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Wed: 02-23-11

Hedzoleh Soundz . Hedzoleh / Ofege . Try and Love / Dick Khoza . Chapita . 2010

De alguns anos para cá, a música africana vem sendo objeto de intensa pesquisa. A quantidade de coletâneas e relançamentos dedicados ao continente é impressionante, e o que mais chama a atenção é a qualidade e a originalidade de gravações registradas com equipamentos precários, que às vezes nem chegaram a ser lançadas na época. Em 2010, três discos se destacaram; o selo Academy LPs relançou o psicodélico "Try And Love", gravado em 1973 pelos então adolescentes do Ogefe e praticamente desconhecido fora da Nigéria. Com oito faixas que fundem rock ocidental hippie a ritmos africanos, o disco tornou-se um clássico do afro-rock na época. Ótimas harmonias com toques psicodélicos, em que se destacam a guitarra virtuosa da dupla Berkley Jones e Felix Inneh e as levadas quebradas do baterista M-Ike Meme. As letras misturam o inglês com línguas locais e são cantadas por toda a banda, com timbre vocal adolescente.

Outro destaque foi o lançamento do álbum da banda Hedzoleh Soundz, pioneira na mistura do highlife (ritmo tradicional de Gana) com estilos ocidentais como rock, jazz e funk. Na década de 70, o grupo era residente do Club Napoleon, onde conheceu o trompetista Hugh Masekela, que os contratou como banda de apoio e gravou com eles dois álbuns em parceria. A banda viajou o mundo, mas nunca conseguiu lançar um trabalho próprio. "Hedzoleh" foi gravado no começo da década de 70 e traz parcerias com Masekela e composições do grupo. Os sons são encharcados de batuques tribais, tendo como base as tradições rítmicas de Gana, juntando a instrumentação tradicional africana com instrumentos de base ocidental.


O último grande destaque foi o recente lançamento de um álbum perdido do lendário baterista, arranjador e compositor de afrojazz Dick Khoza. "Chapita" foi gravado em 1976, com a banda do Pelicano, tradicional clube de música em Soweto. O encontro foi idealizado e financiado por Rashid Vally, produtor e empresário responsável por trabalhos seminais de Abdullah Ibrahim e outros grandes nomes sul-africanos. São cinco faixas longas e hipnóticas, que combinam jazz e afro-funk, rendendo trilhas com grooves e breaks sensacionais. Um prato cheio para produtores sedentos por samples ainda desconhecidos.

Por Daniel Tamenpi