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Fri: 05-14-10

+ENTREVISTA . Eugene Hutz, Por Matias Maxx

(Leia a entrevista na íntegra publicada na +Soma 17/Mai-Jun 2010. Baixe aqui ou descubra aqui onde conseguir uma.)

 

Eugene Hutz . A Perpetuidade da Folia e da Sujeira (1)

Por Matias Maxx, Fotos Por Danny North



“Estávamos na Kombi, voltando do Lapa/ Tipo matinê, veio o cara, perguntô/ E aê, cigano, onde é o after-party?” O sotaque esquisito embalado por uma levada de funk carioca é de Eugene Hutz, ucraniano de origem cigana e frontman da banda Gogol Bordello. O batidão logo dá espaço ao violino cigano de Mio Vacite e às guitarras distorcidas do próprio Eugene, numa confusão sonora transcontinental. Estou na “Casa do Cigano” estúdio de Ricardo Vacite, filho de Mio, presidente da união cigana do Brasil. Aqui, Eugene prepara um projeto experimental com músicos brasileiros chamado provisoriamente de “Que Porra É Essa?”

Alem de tocar com o Gogol desde 1999, Eugene dividiu com Elijah Wood o papel principal de "Everything is Illuminated"  (2005) e estrelou "Filth and Wisdom" (2008), primeiro filme dirigido pela Madonna. Depois de trombar com a figura de bigodão e calça “pescando siri” em inúmeras situações nas ruas e baladas do Rio de Janeiro, resolvi entrevistá-lo. Marcamos um papo numa casa de sucos em Ipanema, antes de uma sessão na "Casa do Cigano", onde me esforcei para fazer uma assessoria de gírias e sotaques na gravação do “Funk da Kombi” que abre esta reportagem.

Então… Quando você veio pro Brasil????


Já faz quase dois anos, na verdade já são dois, na primeira vez eu vim para ver uma garota… minha namorada naquela época!

Brasileira?

Não! Ela é da Romênia, mas ela é antropologista e está estudando ciganos do Brasil. Então vim vê-la na primeira vez… Mas você sabe, acabei não saindo do quarto durante um mês … Aí o meu heroi de todos os tempos, Manu Chao veio ao Brasil, e me apresentou alguns músicos, fomos para Pernambuco no carnaval, comecei a conhecer o pessoal do Mundo Livre S.A. e o DJ Dolores e outras pessoas de um circulo criativo. E me senti muito inspirado por toda essa energia e atmosfera sabe. Mas isso não foi uma grande surpresa, na verdade foi apenas uma prova, pois eu sempre curti música brasileira e sempre quis visitar o Brasil. Em Nova York eu tenho vários amigos brasileiros e muitos fãs que iam aos shows e minhas festas dizendo “cara! Você tem de ir ao Brasil, quando você for lá, você vai querer ficar!” Então não teve nada chocante, fiquei feliz que acabou sendo tudo isso mesmo! Exatamente o esperado! Original e exótico. Antes mesmo de eu chegar aqui, eu já estava tocando numa escola de Samba em Nova York, a Mahantan Samba, e experimentando com esses músicos, fazendo shows juntos, combinando Gogol Bordello com escola de samba, fazendo festas extremamente energéticas.

Uma vez você confessou que depois de um ou dois anos, depois de conhecer as pessoas e o país melhor rolou uma leve decepção com a americanização imposta pela TV e outros meios.

Bem, eu não gosto dessas coisas em qualquer país. E elas existem em qualquer país! Antes eu estava apenas olhando numa direção, agora tenho de aceitar que isso também existe aqui. Não me desapontei, tudo o que eu amo ainda está aqui. Então, estou bem com tudo isso, a americanização está em qualquer lugar, na Ucrânia, Itália, Espanha, esse lixo está em qualquer lugar! Mas eu não vim aqui pra isso, então estou ok, estou  amando as coisas que eu amo! Eu conheci um circulo de amigos maravilhoso aqui, de uma maneira criativa e companheira também. Uma coisa que fez eu me sentir muito em casa  é que eu conheci ciganos brasileiros que me receberam muito bem dentro de seu círculo, essas pessoas falam a mesma língua que meus avôs sabe? E estão no Brasil. Logo este lugar se tornou uma casa para mim. A maneira que eles preservam a cultura cigana me faz sentir de volta ao ninho, perto das minhas raízes...

Eu não conheço muito a cultura cigana, acredito que a maioria dos brasileiros tampouco. Conheço estereótipos sobre viajantes e cartomantes, mas pelo que sei existe uma grande comunidade aqui,  meio escondida, porque as pessoas não conhecem muito sobre os ciganos?

Todo mundo tem esses estereótipos, mas agora eles estão tentando correr atrás. Existem duas razões: um preconceito herdado que faz as pessoas se protegerem e as comunidades ciganas se aproximam muito num mecanismo de proteção, mas hoje em dia, de uma maneira muito devagar está começando a mudar. Se está falando muito sobre os direitos dos ciganos romenos. Sabe, estamos no Rio de Janeiro, daí quando eu falo que fui com amigos ciganos fazer uma doação a uma favela de ciganos que fica depois de Niterói, as pessoas se chocam: “há um acampamento cigano lá? Nunca ouvi falar.” Mas tipo, está só a uma hora de distância.

Você só começou a viajar na cultura cigana depois que teve de fugir de Kiev por conta do acidente nuclear em Chernobyl.

Na Ucrânia o preconceito contra ciganos é muito maior do que aqui. Eu dei umas voltas por aqui e pelo que aprendi, os ciganos daqui ainda são mais positivos do que os da Europa, você ouve falar dos ciganos na mitologia, no folclore, em músicas. Há menos do preconceito negativo, os ciganos daqui ainda conseguem ser dentistas, advogados, políticos, qualquer profissão possível. Na Europa, é quase impossível, você só pode ser o que os ciganos fazem, existe uma parede invisível, é impossível chegar em qualquer lugar. Então muitos pintam seus cabelos de loiro, falam pras pessoas que são turcos, ou qualquer outra coisa. Minha família é mestiça, eu mesmo não tenho muita cara de cigano, e minha família fez todo o possível para esconder o nosso lado cigano lá na Ucrânia, eles esconderam tão bem que eu não sabia praticamente nada a respeito até os dezessete anos. Toda a cultura foi parte da vida na nossa família, mas só um pouquinho da nossa língua nativa estava presente, e nada de vestimentas ciganas, a música sim estava sempre presente, mas é porque todos amam a música cigana, então isso não é problema, mas qualquer manifestação muito óbvia era proibida. A parte não-cigana da família, eles não gostam de ciganos sabe? Eles só gostam hoje em dia porque leram no "New York Times" que o Gipsy Punk é cool.  Quando eu vou a Ucrânia eu digo: “você não gosta de ciganos? Pois é, você só tem esse computador por conta do Punk Cigano.”  Eu sou o cara que comprou todas essas merdas pra eles, senão eles estariam até hoje sem isso. Foi um longo caminho para provar que eles estavam errados.

Você chegou a viver em acampamentos ciganos?

Sim, depois de Chernobyl. Vivi na Polônia, Áustria, Hungria e Itália. A Itália é o único país que compete com o Brasil em termos de desordem e caos. Acho que talvez eles até ganhem. Vocês estão próximos do título, mas acho que eles levam, hein? (risos)

E tem muito preconceito lá?

Sim! É terrível! Dos piores, na Itália e na Romênia.

Mas os ciganos não vieram da Romênia?

Vieram originalmente do Rajastão há uns mil anos. O primeiro exôdo foi pra Turquia, pelo Oriente Médio, depois para Marrocos, Espanha. Por isso o flamenco tem influência arábe. O segundo êxodo foi alguns séculos depois, da Turquia para a Romênia, e da Romênia para a Rússia e toda a Europa. Há cerca de dois milhões de ciganos lá hoje em dia, é o país com a maior população cigana no mundo. Mas lá também não é um país muito civilizado, portanto há muita discriminação.

Você cresceu na Ucrânia soviética, não?


Nasci e fui criado até os 18 anos na Ucrânia, sob o comunismo total. Ninguém pensava que isso fosse mudar um dia! Era tipo, “nascemos assim e vamos morrer assim”. Não havia nenhum sinal no ar de que viriam mudanças. Quando elas vieram, aconteceu tudo de maneira muito rápida, ninguém acreditou quando o Gorbachev chegou e dividiu o país... Ele fez a coisa certa, arrebentou o império! A Rússia sempre criticou o imperialismo, seria lindo se não fossem os maiores imperialistas do mundo. A Rússia é um império até hoje em dia. Da Sibéria até a Polônia, todas as nacionalidades dessa área foram forçadas a falar russo nos últimos 200 anos. Agora que a URSS acabou, todo mundo está voltando aos poucos para as suas raízes. Se é que eles lembram quais são essas raízes.

Como você conheceu o rock num país soviético? Não era proibido?

Era proibido, mas sempre tinha alguém que sabia como conseguir coisas proibidas. Meu pai foi provavelmente um dos primeiros caras a ter uma guitarra elétrica na URSS. Ele era músico e tinha dom para idiomas, então conseguiu entender a cultura rock’n’roll ouvindo rádios estrangeiras. Ele tinha uma banda e pegava todas as mulheres, não tinha nem competição.





Esse é sempre o propósito de uma banda né?


Nunca foi o propósito para mim, e acredito que pra ele também não, mas foi dessa maneira que ele conseguiu minha mãe (risos). Meu pai tinha uma coisa com Jimi Hendrix e tudo o que estava acontecendo na época. Eu nasci ao som de Jimi Hendrix. Isso nunca se apagou, foi o som da minha infância, me influenciou muito, os tons, a entonação da voz. Talvez eu tenha sido influenciado bastante por essa frequência.

E como você chegou no punk rock? Foi nos Estados Unidos ou ainda na Ucrânia?

Quando eu saí da Ucrânia, eu já estava na hit parade de lá. Antes de montar o Gogol Bordello em Nova York, eu já tinha tido três bandas na Ucrânia: The Fags, tipo os “homossexuais” manja? Na verdade no inicio se chamava A Fucking Bunch of Fags, depois a Plain fuck e outra chamada The Cossaks. Também toquei baixo numa banda de metal-hardcore chamada Epitaph, também tive projetos de música eletrônica, seja lá o que estivesse rolando de doideira na cidade eu estava envolvido. Então, o movimento punk já estava acontecendo na Ucrânia, não era muito grande, mas tínhamos nossa cena, tínhamos tudo. Foi ai que eu descobri meu caminho, meu estilo próprio além do que o meu pai tinha a oferecer. É engraçado, meu pai odiava punk rock, tínhamos toda uma sociedade soviética de pais, professores e cuzões ensinando aos filhos que rock’n’roll dava câncer, que era um produto da ideologia podre do capitalismo patrocinada pelo Pentágono. Enquanto todos brigavam por isso eu discutia com meu pai o que era mais legal Dead Kennedys ou Emerson Lake & Palmer, mas brigávamos com a mesma intensidade. (risos)

E existia repressão contra a cena?

Sim, oficialmente nada era permitido. Na maioria das vezes, os shows eram no apartamento de alguém. Quando o Gorbachev chegou ao poder, a coisa começou a ficar mais leve, e aí pudemos tocar em casas de show. Mas elas eram tão zoadas que construíamos os palcos do zero na véspera dos shows. Realmente era coisa de gente que tinha muito entusiasmo e paixão, nós realmente achávamos que isso era do caralho, éramos durões. Minha escola foi isso, fazer tudo eu mesmo.  Quando eu vim para os Estados Unidos as pessoas perguntavam: “Cara, a imigração deve ter sido traumática, não?”  Sim, é traumática, mas ao mesmo tempo nós fomos criados pela União Soviética para sermos guerreiros. Qualquer coisa fora dali era moleza… É só aprender a língua e depois perguntar “onde é a festa?”  (risos)

Como se formou o Gogol? Todos os integrantes são imigrantes?

Sim, mas foi como uma bola de neve. Quando cheguei em Nova York, eu não conhecia ninguém e comecei a tocar no metrô. Fiz isso por uns dois meses, tocava guitarra e cantava músicas do Johnny Cash e vários rockabillies.

Com sotaque esquisito?

Mais ou menos, eu não acho meu sotaque esquisito, quanto mais alto você grita, mais a sua língua nativa vem, é o que os médicos dizem. Eles podem identificar uma nacionalidade de qualquer mulher durante o parto, porque quando ela grita mamãe ou qualquer outra coisa elas o fazem no seu idioma nativo, não é algo que conseguem esconder naquele momento. Cantando é a mesma coisa, quanto mais você grita ou se envolve emocionalmente mais a sua gesticulação nativa vai aparecer.

Voltando a formação do Gogol.


Aí, no metrô, conheci um cara que tocava acordeon e viramos um dueto, depois um trio. Mais ou menos um ano depois chamamos um baterista e gravamos nosso primeiro álbum, que é praticamente acústico. Mas eu comecei a sentir falta do rock’n’roll, o som de “A Bunch of Fucking Fags” e minhas outras bandas de psycobilly. Aí eu conheci Oren Kaplen, que era de Israel, um puta guitarrista que tinha tocado numa banda chamada Firewater. E depois, demoramos uns quatro anos pra ter um baixista, era uma banda de gipsy reggae dub sem baixista. Bem estilo “Que porra é essa?” (risos). Oficialmente  a banda começou em 1999, nosso quinto álbum está saindo agora, com o Pedro que é um MC peruano que nos acompanha desde o álbum anterior. O nome é Transcontinental Hustlers. Quando eu pegar o CD master, vou jogar na Lagoa Rodrigo de Freitas, porque todas as letras foram escritas lá.
Eu voltava das turnês com a cabeça transbordando de merda, que nem um banheiro público depois do carnaval, saía de casa todas as manhãs, caminhava até a Lagoa e escrevia por horas. A maior inspiração veio daqui, com toda essa solidariedade, esse espírito, um cara do Leste Europeu na América Latina.

Algum convidado brasileiro?


Não, artistas convidados são para discos de hip-hop. Com o Gogol Bordello eu curto fazer um projeto mais conceitual, um álbum mais fechado. Minha maneira de escrever é bem documental, então quando eu digo influência brasileira não quer dizer que vai começar com uma batida de samba, esse não é meu estilo. Significa que são histórias do povo brasileiro, de pessoas que eu conheci. A frequência da energia do país. Ao mesmo tempo eu sei que nossos fãs vão chamar esse disco de “álbum brasileiro”, há muitas texturas.

Mas você está envolvido em outros projetos com artistas brasileiros, não?

Sim, estou há tanto tempo por aqui que é natural fazer algo junto com músicos que conheci aqui. Há uma faixa se desenvolvendo ali, outra aqui e a ideia é juntar tudo depois no estúdio Casa do Cigano do meu amigo Ricardo. É pequeno mas eu gosto. Aqui no Rio, existem muitos artistas talentosos que estão dispersos e não se conhecem ou não ouviram uns aos outros, e é legal vê-los se conhecerem através de mim. Eu acho que quando ficar pronto, vai ser bem único.

Esse projeto tem nome?

Até agora “Que porra é Essa?” Cada faixa vai ser diferente da outra, temos o funk  temos um pouco de samba, flamenco. É um monte de coisa doida misturada.





E Hollywood, como você chegou lá?


Ah para. Eu não sou ator de verdade! Não tenho opinião a respeito. As pessoas falam pra eu me mudar pra LA e investir na carreira, mas isso não tem nada a ver comigo. A cada dois ou três anos alguém me procura para fazer filme, e se a companhia for boa, eu gostar do roteiro e tiver tempo, eu faço. Mas meu amor é a música, nada é igual a isso. Existe uma lavagem cerebral que faz as pessoas acreditarem que, se você está na telona, é Deus. Pessoas inteligentes sabem que é mais que isso. Me diverti muito nos meus filmes porque estava em boa companhia e o papel era bom. Há um mês, na Ucrânia, conheci o Kusturica. Nesse caso, eu digo sim a qualquer momento. Deve rolar algo no futuro.

E a Madonna? Como rolou essa história do filme?

Ela me ligou… Pegou meu número com um amigo.

Tipo, “Alô, aqui é a Madonna”?

Ela deixou primeiro umas cinco mensagens na caixa postal antes de eu acordar. Eu não fiquei muito surpreso, porque muita pessoas vinham me dizer que ela era fã da banda. Uma coisa legal dela é que, se ela é fã, é fã de verdade! Ela sabe ser fã! Eu também sou assim. Então, ela me ligou e disse, “Cara, quero fazer algo com você. Não sei o quê, mas preciso fazer!” E eu ri, não tinha nenhuma ideia do que fazer, faltavam duas semanas pro início de uma turnê. Acabei sugerindo um curta. Aí acabamos fazendo um filme inteiro. Foi meio assim.

E como foi dar rolê com ela no Carnaval do Rio? Milhões de seguranças?

Não cara, só as vezes. Ela é bem legal, cara! Vários caras do hip-hop e outros tipos de música batem ela em termos de entourage, muitos caras não saem de casa sem umas 40 pessoas atrás. Com a Madonna foi bem normal. Uma das minhas coisas preferidas no Rio é ir nos ensaios das escolas de samba. Mas fui a um desfile pela primeira vez com ela… E vou te dizer, prefiro os ensaios.

E baile funk? Você costuma ir?

Eu já fui… Precisava ir, porque fui um dos primeiros DJs a tocar funk carioca em NY, na época em que era bem tosco, parecendo que as pessoas reinventaram a música do nada. Curto esses fenômenos porque é sempre interessante ver algo sair do nada e chegar ao topo. Infelizmente existem vários aspectos negativos no baile funk, e poucos funks com mensagens sociais. Mas ainda aprecio esse fenômeno. Acho que se os artistas não desistirem e continuarem progredindo pode se transformar num gênero muito legal. O Gogol Bordello foi formado com gente de vários países, todos obcecados com a música cigana. Tínhamos um movimento e fomos bem sucedidos em transformar isso num gênero – basicamente o mesmo processo do reggae nos anos 70, quando era apenas uma coisa exótica tipo o calypso, e graças a Marley e outros se transformou num fenômeno mundial de verdade. Hoje você vai numa loja de música e tem uma prateleira inteira de rock cigano. Antigamente eram uns cinco CDs. O mesmo acontece com o funk lá fora, ainda está brigando por espaço! Ainda precisa de um par de artistas pesados para elevá-lo a outro nível, provavelmente Sany Pitbull seja esse cara.

Acho que deu né?

Porra… Não estava esperando que você fizesse o que os jornalistas malas fazem, tipo me perguntar sobre a Madonna… Sou amigo dela há três anos… E sou amigo do Manu Chao há dez! Ele é meu maior herói!

Meu também!

Amizade com ele pra mim é… Muito mais importante que com a Madonna… É engraçado termos falado dez minutos sobre ela e trinta segundos sobre Manu.

Fala do Manu então, porra! Como vocês se conheceram? Ele te ligou também?

Não! Foi muito engraçado… Quando comecei o Gogol em NY…

Eu vi um show do Manu no summerstage do central park em 2001.


Exato! Eu estava lá! Eu abri esse show!

Puta que pariu! Era você? Me lembro que a assessoria de imprensa disse que “uns doidões do leste europeu” iam abrir o show!


Foi nesse dia que o Gogol Bordello virou uma banda de rock de verdade! Também foi nesse dia que um monte de latinos se tornaram nossos fãs. Mano Negra e The Clash sempre foram minhas bandas favoritas. Assim que saiu, ouvi por acaso o primeiro álbum solo do Manu, então o meu amigo William, que faz a curadoria no summerstage e é ucraniano, me liga dizendo “preciso de uma sugestão de algo maneiro de world music! Nada de caras do Oriente Médio tocando cítara, quero algo com pegada rock!” Ai eu falei pra ele do Manu, disse “compra o disco, leva pra casa e liga pro cara”. E ele fechou o show! Ai falei pra ele “Eu te dei essa ideia, agora você tem que me colocar pra abrir o show!” (risos). Ele disse que eles já tinham uma banda espanhola no pacote e eu disse “balela! Por favor, manda minha demo pro Manu!”. E ele mandou. O Manu nunca tinha ouvido falar do Gogol, mas ouviu, curtiu e topou a abertura. Conheci ele na passagem de som, depois tocamos juntos de novo na Europa.

Que doideira! Eu também estava no backstage, e depois fui numa festa.

No Bulgarian Bar!!! Depois que fechou ficamos tocando na calçada com o pessoal da Radio Bemba numa jam interminável. Eles fazem isso o tempo todo. Fiesta? Aonde? Aqui! Fiquei animadão “esses caras são que nem ciganos!” Manu sempre foi uma grande inspiração e um dos primeiros a me falar sobre o Rio, então eu vim conferir e já estou quase há dois anos nessa.


Saiba mais:
www.gogolbordello.com