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Fri: 04-09-10

Gigante Animal . Ténn
Independente . 2009

O Gigante Animal é do tamanho da atual fase do rock independente nacional. Nem tão lá nem tão cá, o quarteto formado em 2006 demonstra cuidado e sofisticação tanto na produção como no resultado final, que por si só informam muito sobre suas virtudes. Em todos os quatro EPs gravados, cada um com três sons, a produção é esmerada. A cada passo, o grupo compartilha o processo de descobrimento das próprias potencialidades, como quem descobre o amor – ao vivo, o grupo é uma experiência passional de timbres, variações e harmonias.

O que é apenas sugerido nas letras um tanto vagas é preenchido pelos sons – tal qual o nome da banda, uma síntese de estranheza e retidão. A distribuição dos EPs é feita nos shows e com base na troca de e-mails: você manda uma mensagem e leva um dos EPs, acompanhado de um link pra baixar os que faltaram. Esse equilíbrio entre expor a procura pela musicalidade e se colocar criativamente no mercado, combinado com o já referido estranhamento, são a marca de um determinado segmento da música urbana jovem atual.

Tomemos trechos do último trabalho da banda, “Ténn”: “E esse cinza que não passa/ sem graça, passará!” (de “Cinza”), “depois pra sempre não há/ quem disse que pra sempre será?” (de “Ah, Tá Bom”) e “passa passa passará/ seus dias nunca vão voltar/ passa passa passará/ tenho medo de me arrepender/ a seco, acertos descontos” (de “Pelo Reflexo”), recortes que passeiam, ao fim e ao cabo, pela perda da inocência e por ritos de passagem à moda dos melhores romances de formação.

E, assim como o talento dos recifenses do Nuda, que em muito se irmana com o Gigante, a fórmula musical é o que poderíamos chamar de pós-Los Hermanos: romantismo jovem, um hibridismo que busca a amenização de temas locais e estrangeiros. Mas, enquanto o Nuda se vale de cores vibrantes e tropicais para alcançar tal empreitada, o Gigante se esmera no reaproveitamento do combalido indie rock saído do pós-hardcore estadunidense. E é nesse método de tentativa e erro tão abertamente exposto que reside o interesse em acompanhar o amadurecimento estético do grupo – ainda que tudo, por fim, fique cinza.

Por Arthur Dantas