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Mon: 08-01-11

Bon Iver . Bon Iver . Jagjaguwar . 2011



Pouca gente se surpreendeu quando Justin Vernon, o front man barbudo do Bon Iver, anunciou que a banda faria uma pausa por tempo indeterminado no segundo semestre de 2009. Seus trabalhos iniciais, o disco de estreia For Emma, Forever Ago e o EP Blood Bank, eram álbuns sentimentais, gerados por um fim traumático de relacionamento que fez com que Vernon se isolasse numa cabana no meio do nada em Winsconsin para gravar. Para muitos, essas obras foram consideradas com justiça o Blood on the Tracks ou o Rumors desta geração, com sua atmosfera de desolação ecoando no falsete melancólico do vocalista. Porém, com uma obra baseada em um evento tão concreto, era uma forçação de barra imaginar que o Bon Iver desse voz a qualquer coisa que não fosse o melodrama que originou sua criação.

Três anos e meio depois, Vernon decidiu retomar sua antiga banda para emergir de sua hibernação autoimposta. Com um nome que em francês significa Bom Inverno, não deixa de ser uma ironia que Bon Iver esteja sendo lançado em pleno verão do Hemisfério Norte. Suas faixas, no entanto, apresentam um clima mais relaxado, um afastamento da depressão ensimesmada de Forever Ago. Em vez disso, o álbum tem um quê de Sufjan Stevens, com cada música rendendo uma homenagem a um local geográfico específico. “Minnesota, WI” flutua por ondas preguiçosas ao som do saxofone, uma cortesia de Colin Stetson, do Arcade Fire, enquanto “Wash” passeia suavemente sobre um delicado riff de piano. Apesar de não soar como os estilhaços de um milhão de corações partidos, Bon Iver é um registro cartográfico de canções melancólicas e belíssimas, que vão dar uma boa lubrificada nos seus canais lacrimais.

Por Sean Edgar