Foto Esculturas de Alejandra Laviada
Ao fotografar encenações escultóricas, Alejandra Laviada subverte a matéria. O primeiro ato se encerra quando a cortina da sua câmera 6x7 se fecha. Objetos aparentemente descartados da sociedade, encontrados em edifícios abandonados na cidade do México, são reordenados por Alejandra como esculturas efêmeras que ressurgem pictoricamente em forma de fotografias.
O resultado dessas intervenções nos conduze por sensações estranhas. É inevitável o desejo de tocar o objeto fixo, imóvel e que agora só existe no plano bidimensional da fotografia. Somos convidados a decifrar essas imagens, obrigados a saltar da existência linear dos objetos para um nível de existência mais abstrato e adimensional.
Além disso, a poética deste trabalho, que se utiliza de resíduos da sociedade industrial, sugere uma reflexão sobre os ciclos de vida urbana com seus processos de decadência e reinvenção: “Meu processo fotográfico é uma espécie de arqueologia urbana, já que recrio novas narrativas com os objetos que vou desenterrando. Cada peça nos revela algo da história ou função do espaço e das pessoas que o habitaram”, afirma Laviada.
Com “Foto Esculturas”, Alejandra ganhou em 2009 o prêmio “Descubrimientos” do festival PhotoEspaña, que lhe proporcionou uma exposicão individual no festival deste ano. Neste ensaio, a fotógrafa questiona os processos de revitalização dos espaços urbanos, assim como a própria fotografia, que aparece como uma forma de reflexão diferenciada da premissa cartesiana, na qual pensar significa seguir a linha escrita.
Edu Monteiro
Fotonauta