Nascido em Detroit e muito bem criado ao som de A Tribe Called Quest, De La Soul e outras pérolas do estilo, Curtis Cross descobriu logo cedo que tinha talento para a coisa. Desde criança, metia-se a fazer batidas com uma bateria eletrônica ligada a um sistema de karaokê no porão de casa. Quando comprou sua primeira MPC, deslanchou de vez, gravando fitas com suas produções. Por obra do destino, uma dessas fitas foi parar no estúdio de J. Dilla e Slum Village, que convidaram o garoto para participar da mixtape "Dirty District", lançada em 2002, quando ele tinha apenas 19 anos. Daí para a frente, foi se criando a história de Black Milk, um dos maiores prodígios do hip-hop atual. O rapaz não saiu mais do estúdio, aprendendo lições com Dilla, moldando seu estilo pessoal fazendo beats para os melhores artistas da cena de Detroit e se aprimorando também como MC. De 2006 para cá, lançou três álbuns solos, mostrando uma evolução impressionante, além de produzir dezenas de tracks para outros artistas. Seu novo trabalho já diz a que veio no título: "Album Of The Year".
Conhecido por baterias agressivas e quebradas com timbres que ensurdecem o quarteirão, o produtor formou uma banda para a gravação e a produção das novas faixas, intensificando ainda mais o peso de seus beats com uma pegada rockeira e um suingue funky. Não satisfeito, o rapaz ainda cria levadas com um flow que aposenta grandes veteranos do rap. Com esse disco, Black Milk deixa definitivamente de ser uma promessa para se tornar uma das melhores realidades do rap americano.
Por Daniel Tamenpi