Transformar o blasé paulistano em festa pode ser uma tarefa das mais ingratas. Engajado em limpar um pouco do ranço dos modernos locais, o Holger tenta trazer um pouco de brisa praiana aos ex-enfumaçados salões noturnos da capital paulista com seu álbum de estreia, "Sunga". Alinhado com a neo-world music de grupos como o Vampire Weekend, o quinteto faz axé para descolados, com leve sabor de Maresias indie.
De certa forma, é mais uma guinada musical na carreira do grupo: em outras encarnações, já foi post-rock (quando alguns dos integrantes faziam parte da banda projeto:) e folk (sob a alcunha de That’s All Folks). Em 2009, lançou seu primeiro EP, "Green Valley", com seis faixas influenciadas pelo indie lo-fi dos anos 90. Assim, a correção de rota em direção ao “Atlântico negro” que une África e Caribe não é uma surpresa, e o Holger parece resolver relativamente bem o desafio, especialmente em momentos menos roqueiros como “Beaver”.
Ao lado do afro pop, a outra grande influência do disco são os norte-americanos do Passion Pit – os falsetes e os synths do grupo de Massachusetts convergem macios em “Toothless Turtles”, melhor música do disco. Depois de superar o desafio de organizar o caos que por vezes toma conta dos shows da banda, resta agora a "Sunga" um novo obstáculo: provar que os amores de verão atravessam bem seu primeiro inverno.
Por Amauri Stamboroski Jr.