+REVIEWS


Fri: 09-18-09

Big Star . Keep an Eye on the Sky

Rhino . 2009


Certa vez, Brian Eno fez um comentário sobre o Velvet Underground que se tornou célebre: poucas pessoas compraram seus discos, mas cada uma delas montou uma banda. As vendas do Big Star não poderiam ter sido muito diferentes, mas o impacto posterior da banda é quase tão significativo quanto. Em apenas dois álbuns completos e um terceiro costurado a partir de gravações mal-sucedidas, o Big Star deixou um legado ao mesmo tempo triunfante e desolador, que inspirou bandas tão distintas como Cheap Trick, R.E.M., the Replacements, Teenage Fanclub e Jeff Buckley. Na verdade, se não fosse pelos fãs importantes, a música de Chilton, Chris Bell e companhia poderia ter sido esquecida. Felizmente o que é bom sempre acaba vindo à tona, e hoje é difícil imaginar o mundo sem o Big Star.

Levando em conta que a banda durou apenas alguns anos, em meados da década de 1970, o mito Big Star se alimenta de uma fonte modesta: apenas aqueles dois primeiros álbuns, #1 Record e Radio City, a obra-prima conturbada e tardiamente lançada Third/Sister Lovers, e, de forma secundária, I Am the Cosmos, obra solo póstuma do guitarrista e vocalista Chris Bell. Como o trabalho solo de Bell vem sendo trabalhado separadamente, restaram apenas aqueles três álbuns e suas derivações para dar corpo à nova caixa Keep an Eye on the Sky. Por isso, não é de surpreender que a caixa chegue logo às pérolas que conhecemos e adoramos, claramente influenciadas pelos Beatles, Byrds, Beach Boys e outras bandas com B, mas trazendo versões distintas dessas sonoridades tão familiares.

Falando em versões, dezenas de demos e takes alternativos oferecem uma história paralela sobre o que poderia ter acontecido, caso a banda tivesse sido menos meticulosa ao construir e aperfeiçoar seu proto power-pop. Se as estas alturas nenhuma mixagem nova mudará de forma significativa os registros cravados na memória de todos que conheceram a música do Big Star, Keep an Eye on the Sky nos encoraja a ouvir essas faixas com novos ouvidos, reconhecendo como a banda foi bem sucedida ao usar o estúdio como ferramenta. Isso é especialmente verdadeiro em relação às faixas aleatórias porém comoventes de Third/Sister Lovers, que precisou ser concluído pelo falecido produtor Jim Dickinson, após a deserção de Alex Chilton, líder da banda. A extasiante “Thank You Friends”, a mórbida mas inesquecível “Holocaust” e “Lovely Day” (recriada mais tarde em “Stroke It Noel”), por exemplo, crescem exponencialmente de demo a produto final. Comparadas a essas revelações, as faixas ao vivo compiladas no disco quatro são mais uma volta olímpica do que material de audição obrigatória, mas elas ainda servem como afirmação do que o Big Star poderia ter sido, caso tivesse conseguido durar tempo suficiente para que mais pessoas pudessem apreciar sua música.

Por Joshua Klein . Tradução Janaina Felix