Full Banner Soma Topo
 
+REVIEWS


Thu: 06-02-11

J Mascis . Several Shades of Why . Sub Pop . 2011

Mais do que seu talento como instrumentista e compositor, o que sempre me surpreendeu em J Mascis, nos seus mais de 25 anos de carreira, é a completa disparidade entre o que ele é capaz de expressar em suas letras e seu abissal laconismo pessoal. É quase como se ele guardasse os sentimentos que nega revelar ao mundo – aí incluído seu círculo pessoal – para se expor exclusivamente em suas músicas. “Several Shades of Why”, primeiro disco que o artista assina como solo, leva isso a um novo limite.

Nas 10 faixas do disco, totalmente acústico a não ser por alguns efeitos fortuitos de guitarra, é como se Mascis defendesse ao mesmo tempo uma busca zen pelo seu direito ao silêncio (“I can’t speak my mind / I can’t even speak / I’m fine”, ele canta em “Very Nervous and Love”) e uma abertura completa com seu semelhante (“Can we be loved / Can we explain / Can we be all these things and hold the pain?”, em “Not Enough”). Trata-se de um disco triste e melancólico, como não poderia deixar de ser no caso de um autor em um dilema aparentemente insolúvel, mas construído com beleza comovente. É como se a transparência cegante de um Robert Smith se harmonizasse ao vigor de um Neil Young, em um equilíbrio dialético histórico.

Por força de seu talento exímio com o violão – enriquecido por uma escolha muito feliz de convidados, que inclui Kurt Vile, Ben Bridwell (Band of Horses) e a violinista Sophie Trudeau –, Mascis alcança mais nuances sonoras até do que um Elliott Smith, ainda que não chegue à profundidade lírica deste. Em um cenário com tantos novatos que já nascem com cara de velhos, é no mínimo inspirador ver um veterano ousar tanto e alcançar resultado tão bom.

Por Mateus Potumati