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Fri: 06-11-10

M. Takara 3 . Sobre Todas e Qualquer Coisa Desmonta Discos . 2010
A primeira faixa exala ambiência kraut rock e a espacialidade dos sons eletrônicos. Logo, surge uma percussão. Bateria. Chega a segunda faixa, e a abstração vai ganhando uma batida mais identificável. Bem-vindo ao recém-organizado universo de M. Takara e seus dois comparsas, Roger (também do Hurtmold, assim como Takara) e Guilherme Valério, responsável pela guitarra que pontua as batidas de bateria e percussão ao longo do álbum.

Lançado dois anos após “Ocupado Como Gado Com Nada Para Fazer” – sua primeira tentativa de expandir seu trabalho solo rumo a um grupo –, “Sobre Todas e Qualquer Coisa”, além da menor incidência de elementos eletrônicos, ganhou estofo também com letras que, como diz o título, trazem crônicas um tanto sarcásticas.

Esta definitivamente é uma obra com o tamanho da ambição de seu criador: comunicativa, estranha, com uma esfera de experimentação pop que segue a linha de Eternals ou Four Tet, mas com uma dicção definitivamente brasileira e paulistana. A faixa “Rei da Cocada” é prova: não se engane com a percussão, que poderia ser o dado de brasilidade: são justamente os elementos “exteriores”, o sax e o trompete em rompantes free jazz, a eletrônica e a letra, que transformam o projeto em um grupo tão ambicioso quanto o Hurtmold. Ganha todo mundo, inclusive o próprio Takara, que conseguiu ordenar toda sua experiência com as programações, os teclados e os recursos eletrônicos em um grupo que destaca seu toque de autor de forma nada condescendente, favorecendo a construção de uma nova tradição.

Por Arthur Dantas