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Thu: 05-26-11

The Weeknd . House of Balloons . Independente . 2011


Depois de dez anos de retração da gigantesca máquina de marketing das majors, a localização dos gêneros pop está mais forte do que nunca. Mais até que o rap, o R&B talvez seja o último exemplo de música pop global, presente nas rádios de Nova Déli, Seul, Oakland e Niterói. É essa qualidade ubíqua que parece atrair sensibilidades como a de Abel Tesfaye, cantor por trás do projeto canadense The Weeknd. A mixtape de estreia do artista, "House of Balloons", flerta com o lado mais melancólico do gênero em um clima de fim-de-festa confuso, dopado e até perigoso. As drogas são pesadas, o sexo é um exercício de estranhamento e poder, e a diversão acabou de se transformar em arrependimento – é a trilha sonora da sua manhã de ressaca moral. Com samples de Beach House e Siouxsie & The Banshees, andamento arrastado e letras como “traga o seu amor, baby, e eu posso trazer a minha vergonha/ traga as drogas, baby, e eu posso trazer a minha dor” (de “Wicked Games”), a mix é quase um trabalho de R&B gótico. Mas então vem “The Morning”, com uma guitarrinha safada de surfista californiano, e amanhecer na balada não parece uma má ideia.

Por Amauri Stamboroski Jr.