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Wed: 11-17-10

Massive Attack . HSCB Brasil

Por Marina Mantovanini . Fotos por Julie Asdurian e Fabíola Geia

Depois de sua passagem não muito satisfatória pelo Brasil em 2004, o Massive Attack resolveu as pendências que tinha com o público brasileiro na envolvente apresentação que fez na noite de ontem no HSBC Brasil. O duo britânico, formado pelo produtor e vocalista Robert "3D" Del Naja e por Daddy G, veio acompanhado da voz doce de Martina Topley-Bird, do jamaicano Horace Andy (colaborador de longa data do Massive Attack) e da diva do soul Deborah Miller. O trio de vocalistas revezou os microfones com a dupla de fundadores do MA, e garantiu um equlíbrio sonoro, ora sombrio, ora sensual, ao show.

A noite começou com "United Snakes", do EP "False flags" (2006) e enquanto as batidas eletrônicas marcadas por downbeats iam aquecendo os fãs, a iluminação fazia sua parte e criava uma atmosfera sinistra. Junto às (poucas) luzes e a cortina de fumaça, um painel eletrônico despejava palavras em português e frases de famosos pensadores como Goethe e Gandhi. O telão, aliás, foi um show à parte - durante toda a noite, as projeções dialogavam com o público e incitavam questões sócio-políticas brasileiras, pregavam a liberdade e questionavam a violência social dos países da América Latina.

Enquanto o clima esquentava no HSBC, Martina entrou no palco para cantar "Babel", do novo e elogiado disco "Heligoland". A voz irregular e cheia de contrapontos da moça casou muito bem com a linha de baixo post-punk da música. Martina fez a sua segunda entrada para cantar a esperada "Teardrop", que foi tocada com um arranjo diferente da original para se encaixar no timbre da cantora. Na voz etérea de Horace Andy, a obscura "Angel" ganhava contornos densos e provocava um transe na plateia, mas foi "Safe From Heart" e sua alucinante batida eletrônica acompanhada por duas baterias sincopadas que colocou a plateia aos pés do Massive Attack.

Fim da primeira parte do show e a banda volta para o bis. "As Were Leaving" foi a música escolhida para retomar o controle da noite, seguida de "Splitting The Atom", "Unfinished Sympathy" , interpretada pelos agudos de Deborah Miller, e "Atlas Air". Sob aplausos incessantes, o Massive Atack volta e manda o dub-reggae "Karmacoma", do álbum "Protection". A plateia canta em uníssono e os músicos deixam o palco ovacionados.

"Se inocente, não tem nada a temer", a frase, que estava entre as dúzias que apareciam no telão, se encaixou perfeitamente neste show, e os maus momentos de 2004 definitivamente foram deixados pra trás.