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Tue: 04-19-11

Fantasma da Velha América . Confira a entrevista com Joe Coleman

 

Joe Coleman . Fantasma da Velha América

Por Mateus Potumati

Pouca coisa em Joe Coleman atesta que ele é um homem dos dias de hoje. Seus valores, gostos, jeito de vestir e técnica artística remetem a alguém ora da Alemanha renascentista, ora da Itália medieval, ora da Nova York do século XIX – em especial do grupo político Tammany Hall, que temperava seus trajes elegantes com doses desmedidas de bandidagem. No passado, Coleman já se explodiu com fogos de artifício e comeu ratos vivos em performances públicas, releituras de shows de horrores medievais. Tem uma coleção particular de objetos perturbadores, o Odditorium, que inclui fetos humanos em formol, sarcófagos, bonecos sinistros de toda sorte e uma carta em que Charles Manson o define como “um homem das cavernas em uma nave espacial”.



Tudo isso faria de Coleman apenas um sujeito de gostos exóticos, não fosse seu talento assombroso para a pintura. Suas obras são narrativas visuais e textuais estonteantes, ricas em detalhes tão minuciosos que alguns só podem ser vistos com lentes de aumento. Em seus 54 anos de vida, Coleman já retratou pessoas tão diversas como George Grosz, o assassino serial Carl Panzram, Harry Houdini e Captain Beefheart, além de si mesmo. Pinta telas de 2x1 m com um pincel de cerda simples, o que chega a consumir seis dolorosos meses de trabalho (o processo causa dores fortes nas mãos, que Coleman, como um monge beneditino, considera essenciais para atingir o resultado desejado). Atualmente, o preço de uma obra sua pode chegar a mais de US$ 200 mil, o que as torna privilégio de um seletíssimo grupo que inclui gente como Jim Jarmusch, Johnny Depp e Iggy Pop. Jarmusch, aliás, participa do ótimo documentário Rest in Pieces, de 1997, sobre o artista. Coleman falou com a Soma por telefone, de sua casa em Nova York, por pouco mais de uma hora. Uma conversa pautada por um senso raro de erudição e pela franqueza dos que estudam a alma humana com obsessão.

Você disse uma vez que só pinta coisas que te incomodam, porque isso te ajuda a encontrar um sentido nelas. Já refletiu sobre os limites entre se sentir incomodado e atraído pelas visões perturbadoras das suas obras

Sim. Eu sempre penso que há um elemento de atração e repulsa nessas coisas. Também é um modo de superar essas visões: fazer amizade com elas, transformá-las. Elas se tornam algo que você consegue ver claramente, mas pelo qual também cria certa afeição. Acontece o mesmo com a minha coleção de objetos perturbadores. Ter esses objetos nas mãos me permite fazer amizade com eles e, assim, dominar seus aspectos perturbadores.

Pergunto isso porque certa vez você disse que, se não fosse artista, provavelmente seria um serial killer.

(Risos) Isso é parecido com o “Keep On Truckin’” do Crumb. Eu me arrependo um pouco dessa frase, foi algo que eu disse há muitos anos e fica sendo repetido...


“É mais importante aprender com os perdedores do que com os vencedores. Eles perderam todas as batalhas contra o mundo, e todos nós lutamos contra o mundo.”

 

Vou reformular então: você acredita que pintar serial killers e outros foras-da-lei tem algo a ensinar a um artista?

Claro, porque os perdedores não escrevem a História. Nos meus quadros, eu permito que eles tenham uma voz. Todas essas vozes merecem ser ouvidas, são importantes. É mais importante aprender com os perdedores do que com os vencedores. Eles perderam todas as batalhas contra o mundo, e todos nós lutamos contra o mundo. É importante para qualquer ser humano entender esse caminho e entender que todos podemos segui-lo a qualquer momento. E no final todos nós perdemos tudo, somos todos derrotados. Eles apenas perderam um tempo antes, e a voz deles deve ser ouvida.

Você fica imerso por meses nos seus quadros e personagens. Quando pinta alguém como Carl Panzram (serial killer estadunidense do começo do século XX), sente alguma idenfiticação maior, como uma síndrome de Estocolmo?

É por aí. Também é como o método do ator, porque, quando eu pinto uma pessoa, me torno um pouco dela. Descubro aspectos dela com os quais eu possa me identificar. A vontade de seguir em frente de qualquer forma, por exemplo, que qualquer ser humano tem. Pra encontrar a alma do personagem, tenho que olhar dentro de mim e acabo o incorporando à medida que dou vida a ele. A única diferença é que isso se dá por meio de pinceladas em vez de atuação.

Como construir um personagem, mesmo.

Exatamente. Não posso julgar, tenho que ser aberto ao que eles sentem, ao que acreditam. Deixá-los falar sem fazer nenhum julgamento moral ou ético.

 

“A sensação de arrebatamento é essencial para se ter uma experiência profunda, como com ayahuasca, peiote ou algo do tipo. É por isso que minhas pinturas têm muitos detalhes: para arrebatar o espectador. Quando uma pessoa está deslumbrada, ela se torna mais sensível.”

 

O filme Stendhal Syndrome, do Dario Argento, é baseado em uma doença psicossomática que faz as pessoas se sentirem parte de certas obras de arte, a ponto de terem alucinações ou desmaiar. Isso pode ser particularmente pertinente em relação ao seu trabalho, que tem muita narrativa e detalhes. Em que medida você considera necessário a um espectador se sentir parte de uma obra sua para apreciá-la?

Não conhecia essa síndrome até assistir ao filme, e só fui conhecer bem depois, quando a Asia [Argento, atriz e filha do cineasta] me mostrou. Mas pensei muito nisso depois e sei que algumas pessoas que veem meus quadros dizem passar por experiências parecidas. Não é necessariamente intencional, mas a sensação de arrebatamento é essencial para se ter uma experiência profunda, como com ayahuasca, peiote ou algo do tipo. É por isso que minhas pinturas têm muitos detalhes: para arrebatar o espectador. Quando uma pessoa está deslumbrada, ela se torna mais sensível. Além disso, em certo sentido, é preciso ser quase difícil de olhar. Assim, o espectador entra na imagem e tem uma experiência mais profunda. Meus originais proporcionam isso, as pessoas se perdem ali: começam lendo um pequeno texto, olham pra imagem da esquerda, da direita. Quanto mais você olha, mais elas te sugam. Nesse sentido, é [uma experiência parecida com] a síndrome de Stendhal.

Ainda não tive a oportunidade de ver um quadro seu pessoalmente (Coleman nunca expôs no Brasil), mas gosto muito do seu site. A experiência de visualização das pinturas é bem legal, são reproduções em tamanho grande. Sei que não dá pra ver tudo, porque você faz muitas coisas com lente de aumento, invisíveis a olho nu, mas dá pra ver muitos detalhes.

Com certeza não, mas existe uma tour em vídeo pelos quadros, que é uma experiência bem aproximada. Você já fez?

Fiz, sim. Seu site dá um sentido bem atual à frase do Charles Manson a seu respeito, de que você é um “homem das cavernas em uma nave espacial”. 

(Risos) É isso. O vídeo transporta o espectador pra bem perto das obras. Foi feito em formato de animação, com lente de aumento, micro planos. Com os originais é bem diferente, mas ali é possível ter uma sensação mais próxima da real.

Como as pessoas enxergam esses detalhes numa exposição? As galerias fornecem lentes de aumento?

Às vezes, mas muitas pessoas que já conhecem meu trabalho trazem suas próprias lentes. Fica a cargo do espectador, embora eu já tenha feito exposições em que havia lentes de aumento disponíveis. Também dá pra usar o que eu uso: lentes de joalheiro, que são mais práticas. Você pode levar uma e enxergar do mesmo modo que eu.




Li em um artigo sobre você que o sofrimento é inseparável do seu desejo de fazer arte. Você pinta em telas imensas, com acrílico, lente de aumento e pincéis de uma cerda só, e já disse que é um processo doloroso. O quanto a dor é importante para o resultado final?

Pelo menos pra mim, é fundamental. Tenho uma conexão com pintores religiosos, devido ao meu passado católico: Mathias Grünewald, Pieter Brugel, Hieronymus Bosch etc. É algo muito espiritual. Os manuscritos com iluminuras eram em sua maioria feitos por monges em monastérios. São as obras com as quais eu tenho mais ligação. A Paixão de Cristo é chamada de “paixão”, então há paixão…

No sofrimento.

Sim, no sofrimento. Acredito que, ao tentar transformar metais grosseiros em ouro, os alquimistas queriam transformar sofrimento em arte. Eu tento transformar emoções grosseiras numa espécie de beleza sombria.

Na arte cristã existe sempre essa dualidade entre agonia física e êxtase espiritual. Você já disse que considera a metáfora da comunhão uma das principais contribuições do cristianismo para o mundo, embora não seja cristão.

No nível do canibalismo, é fascinante. No canibalismo, se devora quem se ama ou respeita, jamais quem se despreza. Mesmo quando é um inimigo, tem que ser um inimigo que mereça respeito. É um ato muito passional, e para fazer meus quadros eu também devoro a pessoa que estou pintando, de certa forma. Em um ato de canibalismo, a pessoa que é devorada se incorpora ao ser que a devorou. É o mesmo com meus quadros: neles, eu devoro meu personagem, sua psique e sua alma. Levo tudo deles.

Você falou em Bosch e Bruegel, e já participou de exposições com obras deles. Como se sentiu ao se ver lado a lado com artistas que considera mestres?

Expus ao lado de Bosch e Bruegel no Bojimans Museum, na Holanda. Também expus com Memling em Nova York e com vários outros… Eles são chamados de primitivistas flamengos, mas o trabalho deles não é nada primitivo. Foi uma comparação interessante de fazer. [As exposições] estão disponíveis no meu site. A “Devotional Maternal”, na Dickinson Gallery (com Hans Memling), foi há três ou quatro anos. Eu me garanti, não fiz feio (risos). Me senti bem e orgulhoso de trazê-los comigo para os dias de hoje. E prefiro a companhia deles à dos artistas do [bairro descolado de Manhattan] Chelsea (risos).

Além dessa formação, você também tem bastante influência de quadrinhos, especialmente das coisas de terror da EC Comics dos anos 50.

Sim, eles foram uma grande influência quando eu era mais novo.

E você mantém uma conexão importante com esse mundo, publica seus livros pela Fantagraphics etc. Mas a maioria ainda vê os quadrinhos como uma forma menor de arte. Você já considerou a hipótese de que o seu trabalho poderia ajudar a mudar essa percepção?

Não tenho nenhuma missão, no sentido de convencer pessoas sobre o que elas devem encarar com mais ou menos seriedade. Mas gosto de quadrinhos, e eles foram importantes na minha vida, no meu desenvolvimento artístico. A ideia de narrativa sempre me cativou. Não faço mais quadrinhos, mas meus quadros são narrativas, o que tem conexão com quadrinhos, mas também com filmes e livros. A diferença é que, nos meus quadros, a narrativa aparece em sua totalidade, de uma vez, na frente do espectador. Em um quadrinho, você tem que virar a página para construir a história. Nas minhas pinturas, constroi tudo sozinho. Cada indivíduo tem um percurso diferente e único.

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Sua mulher, Whitney Ward, definiu você uma vez como “Parte Tammany Hall, parte Velho Oeste: um belo e onisciente fantasma da velha América”.

Exato, foi para uma matéria no The Wall Street Journal.

Foi uma bela definição.

Eu também achei, não poderia ser mais perfeita. (Risos)

Como é ser um fantasma da velha América na nova América?

Está mais difícil… Vários lugares maravilhosos em Nova York estão desaparecendo. É triste, porque muitas coisas do passado que eu valorizava estão sumindo, mas é a vida, é o que vai acontecer.

Você já pensou em se mudar do país? Crumb, que é fã do seu trabalho, se decepcionou com os EUA e foi para a França. Já teve o mesmo desejo?

Sim, já pensei em me mudar para a Europa e talvez o faça. Não tenho planos agora, mas gostei do tempo que passei em Berlim. Eu e Whitney já conversamos sobre morar lá, mas ainda não é nada concreto. Não me surpreendo ao ver a ascensão do fascismo em períodos como hoje, em que existe certa dose de liberdade e decadência. Aconteceu na Alemanha, na Roma Antiga. Essas coisas ocorrem de modo quase orgânico, e é possível identificar um padrão, embora as características não sejam sempre as mesmas. Dá para perceber que o padrão vai se repetir em um determinado momento, assim como sabemos que a água vai ferver a certa temperatura. Se você colocar alguns ratos em uma gaiola, eles ficarão bem, mas se lotar a gaiola eles vão se estraçalhar. É o que precisa acontecer no ponto em que estamos. É o modo como a natureza lida com isso, está no nosso DNA.

Algumas das revoltas recentes em países árabes são atribuídas em parte à baixa oferta de comida.

A comida também pode ser para o ego. Os poderosos têm gula. Nunca estão satisfeitos, querem cada vez mais poder, é um vício. A ganância é algo arrebatador. Assim como há gula por comida, há gula por poder.  

Mudando de assunto, li que nos anos 1990 havia uma lista de espera para comprar suas obras. Essa lista ainda existe?

Não, ela foi abolida. Os preços tiveram que ser reajustados para manter a demanda. Quem cuidava dessa lista era a Whitney. Eu sempre tentei me manter afastado e me preocupar somente com a pintura. Agora estou trabalhando com a Dickinson Gallery, e é a primeira vez que me sinto totalmente em casa. Eles expõem obras de todos os mestres e me deixam muito à vontade. A Whitney não precisa mais lidar com essas coisas, porque a galeria toma conta. Mas eu tento me manter afastado de qualquer forma. Prefiro não saber o que acontece por lá.

Suas obras são colecionadas por pessoas como Iggy Pop, Johnny Depp, Jim Jarmusch e Leonardo Di Caprio. Alguns deles se tornaram seus amigos. Você acredita que o modo como pinta e os assuntos que escolhe o torna mais próximo dos seus colecionadores do que a maioria dos artistas?

É o contrário: o modo como trabalho e os temas que escolho os trazem a mim. Não estava procurando por eles, eles que vieram até mim. Talvez tenham os mesmos interesses, identificaram um espírito semelhante e vieram até mim. E eles podem ser de diferentes classes sociais, não apenas celebridades.


“Não quero ser caracterizado como nada, nem como liberal, nem como artista marginal. Não gosto desse tipo de rótulos e não acredito neles. Sou minha carne e meu sangue e meus ossos. Vejo as coisas daqui e faço o melhor que posso com elas. Uso minhas experiências, minhas habilidades e o corpo com o qual nasci e o modo como fui educado… Essas são as cartas que tenho na mão, e tento jogar o melhor que posso com elas.”


Você se define como uma pessoa tribal, que não acredita em humanidade, em minorias ou outros valores do tipo. Acredita apenas nas pessoas da sua tribo. O que faz você e essas pessoas felizes?

Nos juntamos por razões que às vezes são estranhas, mas tenho uma família formada por pessoas que são importantes pra mim, que eu valorizo, defendo e de quem cuido. Não sou responsável pela humanidade, pela Igreja Católica, pelos Estados Unidos ou coisa do tipo. Só me importo realmente com a minha tribo, não posso ser responsável por nada além disso. Tenho uma conexão imediata com elas, e isso é mútuo. Qualquer coisa maior que isso é insensatez. Sou uma pessoa espiritual [e estou] seguindo o meu caminho. Não quero ser caracterizado como nada, nem como liberal, nem como um artista marginal. Não gosto desse tipo de rótulos e não acredito neles, como “anarquista”, “niilista”, “conservador”. Sou minha carne e meu sangue e meus ossos. Vejo as coisas daqui e faço o melhor que posso com elas. Uso minhas experiências, minhas habilidades e o corpo com o qual nasci e o modo como fui educado… Essas são as cartas que tenho na mão, e tento jogar o melhor que posso com elas.  

Você já pintou muitas pessoas, de serial killers a artistas como Edgar Allan Poe, e também amigos pessoais, como Indian Larry (bike builder e dublê morto em 2004). Está trabalhando em algum retrato novo atualmente?

No momento estou trabalhando em uma peça menor, para um livro infantil, a convite do Tom Waits. São vários músicos, cada um escolhendo seu artista favorito, e ele me chamou. O trabalho é colaborativo, e fiquei honrado de ter sido chamado. Eu geralmente não faço coisas assim, mas admiro muito ele e sua carreira como músico e ator. Ele também é uma pessoa muito espiritual.

Só vai sair em livro?

Vai ser um livro mesmo, mas acho que haverá uma exposição junto. Vou postar no meu site assim que souber de mais detalhes. Acabamos de começar, deve demorar pelo menos um ano pra sair.



Falando em projetos coletivos, você já fez parte de um grupo que criou capas para discos da gravadora inglesa Blast First Records. Além de você, tinha Gary Panter, Raymond Pettibon e Robert Williams, entre outros. Gary e Raymond são bem ligados ao rock e ao punk. Qual a sua relação com música?

Eu ouço e gosto de muita coisa, e pintei algumas pessoas cuja música me inspira, do compositor medieval Gesualdo até Hank Williams Sr. e Hasil Adkins. Os três não poderiam ser mais distantes um do outro, mas todos me dizem algo. Recentemente, fiz um quadro do Captain Beefheart. Tenho uma coleção grande de música e ela me inspira. Ouço discos enquanto pinto e eles falam comigo. Foi assim que pintei Hank, Hasil, todos eles. A música deles acaba me dizendo o que pintar.

Você produziu um disco seu pra Blast First, chamado Infernal Machine, inspirado nas performances medievais que fazia nos anos 1990. Você chegou a ser preso por causa de uma delas, certo?

Fui preso várias vezes por causa das minhas performances. Mandei emoldurar um mandado de prisão que me acusa da “posse de uma Máquina Infernal” (risos). Foi emitida em nome de Joseph Coleman, vulgo Dr. Momboozoo (nome que o artista usava nas performances). (Risos gerais.)

Li que essa acusação não era usada desde o século XVIII.

Sim, meu advogado me disse isso depois. [Os policiais] chegaram depois do show, olharam nos livros e tentaram achar uma acusação. Foi o promotor que encontrou essa. Seria mais difícil fazer algo parecido hoje em dia, qualquer tiazinha pode ser mulher-bomba (risos).

É, não seria uma boa ideia se explodir. As pessoas estão com tanto medo que, se você fizesse de novo, poderia levar um tiro.

Numa exposição recente, havia uma série de miniaturas que acompanhavam meu autorretrato gigante, A Doorway to Joe. Uma delas, Pathological Firestarter (“Incendiário Patológico”), é o retrato de quando eu pus fogo no pátio da escola, na infância. Foi ali que a minha Máquina Infernal começou. Enquanto eu pintava essa tela, refleti sobre o meu passado e vi que poderia ter escolhido um caminho muito mais sombrio, como qualquer um de nós. Fiquei pensando no quanto fui sortudo e abençoado por ter tido a vida que tive. Mas eu queria mostrar, da forma mais honesta possível, que essas coisas estavam dentro de mim e, provavelmente, de todos nós. Tentei confrontá-las, pintá-las e colocar nesse tríptico que fiz, baseado em um ícone cristão real. No meu caso, ao pintar sobre esse ícone usando minha própria mitologia, consegui redirecionar as forças da minha educação católica.   

Saiba mais
www.joecoleman.com

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