Durante a entrevista que o editor Mateus Potumati fez com o guitarrista Mini da Walverdes, o músico também falou sobre a discografia da banda, que lançou sua primeira fita em 1993 e está na estrada até hoje. Leia o que ficou de fora da entrevista publicada na +Soma 16.
“Luke Strike Skywalker” . (1993)
A fita surgiu de um ensaio gravado ao vivo no Estúdio Live. Dessa fita saiu “Eu Não Falo Inglês”, que tocou bastante na Ipanema FM naquele ano. Eu acho que quem gravou essa fita foi o Iuri Freiberger, tenho quase certeza. A formação era o Marcos (bateria), Felipe (baixo), Luis Fernando (guitarra) e eu na voz e tocando uma corda de guitarra que era o que eu conseguia. O som era meio grunge, meio hardcore e tinha até um funk metal, que era moda. Foi o ano em que a gente começou a fazer shows, todos no Garagem Hermética. A distribuição dessa fita foi na cópia feita em gravador de dois decks e capa xerox.
“Ogânza Bizáza” . (1994)
Segunda fita com umas doze músicas já em formato power trio (Felipe, Marcos e eu). Também foi um ensaio gravado ao vivo pelo Iuri. Eu adoro as músicas e o som dessa fita, é bem hardcore/punk/grunge/noise, é bem o embrião do que a gente faz até hoje. Ela foi distribuída no mesmo esquema, cópia caseira e capa de xerox.
“Vai, Criança, Faz a Tua Arte” . (1994)
Mais cinco ou seis músicas que gravamos dessa vez em um estúdio profissional. Ganhamos horas de estúdio por participar de um show do programa Eletrika Otika da Ipanema F, junto com a Ultramen, e usamos pra gravar essa fita. Foi gravada pelo Homero, dono do estúdio Alfa. Distribuímos nós mesmos também, no mesmo esquema caseirão. Custou 50 reais pra passar a fita pra um CD que usamos pra gravar as outras fitas. Não lembro de lançarmos oficialmente, mas fazíamos bastante shows por aqui. Essa fita tinha pra vender em várias lojas de discos de Porto Alegre. Uma das músicas (“Kikito aos Medas”) entrou numa coletânea da Banguela (Records) com sons do Rio Grande do Sul.
“Demo Amarela” . (1995)
Tem a história dessa demo no blog dos 15 anos. Ler aqui.
“Walverdes” (CD) “Ao Vivo No Japão” (fita cassete) . (1996)
Com a fita, voltamos pra história de ensaio gravado. É o primeiro registro de músicas que depois foram parar no “90 Graus”. E também o primeiro com a formação Marcos, Mini, Bruno, Gian, que iria durar uns três anos. Foi distribuída por nós, eu acho, com capa de xerox colorido, um avanço.
Na mesma época, começamos as gravações do nosso primeiro disco. Quem bancou e propôs lançar foi o Luciano Menezer, da Barra Lucifer Records. Foi ele que gravou a “Demo Amarela”, gostava do som e queria montar um selo. Ele bancou toda a gravação e mixagem. Começamos em um estúdio com um baixista, daí o Felipe saiu, entrou o Bruno e recomeçamos tudo em um outro estúdio que gravava só discos gaudérios, no centrão de Porto Alegre. Foram poucas sessões, mas gravamos umas quinze músicas, das quais pelo menos metade nunca deveria ter sido gravada. Mas tem coisas interessantes ali e o Luciano se puxou pra fazer o melhor por nós. O disco acabou embaçando pra sair e chegou a ser distribuído em Santa Catarina, com uma capinha de xerox. Alguns anos depois eu fiz umas capas de xerox colorido, mas o fato é que eu acho que esse disco nunca saiu direito, o que é até bom, porque fora uma ou outra música, não gostamos muito dele. Nessa época a gente já estava começando a tocar fora daqui, especialmente no interior de Santa Catarina.
“90 Graus” . (1999/2000)
É o “90 Graus”. Tem a história dele no blog dos 15 anos. Ler aqui.
“Anticontrole” . (2001/2002)
O “Anticontrole” é nosso disco "de amadurecimento". Fizemos com um pouco mais de cuidado, ainda que sem as condições ideais. Foi a última participação do Bruno nos Walverdes. Um dia depois dele terminar de gravar os baixos, ele foi morar na Nova Zelândia e o Patrick, que é amigo dele, assumiu pra uma semana depois a gente tocar no Circadélica, em Sorocaba. Eu e o Marcos não acompanhamos as gravações do baixo, então a gente só foi ouvir tudo que ele fez (e tem um monte de baixos incríveis nesse disco) quando o Iuri nos mostrou. Várias coisas que a gente nem sabia que tinham nas músicas, coisas que ele inventou no dia da gravação. Várias músicas desse disco tiveram o Gian como compositor junto com a gente, mas ele saiu antes das gravações. Tem o dedo dele ali de alguma forma, mas acho que ele não gravou nada com a gente em “Anticontrole”. O Iuri investiu muito tempo dele nesse disco, trabalhou bastante, então ele tem um mérito muito grande. A outra parte do mérito é nossa mesmo: a gente deu uma evoluída em composição e execução, provavelmente por conta das nossas experiências extra-Walverdes (pouco antes eu passei um ano ajudando a fundar a Tom Bloch e o Bruno, o Marcos e o Gian como banda do Wander Wildner). A Monstro trabalhou bem o disco, a gente viajou bastante e ficamos muito mais conhecidos. A gente tocou seguido em São Paulo nessa época.
“Demasiada Sequela” . (2004)
Num dia de verão a gente se reuniu com o Pedro Damásio (que tocou comigo num outro projeto chamado Carregados) e ficou fazendo jam session com um gravador de cassete de quatro canais ligado o tempo todo. Outro dia eu ouvi toda aquela maçaroca e cortei as partes que achei que tinham ficado mais legais. Aí a gente botou nesse CD-R que tem um quê meio de reggae, de viagem de verão.
“Playback” . (2005)
Bom o Playback foi um outro salto nosso em todos os sentidos: de produção do disco, de composição e de visibilidade. Foi quando a gente saiu da Monstro também por um convite irrecusável da Mondo 77, que também lançou a Publica e o Banzé. É o primeiro disco com o Patrick compondo também. Gravamos em duas partes. Começamos gravando ele em rolo, em fita analógica. Fizemos metade do disco assim e estava ficando uma porcaria porque a gente não tinha os equipamentos adequados pra trabalhar. Daí jogamos tudo fora, fomos pra um estúdio digital e começamos tudo de novo, gravamos metade do disco de novo. A maior parte das bases desse disco foram gravadas ao vivo, comigo, o patrick e o marcos tocando juntos. As guitarras têm um som bem peculiar porque foram gravadas com uma Fender, do Gabriel da Pata de Elefante, que tava com as válvulas estragadas. O disco foi bem divulgado, vendeu bem e a gente tocou por tudo quanto é canto do Brasil nos anos seguintes. Foi uma época bem boa, o Claudio Verissimo fez um clip legal que concorreu ao VMB. Tocamos no Campari, no Porão, no Nordeste, em vários lugares bacanas.
É importante ressaltar que o intervalo entre a gente gravar e lançar os discos são grandes. Às vezes falta grana pra lançar, ás vezes pra mixar, às vezes acontecem embaços que estão além do nosso controle. Então quando a gente fala de CDs, as datas que eu citei são datas de lançamento. Geralmente os discos foram gravados um ou dois anos antes...
Escute:
www.myspace.com/walverdes