Domino Records . 2009
Antes um projeto do guitarrista Dave Longstreth, o Dirty Projectors apresenta este Bitte Orca como uma banda completa. De formação tão inusitada quanto sua música, aliás. Acompanhando guitarras, teclado, baixo e bateria, além da voz de Longstreth, três garotas também cantam. As vozes, no entanto, parecem adequar-se mais à função de instrumento do que de fio condutor, algo evidente em músicas como “Remade Horizon” e seu “teclado de gogós”. As guitarras de Longstreth são um capítulo à parte. Nota-se que a inspiração é africana, mas, mais que clonar o DNA rítimico do highlife e do afro beat como faz a maioria de seus pares atuais, ele prefere mutar seus fraseados, refazendo a travessia do Atlântico rumo ao caribe. Dos mais belos exemplos de virtuosismo não masturbatório. Se desde 2002 – quando lançou seu primeiro álbum ainda sem o nome Dirty Projectors, e principalmente após o lançamento do anterior Rise Above, uma releitura bastante pessoal do clássico do Black Flag – Longstreth tem se destacado por buscar, com uma grande variação de resultados, soluções criativas para o embate entre o experimentalismo e o pop convencional, aqui finalmente ele consegue encontrá-las. Não por acaso, Bitte Orca briga pelo título de disco do ano com outro que apresenta exatamente a mesma proposta (por vias diferentes, obviamente): Merryweather Post Pavillion, do Animal Collective. O exemplo mais redondo é “Stillness is the Move”, primeiro single, que se escora na estrutura de um R’n’B de FM para se constituir como uma colossal porta de entrada ao universo da banda – não seria muito estúpido supor que, com sua letra repleta de chavões roubados de canções populares e seu refrão grudento, faria sucesso na voz de Rihanna ou alguém do tipo. E o mundo seria um lugar mais feliz.
Por Dago Donato