Não sei se a molecada de hoje ainda tem no Velho Oeste um cenário para aventuras imaginárias, mas eu sempre sonhei em ser o Clint Eastwood de Sergio Leone. Em "Red Dead Redemption" – para Xbox 360 e PS3 –, o protagonista se chama John Marston, mas as semelhanças com Clint não são mera coincidência. O jogo é, até certo ponto, uma transposição da violência urbana de "GTA IV" para o Oeste Selvagem. Porém, as diferenças são tão marcantes que o fato de os dois jogos terem a mesma dinâmica só acrescenta mais atrativos a RDR. Uma das particularidades do game é a mecânica “Dead Eye”, que permite a Marston disparar várias vezes contra seus inimigos com precisão incrível (e em câmera lenta). A física realista dá um toque extra, diferenciando o impacto de cada arma e as reações dos inimigos ao serem baleados.
Já na apresentação cinematográfica, na qual as conversas dos passageiros de uma maria-fumaça inserem o jogador no mundo do Velho Oeste, fica claro que estamos diante de um forte candidato a jogo do ano. "Red Dead Redemption" é uma jornada de vingança, ódio e redenção, com todos os elementos do faroeste clássico, mas em estética spaghetti, com mais humor e menos moralismo. Nele, Marston é um fora-da-lei redimido que é obrigado por uma espécie de “pré-FBI” e eliminar sua antiga quadrilha.
O jogo possui um mapa imenso e inóspito, mas em cuja vastidão raramente se fica sozinho. Diligências, carroças e cavaleiros percorrem as estradas, e a vida selvagem é abundante. Aliás, caçar e explorar o enorme cenário do jogo em busca de tesouros ou foragidos garante dinheiro e habilidades aprimoradas. Além das tradicionais missões, surgem histórias paralelas e tarefas aleatórias, como recuperar um cavalo roubado, salvar um inocente da forca ou uma prostituta de um cliente violento.
E a vida em "RDR" não é feita apenas de aventuras e tiroteios. Há várias atividades para ocupar o tempo, como se dedicar à jogatina, encher a cara em algum saloon ou domar cavalos selvagens. São minigames rápidos, divertidos e não obrigatórios, que ajudam a inserir o jogador no universo do jogo. Ao longo de sua jornada, Marston vai percorrer desertos, pradarias, pântanos e cidades, passando por fazendas, inferninhos, revoluções e a inevitável morte desse período tão particular da história.
O modo multiplayer ainda é um tanto rudimentar, mas tem como diferencial o “Free Roam”, no qual se pode cavalgar livremente, formar quadrilhas com até oito integrantes, realizar missões ou optar por outros jogos. Claro que nem tudo são flores. Assim como em outros games da Rockstar, alguns bugs – como personagens que surgem do nada ou ficam invisíveis por algum tempo – ainda acontecem, mas nada que atrapalhe essa incrível jornada por um lugar onde os fracos não tinham vez.
Por Rafael Argemon