Por Marina Mantovanini, de Uberlândia, a convite do Festival Jambolada/Conexão Vivo. Fotos Queijo Elétrico
A primeira noite do Jambolada 2010, festival de música independente que acontece há seis anos em Uberlândia, reuniu na casa de shows Acrópole um bom público na noite deste sábado 16. Além dos shows, a programação também contou com ações performáticas, parte do projeto Jamboencena. Apesar de alguns problemas com a organização - o último show, marcado para 1h30, só começou às 3h -, a noite teve ótimos momentos, como os shows dos paraibanos Cabruêra e dos argentinos Falsos Conejos.
Cabruêra (PB) + Falsos Conejos (AR)
Uma exaltação à cultura popular e regional da Paraíba, o show da Cabruêra mistura elementos do folclore brasileiro com ritmos ligados à música contemporânea. Desde 1998 na estrada, a banda afinada apresentou no palco a maturidade de quem já percorreu diversos festivais pelo Brasil e mundo afora. A música eletrônica, presente em algumas canções dos discos da banda, ficou um pouco de fora do show, mas mesmo assim a Cabruêra fez uma apresentação muito bem executada e fez todo mundo cantar em hits como “Doce de Coco”.
Além das músicas próprias embaladas pelo ska, em que os metais chamam atenção pela força expressiva, os músicos executaram um pout-pourri, que passou por marchinhas conhecidas, sambas-enredo do famoso carnaval carioca e terminou em uma versão rock da cantiga de roda “Escravos de Jó”. E o melhor de tudo isso é ver a plateia dançar em ciranda, revivendo os tempos áureos do cancioneiro popular brasileiro.
Em turnê pelo Brasil para apresentar seu segundo disco, “YYY”, e longe do clichê do tango-portenho-eletrônico, o trio argentino Falsos Conejos é uma boa surpresa do Jambolada 2010. A enérgica apresentação da banda de rock experimental, que bebe claramente na fonte do post-rock instrumental, foi um ponto alto da noite. Distorção no talo, bateria pesada e baixo rasgado criaram lentamente uma trilha sonora, que variou entre momentos intensos e uma calmaria harmônica calcada no jazz e no dub.
Emicida (SP)
Um dia antes da grande noite de lançamento da mixtape "Emicídio" em São Paulo, Emicida subiu no palco do Jambolada para tocar músicas do seu novo lançamento, junto com as pedradas da sua primeira mixtape “Pra quem já mordeu cachorro por comida, até que eu cheguei longe”. Acompanhado pelo fiel escudeiro DJ Nyack, Emicida mostrou que a qualidade de seu flow e de suas músicas consegue segurar a bronca na frente de uma plateia que praticamente desconhece seu trabalho. A força da apresentação ficou por conta da maturidade que o MC atingiu ao longo do último ano.
Otto
A atração mais esperada da noite, Otto subiu ao palco da Acrópole por volta das três da manhã. O show começou com a melancólica "Filha", um dos hits do último e elogiado álbum "Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos". Muito à vontade, como sempre, Otto se contorceu, rebolou e arrastou a plateia, que não parava de cantar, para perto do palco. A psicodelia presente em seus shows é cortesia da mistureba sonora em que ritmos brasileiros se fundem ao som eletrônico, seja em colagens inventivas de maracatu com drum'n'bass, de baião com música brega ou de hip-hop com rock. Mas não é só Otto que faz bonito no palco, a banda formada pelo onipresente Catatau e pelos músicos Bactéria, Boca, Beto Gibbs e Rian não deixa a peteca cair. O show inebriante é um dos melhores na música brasileira atualmente.