunidade de conhecer profundamente a história da música e dos preceitos que envolvem o Rastafári.
Durante sua passagem pela cidade, visitou Bobo Hills, uma comunidade rastafári ortodoxa, conheceu o lendário estúdio Tuff Gong, a Randy's, loja de discos mais tradicional do país, e assistiu a um dos maiores festivais de dancehall, o Rebel Salute Festival. Enquanto fazia o rolê, ele registrou todos os momentos e montou um ensaio para mostrar um pouco do que é a Jamaica: música, religião e história.
(Ensaio publicado na +Soma 19/Sep-Out 2010. Baixe aqui ou descubra aqui onde conseguir uma.)
Ensaio de Fernando Schmitt
Cada vez mais a arte retrata as pequenas coisas da vida, sugerindo novos significados e novas leituras para o nosso cotidiano. Dinheiros seduz por sua simplicidade ilusória, um olhar astuto do fotógrafo sobre pequenos detalhes que geralmente passam despercebidos por olhos menos inquietos.
Neste ensaio, ao se apropriar dos rostos dos ilustres personagens históricos impressos no nosso dinheiro, Fernando Schmitt desarticula a noção clássica de portrait existente no universo da fotografia. O artista transfigura os personagens num jogo ótico que combina foco crítico e angulações improváveis. As cédulas, aparentemente objetos banalizados pela alta circulação e pelo manuseio diário, são reordenadas digitalmente através de uma fotografia de autor, extrapolando o mero exercício plástico formal e provocando uma reflexão sobre o dinheiro como símbolo.
Fernando cria portraits diegéticos, carregados de uma alucinação verdadeira: “Meus modelos estão cristalizados como imagem impressa, mas a interferência fotográfica, fundada em um processo de apropriação e reconfiguração, faz com que eles abandonem seu caráter funcional e absorvam um sentido ficcional, como autores que incorporam um personagem”, ele explica.
Dinheiros foi exposto este ano durante o IV FestfotoPoa (Festival de fotografia de Porto Alegre), com curadoria de Jacqueline Joner, com uma montagem que interrogava as noções de escala por intermédio de enormes cópias. Estas imagens constituem um recorte de uma série maior, desenvolvida pelo fotógrafo desde 2007, batizada como Ready Model, numa referência explícita a Duchamp, cujo trabalho, ao ressemantizar objetos banais, encontra ressonância nas imagens produzidas por Fernando.
Edu Monteiro, Fotonauta