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Tue: 08-02-11

tUnE-yArDs . W H O K I L L . 4AD . 2011

 

Não é todo dia que uma one-woman band resolve começar sua carreira instalando no laptop de casa um programa de edição de som, gravando no improviso e conseguindo como resultado um trabalho tão irresistível quanto BiRd-BrAiNs (2009). Mas nada parece ser muito fácil na carreira de Merril Garbus, americana de 32 anos que transforma a própria voz em instrumento e consegue soar como diva pop e um misto de PJ Harvey com Amber Coffman.

Percussão torta, linhas melódicas de DNA africano e a estranheza lindamente fora de esquadro são os elementos básicos da banda da garota, o tUnE-yArDs. Neste segundo álbum, é fácil perceber que a intenção de Garbus é incluir, sem deixar ninguém à margem de seu som. Ao mesmo tempo em que as músicas são intricadas, e por vezes as batidas quebradas dificultam a identificação imediata de quem ouve, é muito fácil perceber que existe uma preocupação em conciliar riqueza instrumental e espírito pop.

Em uma entrevista recente, a artista afirmou que, quando adolescente, gostava de passar o dia fuçando a programação de uma rádio pop de Nova York, atrás de one-hit Wonders, Michael Jackson e Cindy Lauper. A preocupação de W H O K I L L S é agregar experimentalismo a essa vontade de tocar na FM. Na incrível “Gangsta”, a impressão é a de uma música que traz algo da alegria sincopada de Merriweather Post Pavillion, do Animal Collective, aliada a influências art rock e ritmos globais do Vampire Weekend.

Entre as experimentações vocais à Dirty Projectors em “Bizness” e a melancolia minimalista de “Wolly Wolly Gong”, o tUnE-yArDs  inclui na mesma pista nerds noise, patricinhas e piriguetes.

Por Stefanie Gaspar