A Virada Cultural é como um microcosmo de São Paulo: ruas apinhadas, programação cultural de qualidade irregular, combate a ambulantes e bares fechando à 1h. Isso não quer dizer que o evento, que acontece neste sábado e domingo (16 e 17) com atrações gratuitas por toda a cidade, é impossível de ser aproveitado. Apesar de nulidades mil e coisas realmente horríveis como o P.O.D., sempre dá pra peneirar atrações bacanas. Sem contar que dificilmente você vai ter outra chance no resto do ano de dar um rolê tão tranquilo pelo centro da cidade em plena madrugada.
É claro que o cancelamento do Mini Kiss derrubou o ânimo de muita gente, incluindo o nosso, mas ainda sobram alguns bons motivos para você sair de casa sem carro – o metrô vai funcionar 24h – com o seu goró na mochila. Falando em mochila, vale lembrar que, apesar de a Virada ser bem mais segura que qualquer madrugada normal do Centro, você não precisa ficar dando pala com seu gadget ultra-super-pimpadão na rua. Além do cuidado com os pertences, outras dicas que são comuns para festivais em geral também valem pra Virada: carregar dinheiro trocado, ter o telefone dos amigos na mão em caso de emergência, carregar alguma coisa para comer e garantir aquele providencial Engov para evitar a ressaca.
Confira abaixo a seleção da Soma e faça uma boa Virada:
Palco República
O palco na Praça da República tem uma das programações mais astral da Virada, e numa dessas pode ser a sua escolha para passar a noite toda se ficar com preguiça de andar muito. A festa começa com o projeto Festa 011, comandado por KL Jay, Edi Rock e Don Pixote, às 18h do sábado e termina com Paulinho da Viola e a Orquestra de Cordas de Curitiba às 18h. No meio ainda tem Fred Wesley and the New JBs – comandado pelo trombonista da banda de James Brown – às 22h do sábado; Toni Tornado acompanhado de Dom Salvador e Abolição à 0h e os sambistas Monarco (8h do domingo) e Riachão (10h). Às 14h também será possível testemunhar um recorde mundial: Leandro Lehart vai reunir 23 baterias de escolas de samba tocando o mesmo som e deve entrar para o Guinness como a Maior Bateria do Mundo.
Paulinho da Viola
Fred Wesley & The New JBs
Riachão
Leandro Lehart
Palco São João
Se você curte chacoalhar o esqueleto ao som do reggae, do ska e de outras latinidades suadas, seu palco é o da São João. Os Skatalites (23h de sábado), quase inventores do ska, só têm dois integrantes originais hoje em dia, mas ainda dão um caldo. Ainda rolam artistas como o Chicha Libre (21h de sábado), grupo norte-americano que faz música influenciada pela chicha, gênero da Amazônia peruana, o mestre do dub Mad Professor ao lado do havaiano Marty Dread às 15h e os pioneiros do reggae britânico do Steel Pulse fechando o palco, às 17h de domingo.
Skatalites
Chicha Libre
Mad Professor
Steel Pulse
Praça Júlio Prestes
O palco da Praça Júlio Prestes vai ser a festa das camisetas pretas, com o filé do rock no meio da madrugada: o ex-Stray Cats e pioneiro da bateria tocada em pé Slim Jim Phantom se apresenta à 0h, seguido pela Conjuração Satânica de Zé do Caixão (1h30) e os veteranos do hardcore-trilha-de-filme-de-terror e ídolos do Brasiliense Misfits, às 2h. Depois disso é melhor cair fora, senão você periga acabar assistindo o P.O.D. de manhã.
Slim Jim Phantom
Misfits
Palco Arouche
Mesmo fora de “temporada” o Largo do Arouche já é um dos picos mais bacanas do Centro, e na Virada ele ganha seu palco “brega” para agradar qualquer um que tenha afinidade com rádio AM e amor no coração. O melhor da programação rola na tarde de domingo – e o bom é que dá pra elevar a mamãe pra ver Os Incríveis (13h), os mascarados do surf rock Los Straitjackets (15h) e o mestre Erasmo Carlos fechando o dia, às 17h.
Los Straitjackets
Erasmo Carlos
Palco XV de Novembro
O espaço perto do Páteo do Collegio é eclético nos gêneros e também na qualidade das atrações, mas tem dois momentos imperdíveis. Denise Assunção, irmã de Itamar Assumpção, tocando na íntegra seu disco de estreia, o sensacional e inédito em CD “A Maior Bandeira Brasileira” às 2h, enquanto Maria Alcina e Edy Star homenageiam o mestre Assis Valente às 14h.
Maria Alcina
Edy Star
Bulevar São João
Quem não curte Beatles gente boa não é, já dizia aquele ditado britânico, e se você quiser dar uma orelhada em algum clássico do Fab Four durante as andanças pelo centro a pedida é o palco do Bulevar São João, onde o grupo cover Beatles 4 Ever vai tocar na íntegra, durante 24 horas, a obra do grupo, de “Please, Please Me” até o disco de singles e raridades “Past Masters Vol. 2”.
Beatles 4 Ever
Palco Líbero Badaró
Um palco dedicado aos “grandes instrumentistas” sempre conta com o grande risco de virar uma filial da rua Teodoro Sampaio num sábado: um monte de virtuoses tocando 300 notas por segundo e você lá, com cara de tédio. Por sorte temos o maestro Leitieres Leite e sua Orkestra Rumpilezz misturando jazz e ritmos afro-baianos para a alegria e o balanço da sua tarde de domingo a partir das 13h. O bom violonista Chico Pinheiro toca às 19h de sábado e para quem curte fusion jazz e música do Sudeste Asiático a pedida é o Tohpati Ethnomission às 15h do domingo.
Orkestra Rumpilezz
Chico Pinheiro
Tohpati Ethnomission
Arena Anhangabaú
No Vale do Anhangabaú a porrada (de mentirinha), vai comer solta, com lutas da BWF (Federação Brasileira de Wrestling) e do Consejo Mundial de Lucha Libre e seus luchadores mascarados, além de apresentações de kung fu do grupo Lótus Branco, batalhas de sabres de luz e simulações de lutas medievais.
Palco Santa Ifigênia
Um dos picos mais bacanas de toda a Virada, o palco da Santa Ifigênia traz para o centro expandido o melhor da cultura periférica, misturando grupos musicais e saraus populares. Os grupos Nhocuné Soul e Versão Popular abrem os trabalhos às 18h, e às 21h rola o encontro de gigantes entre o Samba da Vela e o Sarau da Cooperifa. Outro destaque é o encontro entre o Z’África Brasil e o Sarau Pavio da Cultura na manhã de domingo, às 9h.
Nhocuné Soul
Versão Popular
Samba da Vela
Z'África Brasil
Pista Andradas – Alfredo Issa / Super Musical Jah
A Virada vai ter várias pistas de dança espalhadas pelo Centro. Na Andradas – Alfredo Issa é som é hip-hop, com diversos b-boys e DJs (incluindo Grandmaster Ney fechando o dia às 17h de domingo). Na praça Princesa Isabel rola uma radiola dedicada a 24 horas de reggae e dub, enquanto o coletivo Dubversão monta seu equipamento ali pertinho, na rua General Rondon.
Dubversão
SESC Belenzinho
Entre as dezenas de opções de programação fora do Centro da cidade, uma das mais bacanas é a do SESC Belenzinho. Se tudo estiver chato é só pegar o metrô na linha vermelha e curtir os shows de Monarco e Oswaldinho da Cuíca (21h30 do sábado) e Banda Black Rio com Carlos Dafé, Renato Piau e Max B.O à 0h.
Banda Black Rio
MIS
Outro espaço com uma boa programação fora do Centro é o Museu da Imagem e do Som, nos Jardins. Das 17h até às 22h de sábado rola a festa Sunset Party, animada pelo mineiro Psilosamples e pelo Floating Points, projeto do britânico Samuel Shepard. Mais tarde a música segue para o auditório do museu, uma noite de experimentalismos com o Theremin Concerto de Paulo Beto às 23h e shows do Pumu (0h) e do Afasia (1h).
Floating Points
Psilosamples
Pumu
Afasia
Por Amauri Stamboroski Jr.