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Thu: 06-30-11

PJ Harvey . Let England Shake . Island . 2011


Polly Jean Harvey é uma da poucas roqueiras que consegue se reinventar sem fazer com que sua obra perca sentido. Desde o primeiro álbum, "Dry", em que predominavam as guitarras cruas e letras autobiográficas, passando por "Stories From The City, Stories From The Sea", em que flertou com a música pop, ao penúltimo disco "White Chalk", em que encostou as guitarras e assumiu o piano, PJ vem mostrando novas facetas criativas.

Em "Let England Shake", ela manteve a trajetória com um disco que equilibra as experimentações dos últimos álbuns e a simplicidade dos primeiros. Além disso, ousou temperar as músicas com vocalizações (quase) eruditas, desafiando a sua voz em todos os momentos e dividindo as gravações entre uma igreja do século XIX em Dorset e um estúdio ao vivo. As letras também seguem um novo caminho: temas concretos que questionam a política de guerras seguida pela Inglaterra ao longo dos séculos A faixa-título “Let England Shake” foi a escolhida para iniciar a atmosfera sombria do álbum.

A trinca “The Glorious Land”, “All and Everyone” e “In The Dark Places” potencializa a escuridão com arranjos pesados e fortes. Em “The Works that Maketh Murder”, ela narra as barbáries da guerra em um rock/folk menos obscuro, trazendo um respiro aos ouvintes. Outra canção que suaviza o peso do disco é “Written on the Forehead”, composta sobre samples do reggae “Blood and Fire”, do jamaicano Niney The Observer. Os agudos da artista em “On Battleship Hill” são instigantes, mas deixam a dúvida de como ela irá se sair ao vivo, mas talvez isso não tenha tanta importância diante da grandeza de Polly.

Por Marina Mantovanini