Neste domingo, 30 de janeiro, o Macaco Bong convida Emicida, Siba, Vitor Araújo e Jack para engrossar o caldo de um show pra lá de especial no Auditório Ibirapuera. Nesta noite, a banda lança o disco Macaco Bong & Convidados e um DVD , gravados no ano passado no mesmo auditório. O evento marca uma nova empreitada na trajetória da banda, que agora reside em São Paulo e vai estreiar o projeto Macaco Bong Convida no Studio SP. Ney Hugo, baixista do power trio, conversou com a Soma sobre esse novo momento e sobre o que vai rolar no domingão. Leia a entrevista abaixo e confira o vídeo do primeiro ensaio aqui.
Por Marina Mantovanini
Quais os critérios que usaram para selecionar os nomes que tocariam com vocês?
Não teve uma curadoria, foi bem uma coisa mais orgânica e natural mesmo. De convidar pessoas que estão trabalhando de maneira semelhante a nossa. O primeiro, que foi o ano passado também no auditório ibirapuera, a gente já tinha uma perspectiva e já tinha uma relação muito próxima com o Móveis Coloniais de Acajú e a gente já dialogava sobre fazer alguma coisa juntos. Na mesma época que decidimos fazer o show, o Siba viu uma apresentação nossa na Feira Música Brasil, em Recife, e veio conversar com a gente junto com o Fabrício Nobre e o Pablo Capilé, alí convidamos o Siba. E o Jack do Porcas Borboletas, já nos conhecíamos há muitos anos, trabalhando juntos na construção da cena musical de Uberlândia e de Cuiabá, articulando isso nacionalmente também. E quando a gente decidiu repetir o projeto para fazer o lançamento do CD, surgiu a ideia de convidar o Emicida. E foi muito natural também, a gente já tinha uma proximidade, ele circulou em alguns festivais que como o Jambolada e o Calango e casou de fazermos este show de domingo.
Então vocês escolheram bandas e músicos muito mais pela maneira como trabalham a circulação da música do que pela relação sonora que pode haver entre vocês?
Na verdade, a gente tá dentro daquilo que hoje é colocado como a mudança da música brasileira. Antes tinha aquela distinção do que era música brasileira, do mainstream, e música independente, que era taxada de inferior. Só que as tecnologias de gestão caíram nas mãos das bandas independentes e elas se nivelaram no sentido de conseguir se divulgar, circular, fazer shows em grandes festivais no exterior e por aqui. Tem muito a ver partindo desse princípio, tá todo mundo no mesmo barco e não é só no método de trabalho, é no sentido artístico mesmo, de você não se prender a formas específicas de composição, de produção, de não ser um produto pré-fabricado de mercado. A gente pensa em fazer algo mais espontâneo, original, sem ser pretensioso, mas simplesmente expressando de uma maneira natural, isso a gente também tem em comum. É um pouco das duas coisas, ao mesmo tempo que não houve uma curadoria, e foi pela maneira como a gente trabalha, tem também essas identificações musicais, de se ouvir muito. Desde que o Emicida lançou o primeiro disco que a gente ouve e o trabalho de outras bandas também, um é referência do outro.
O Emicida é um dos poucos caras do hip-hop que participa de festivais independentes. Eu queria que você falasse sobre a pouca inclusão do estilo.
Tem muito mais a ver com a realidade de onde vem o rap. Porque esse movimento de bandas independentes, não 100%, mas em grande parte são pessoas de classe média. Então, é o cara que pode fazer a faculdade, que pode estudar música e até uma certa idade ele consegue ter uma sustentabilidade bacana, já a realidade da galera que representa o hip-hop na periferia, seja no break, no basquete de rua, no rap cantado, é bem diferente. E agora existe um diálogo muito forte do Circuito Fora do Eixo e essa tecnologia de gestão com a Central única das Favelas, eles já conseguem se unir, tanto na construção de um cenário cultural como nas trocas artísticas. Eu acho até que é um processo histórico. Agora que é o momento que a periferia tem mais oportunidade de lançar projetos artísticos, inclusive as coisa melhoraram um pouco, eu num vejo nem que o rap trabalhou menos, é questão de que as coisas estão mais acessíveis agora, uma perspectiva de veicular o rap. .
Como vocês estão preparando as músicas?
Fizemos ainda só um ensaio e a única coisa que a gente pensou foi um freestyle do Emicida e uma música nossa. A gente tem respeitado a estrutura harmônica da música, os acentos porque é rap e no rap conta muito a letra, então a música tem que ser marcada de acordo com a letra para dar os destaques e tal. Respeitando a estrutura, a gente fica livre dentro dela, e a colocamos a nossa cara em alguns momentos. E é legal porque tem os instrumentos, uma coisa mais orgânica, junto com o DJ.
Como vai ser o formato?
Vai ser como no ano passado. Provavelmente, vamos fazer duas do Emicida e um freestyle, que pode ser tanto em cima de uma música nossa ou de algo que a gente pode criar na hora. Tem o Siba também que vai fazer tanto as músicas do Macaco como as do Emicida e tem o Vitor Araújo, a gente vai descobrindo ao longo do ensaio e do show.
Vocês também vão lançar posteriormente um CD desse show?
A gente ainda não pensou nisso, mas com certeza vamos gravar o show, mas bootleg na internet vai rolar, a gente é completamente ligado nisso.
Macaco Bong Convida
Dia . 30 de Janeiro de 2011
Horários . Domingo, 19h
Entrada. R$ 30 ou 15 (meia-entrada)