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Tue: 09-15-09

David Bazan . Curse Your Branches

Barsuk Records . 2009


David Bazan trocou a certeza pela dúvida. Se outrora foi o porta-voz da música indie cristã, à frente do extinto Pedro The Lion, agora ressurge alinhado com o discurso agnóstico, questionando seus antigos valores e expondo seus dilemas numa espécie de terapia pública. Curse Your Branches, seu segundo trabalho solo (o primeiro foi o EP Fewer Moving Parts, de 2006), eterniza em 10 canções a fase de contestação do artista. O que não mudou – e para muitos é apenas isso que importa – foi a qualidade da sua música. A mesma voz sincera e emotiva que louvava agora “prega” o questionamento. “É difícil ser um ser humano decente”, canta Bazan logo na primeira faixa (“Hard To Be”), resumindo seu estado de espírito e, ao mesmo tempo, alertando o ouvinte para o que o aguarda no restante do álbum. Mas não pense que isso significa um disco soturno ou melancólico. O ritmo alegre de “When We Fell”, por exemplo, chega (quase) a destoar do peso das palavras, que em certo momento anunciam: “Se minha mãe chorar quando eu lhe disser o que descobri/ eu espero que ela se lembre que me ensinou a seguir meu coração/ E se você a intimidar, como fez comigo, com o medo da condenação/ então eu espero que ela possa vê-lo como você é”. Será necessário explicar com quem ele está travando esse diálogo? Bazan não chega a negar a existência divina, está apenas manifestando cansaço em tentar compreender o incompreensível. “Muito cheio de medo e de profecias para enxergar a revelação bem na minha frente/ cansado demais de tentar fazer as peças se encaixarem”, ele confessa em “Bearing Witness”, um indie rock com guitarras de influência country. Fechando o disco, a emocionante balada “In Stitches” comprova que, apesar dos seus esforços, tem sido difícil se afastar de Deus: “A tripulação matou o capitão/ mas eles ainda podem ouvir sua voz/ uma sombra na água/ um sussurro no vento/ em longas caminhadas com minha filha/ que ultimamente está cheia de dúvidas/ sobre você”. Em meio a tantas dúvidas e dilemas, uma coisa é certa: a música de Bazan continua necessária, honesta e bela. Agnosticamente bela.

Por Marcelo Viegas