Entre os projetos paralelos Circus Devils, Boston Spaceships e sua carreira solo, Robert Pollard lançou nada menos do que seis discos em 2010. Conhecido pela produção prolífica, o eterno líder do Guided by Voices cai às vezes no truque da repetição de fórmulas. Porém, quando acerta a mão, tem poder suficiente para criar um dos melhores discos do ano, ou da sua vida. "Moses On A Snail" está na segunda categoria, certamente. Um dos motivos é a originalidade. Pollard continua sendo um homem de belas melodias e vocais que mergulham nas profundezas obscuras de bandas como Beatles ou R.E.M. (e essa repetição de fórmula os ouvintes apreciam), mas desta vez parece estar mais animado com novas possibilidades de arranjo. "The Weekly Crow", faixa de abertura, leva na calmaria um saxofone que pontua toda a canção. "Arrows and Balloons" e "Ice Cold War" pegam a produção clássica do GBV e a contextualizam para 2010, lembrando The Who. Já "Big Time Wrestling" e a faixa título, "Moses On A Snail", são dois grandes exemplos da nova safra de composições, e, assim como a balada "Teardrop Paintballs", vão além. Como disse Eddie Vedder, do Pearl Jam, em declaração que foi parar no site oficial do disco: "Se fosse de qualquer outro grupo, seria sua obra-prima, mas no caso de Bob foi apenas um bom-dia".
Por Marcos Diego Nogueira