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Wed: 05-04-11

Burro Morto . Baptista Virou Máquina . Independente . 2011


Música instrumental com influências de afrobeat e rock psicodélico. Assim é possível definir o som deste segundo disco do Burro Morto, grupo formado em 2007 na Paraíba. Gravado em 2009 no estúdio da banda, foi contemplado com o edital Pixinguinha e vem sendo distribuído gratuitamente por seus próprios integrantes. Vem ainda acompanhado por um DVD com a história de Baptista, um trabalhador que há cinquenta anos desempenha a mesma função e parou de questionar as coisas, até que uma reviravolta muda a sua vida. Escutando o disco, é possível identificar essa guinada. Como em uma história, ele começa tímido, devagar, sem revelar o jogo logo de cara. Aos poucos, as músicas vão ganhando molho e, por consequência, o ouvinte. Talvez pelo descompromisso comercial, o quinteto conseguiu inovar no som, com referências à Nigéria de Fela Kuti e Tony Allen. O rock também está presente, na bateria dura, em colagens espertas e guitarras bem colocadas – em “Cataclisma”, os méritos das cordas ficam por conta de Fernando Catatau. E assim, do nome da banda à sonoridade do disco, o Burro Morto causa aquela estranheza inicial que dá mais sabor ao deleite posterior.

Por Marcos Diego Nogueira