Durante a entrevista que o editor Mateus Potumati fez com Fabrício Nobre do MQN, o músico também falou um pouco discos, singles, projetos, turnês e família. Leia o que ficou de fora da entrevista publicada na Revista +Soma 16.
“Television In Full Colour”
A gente lançou uns discos assim: em 98 / 99 lançamos em demo K-7, feito a mão, eu e Jorge fizemos e cortamos as capas e montamos as fitas, gravado numa copiadora de uma igreja que o Jorge tinha o canal com a tia dele, o “Television In Full Colour”, e também em cd prensado na Sonopress e tal... dois formatos. Mas o disco, era uma demo mesmo feita por uma banda que era cover e estava se encontrando, não lembra em nada ou muito pouco os 12 anos seguintes. A gente nunca mais tocou estas músicas, o disco saiu independente total e não pela Monstro. E um novo MQN se estabeleceu.
Single: “A Car Goes Fast"
Depois lançamos um single em vinil com "A car goes fast" (que tem uma outra versão no álbum posterior) e a instrumental "1:13" (dentro da tara que a gente tinha por Surf Music, sempre gravamos algo que remete a Surf Music nesse começo da banda). Foi um split com Thee Butcher's Orchestra, ainda gravado aqui em Goiânia, num estúdio comercial, bem profissional e tal, mas hoje por exemplo especializado em DVDs de duplas sertanejas e/ou gospel. Mas o lance começou a ficar legal, o Adriano "Butcher" Cintra que mixou o disco, o disco saiu pelos selos Monstro e Ordinary, capa do Maurício Motta (HTS), tudo bonito!
Single: “Devil Woman / 13 Nights”
Então saiu “Devil Woman / 13 Nights” (um cover de Monkeywrench, projeto paralelo dos caras do Mudhoney / Tim Keer, e outros) ... vinil classe, quem fez a capa foi o Nic, um cara que fazia tudo da Bidê ou Balde na época.
“Hellburst”
Daí fomos para os USA gravar o “Hellburst”, pela primeira vez (ou uma das primeiras vezes) um disco de rock em Goiânia foi aprovado na Lei de Incentivo a Cultura, era uma grana que a gente nem sabia como usar, mas os estúdios e captadores daqui sabiam claro. Eu dei uma estudada, usei um projeto de parceiro de base, e aprovamos e captamos sozinhos o recurso. O pessoal do Man Or Astroman já tinha feito a segunda tour no Brasil, Mudhoney também, eu acho... e por meio deles recebemos o convite para gravar no Zero Return Studio, foi massa. Primeira vez pelo menos para mim fora do Brasil, gravando com ídolos, correria e tal. A grana da lei, que mal dava para gravar aqui, deu para gravar lá, pagar as passagens, o role todo, e ainda ter um compacto em vinil. A capinha feita com foto de estúdio de um amigo nosso foda chamado Bruno e o design do Maurício Mota. Nos 100 primeiros discos vinha um patch da banda junto de brinde, estes dias vi no case do Gabriel dos Autoramas esse patch, e vi umas fotos do Wry recentes com Mario usando o mesmo patch. O disco saiu mesmo em 2002, e no final do ano entrou e, várias listas, top 10 da Dynamite, top 50 da Folha de São Paulo, melhor disco de rock nos jornais locais. Foi muito legal. O disco saiu no mesmo ano que “Anticontrole” dos Walverdes,
“Bad Ass Rock And Roll”
Depois a gente seguiu tocando, um monte mesmo, festivais, abrindo shows gringos, um monte de confusões, numa viagem destas acho que para Curitiba a gente conheceu o Iuri Freiberger, que tinha gravado Proto, Violins, Reu e Condenado e um monte de bandas gauchas, e principalmente os Walverdes e Frank Jorge, que sou fã. O bicho vai para sua casa, mora lá e grava discos, com estúdio, lap top, ou alugando um estúdio foda. Isso já em 2004, já casado com a Gabi, estamos juntos desde de 94, Iuri veio morar na minha casa, na casa dos Reu e Condenado, na casa do Márcio do Mechanics e gravou um monte de discos aqui, até 2006 eu acho. A gente gravou guitarras baixo e bateria no mesmo estúdio UP Music (aquele especializado em DVDs locais), mas com uma ótima sala, e as vozes no banheiro da casa do Daniel Drehmer (Réu e Condenado), a ainda mixou o disco na chácara do Miranda (batera do MQN), com Iuri, seu lap top e cerveja... eu nem fui, mas dizem que deu certo.
Saiu um single em 2004 mesmo, outro split agora, com os Argentinos do Satan Delears pela Monstro e Scatter Records, nosso grandes parceiros da Argentina. E saiu o cd (“Bad Ass Rock And Roll”) em 2005, começo do ano, tipo fevereiro. A gente fez um show de lançamento do caralho no Martim Cerere, onde a pessoa compra o disco e ganha o ingresso, LOTOU FUDIDO! O Iuri, que agora já tinha um quarto aqui em casa (hoje é o quarto da Ana e da Lara, mas já se chamou "quarto do Iuri"), gravou esse show ao vivo (falamos dele já já). Todo mundo gostou, o MQN era uma banda referencial para o Indie/Rock e agora Stoner Rock brasileiro. O disco saiu no mesmo ano do “Playback dos” Walverdes, e ambos apareceram em várias lista de melhores. Cachorro Grande cantou com a gente no disco, o role aconteceu.
E aí, a gente tocou mesmo, mesmo... recém casado, sem filhos, todo o gás do mundo, tocamos fora, tocamos em tudo que é festival, inclusive aqueles que a gente já tinha tocado... foi foda, acho que gente em dois anos, fez mais que 50 shows em cada. Tocou muito, muito, muito!
Lançamos um EP ao Vivo com esse show que o Iuri gravou no lançamento. E o trem foi indo, tocando, até que Jorge (cansou), antes de uma tour no nordeste que faríamos com Bois de Gerião, iríamos tocar no festival de Garunhuns, no DoSol e um monte de show.
Projeto Fuck CD Sessions
Enquanto a gente começava a gravar o primeiro single “Fuck CD Sessions - Buzz in My head” (letra do Mini dos Walverdes, inclusive), o Jorge pediu para sair. Nego ficou puto, ele era bem dedicado e grande amigo (é até hoje, vai ser sempre), mas vinha ficando de saco cheio. Quem estava gravando o disco era o Gustavo Vazquez, ele vinha gravando umas bandas daqui, e uma até com o Iuri junto. Ele um dia falou "se precisar de outro guitarrista, é só chamar"! Ele tem um história no metal local e brasileiro, mas naquela época tava tocando baixo com Rockefellers e Rollin' Chamas (ambas lançadas pela Monstro). Quando o Jorge saiu, em um mês ele já estava na banda, regravando os baixos, colocando o estúdio a disposição pra gravar e encarando as tours com todo prazer do mundo.
Entramos de cabeça no projeto do Fuck CD Sessions, iam ser 6 singles ao longo de um ano, entre 2007 e 2008. A gente tocou pra caralho! Muito mesmo, fomos para tudo que é canto, Gustavo deu um novo gás para banda. Na Argentina, a Scatter lançou um compilado exclusivo chamado “Ten Long Years” comemorar os dez anos de banda e tocamos lá. Gravamos os singles e a edição extra do Fuck CD Sessions na Trama em 2007, com Rodrigo Sanchez (CSS, Móveis e outras), saiu encartado em revista, split com Forgotten Boys e tal... a banda tocando para caralho! MUITO!
Mas no final de 2007 e começo de 2008, três coisas aconteceram, que pelo menos para mim, deu uma quebrada no ritmo. Um: minha filha Ana nasceu em outubro, o trabalho na ABRAFIN (Associação Brasileira de Festivais Independentes) se intensificou muito e fomos convidados para tocar SXSW 2008 e bundamos, não deu para ir. Nego não estava disposto a fazer a mesma tour correira, e deixar trampo, perder as férias da família para ficar um mês tocando direto e dormindo no show, nem aqui nem nos USA.
A fabrica de vinil fechada, todo mundo cada vez mais fudido de trampo, a gente resolveu desacelerar, mesmo, para não parar e fazer só o que fosse mesmo do caralho.
Então gravamos os outros dois Fuck CDs, o "Breakin' Crystal Stones" em casa com música e produção do mestre Vazquez e o "Get Lost" também em casa (hoje a gente chama de casa o studio RockLab do Gustavo Vazquez) com a produção do meu segundo pai Carlos Eduardo Miranda. Naquele ritmo, vinho, comilança e duas músicas gravadas em uma semana inteira.
Estamos nessa, ainda estamos fazendo o Fuck CD 5, que já está gravado, falta só a voz e tudo do 6.
Dez Anos Depois...
Fazendo filhos, casando e topando projetos malucos como tocar junto (ao mesmo tempo) com os Walverdes. Acho que 2009 a gente fez tipo 15 a 20 show e ensaiou tipo 10 vezes. O que já foi 60 a 80 shows por ano, e para quem já teve estúdio próprio de ensaio para poder morar lá tocando se possível, tá meio lento. Mas as famílias crescem, para se ter uma ideia, tenho duas filhas (Ana 2 anos, Lara 3 meses) e CJ acabou de ganhar a Mariana, tem tipo uma semana de vida. Eles escreveu para gente, que quer ficar até abril sem viajar pra tocar, mas que vai levar um álbum novo composto. Hehehehe... a vida segue e o MQN segue junto.
Leia a entrevista publicada na +Soma 16 aqui.