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Thu: 11-25-10

M.I.A. . / \ / \ / \ Y / \ N.E.E.T./XL/Interscope . 2010

Os últimos anos não foram muitos bons para Maya Arulpragasam, mais conhecida como M.I.A. O primeiro tombo foi em meados de 2008, quando a MC anunciou sua aposentadoria depois de ser acusada pelo colega DeLon de glamourizar a imagem do terrorismo. Essa saída de cena não poderia ter ocorrido em um momento mais inoportuno. Seu segundo disco, "Kala", estava começando a fazer sucesso nas rádios, graças ao uso de uma de suas faixas no trailer da comédia maconheira "Segurando as Pontas".M.I.A., porém, não manteve sua promessa por muito tempo: no primeiro semestre deste ano, foi anunciado o lançamento de "/ \ / \ / \ Y / \", acompanhado de um videoclipe no mínimo polêmico para o single psycho-punk "Born Free".

Mais prejudicial que as acusações de terrorismo, no entanto, foi uma crise criativa exposta nas páginas da "New York Times Magazine" no último mês de maio, em que seu ex-produtor e ex-namorado Diplo a definiu como uma DJ superestimada. Alegando que sua antiga paixão "não sabe fazer música nem arte tão bem assim", ele afirmou que diversos produtores trabalharam duro para elevar a qualidade de seus álbuns. O autor do artigo foi além, retratando-a como uma farsante egocêntrica que canta as mazelas do terceiro mundo em uma mansão em Los Angeles na companhia de um noivo socialite. Irritadíssima, M.I.A. retaliou divulgando o telefone do jornalista no Twitter e acusando a imprensa de misoginia.

Com todas essas atribulações em mente, não chega a ser uma surpresa que "/ \ / \ / \ Y / \" soe como o produto de uma crise de identidade. Em seus dois primeiros álbuns, o pulsar dos tambores e os cantos tribais eram um cartão de visitas que a diferenciava dos demais. Desta vez, porém, ela não se atém a um único estilo. Em vez disso, vai do electro ao punk, e depois ao reggae, sem parar para respirar, criando momentos de tédio que nem de longe lembram seus trabalhos anteriores.

A maior parte das longas 16 faixas de ‘/ \ / \ / \ Y / \" é enlouquecedoramente repetitiva e extremamente irritante. Os floreios de produtores como Blaqstarr, Switch, Rusko e Diplo só conseguem acrescentar um fundo genérico de bips e blops.
"Arular" e "Kala" estão entre os melhores discos desta década justamente por sua fusão de batidas intensas com melodias interessantes. Desta vez, faixas como "Lovalot" não trazem nem ao menos uma rima, apenas um vocal sampleado que se repete ad nauseum. São deficiências como essa que transformam o álbum em um grande apanhado de ideias mal desenvolvidas, e poucas são as músicas que conseguem parecer mais do que um remix bizarro de um álbum já esquecido.

Por Sean Edgar