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Tue: 08-10-10
Messias . Escrever-me, Envelhecer-me, Esquecer-me Independente . 2010
A última vez que Messias lançou um álbum, em 2001, ele ainda era apenas o vocalista do brincando de deus, grupo baiano pioneiro no indie rock tupiniquim e queridinho da crítica nacional fã da anglofilia extrema da banda. Isso não é demérito – o grupo criou clássicos como “Spleen” enquanto se mantinha no primeiro posto de uma confusa “resistência rock” na terra do axé. A estreia solo do cantor (que garante que o brincando de deus segue na ativa) é um disco triplo com 32 faixas, algo ousado por si só.
De certa forma, parece um álbum da virada da década – passada. O encarte tem um quê do abstracionismo de Photoshop que encantou designers do final dos anos 90, ao passo que alguns dos efeitos eletrônicos carregam timbres típicos do início dos 00. Mas não deixes nenhum desses poréns te afastarem da obra. É claro que existem momentos mais irregulares, mas quando Messias acerta é inspirador, iluminador e precioso.
“No Hay Banda”, que gira em torno do refrão, e “Who I Should Be” estão entre as melhores melodias que já compôs e devem virar favoritas dos fãs, enquanto “God, If You Can Hear Me” e “The Machines Are My Family” atualizam o cantor para o século XXI. É preciso certo esforço para superar a tendência “totalizante” de um álbum conceitual, herdeiro do Radiohead (o Pink Floyd da sua geração), mas, uma vez mergulhado no mundo de Messias e na sua jornada quase budista, é possível também esquecer-se.
Por Amauri Stamboroski Jr.
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