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Mon: 04-18-11

Guided By Voices . Live In Daytron? 6º . Rockathon . 2010

Quando "Live in Daytron ? 6º" apareceu em pré-venda no site oficial de Robert Pollard, a empolgação foi enorme. Após ter encerrado as atividades do grupo na passagem de ano entre 2004/2005, ele usou 2010 para excursionar com a formação clássica do Guided By Voices, debandada em 1996 por incompatibilidade musical. Seria um registro dessa nova turnê? Infelizmente, ainda não. Mas não se preocupe: a infelicidade passa logo. O novo álbum ao vivo da banda (cujo título remete a um som clássico dos caras, “Dayton, Ohio: 19 Something and 5”) é de 2001 e registra o grupo de Pollard já reformado, tocando em sua cidade natal após o lançamento de "Isolation Drills", um de seus álbuns mais cuidadosos e trabalhados. À época, Pollard e sua trupe haviam largado a Matador para assinar com a major TVT Records e provar que eram muito mais do que uma banda de garagem. E conseguiram, apesar de as vendagens não expressarem isso na época.

Se ainda houver alguma dúvida, "Live in Daytron?" chega para eliminá-la de uma vez por todas. Entre pérolas como “Skills Like This” e “The Enemy”, que tal a dobradinha “Glad Girls” e “Run Wild”? E o que pensar da melódica “Twilight Campfire”? Já os fãs que torcem o nariz para essa fase da banda são brindados com clássicos como “The Goldheart Mountaintop Queen Directory”, Tractor Rape Chain”, Smothered in Hughs” e “Don’t Stop Now” – essa, em uma versão hilária, com as letras improvisadas pelo vocalista. Seu carisma, aliás, sempre foi outro diferencial da banda. Só ele poderia apresentar “Shocker in Gloomtown” como uma música do Breeders, sendo que, na realidade, é do próprio GBV – a banda de Kim Deal gravou uma cover e costuma tocar uma versão da música em seus shows. Outro destaque fica por conta do guitarrista Doug Gillard, que recheia a apresentação com melodias e solos espertos. De repente, após a primeira música do segundo disco, Pollard avisa ao público: “Essa seria uma boa hora pra parar. Mas com a gente é diferente, gostamos de tocar até vomitar”. Após 43 músicas, o vômito não vem, mas público e banda saem satisfeitos. E, agora, o ouvinte em casa também.

Por Marcos Diego Nogueira