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Thu: 07-23-09

Bruno Morais . A Vontade Superstar

YB Music . 2009

É sempre estimulante ouvir um trabalho que exala beleza. Em A Vontade Superstar, essa beleza se revela em tom menor, tal qual a voz de Bruno Morais. Autor de canções de amores desiludidos (“Corações partidos/ sigam-me”, sentencia na abertura do disco), ele, como quem não quer nada, nos comunica todo um universo em que o ordenamento das coisas se dá na forma de pequenos toques (como poemas de uma Alice Ruiz, por exemplo), que conferem força ao álbum esmerado e quase barroco.

Quando um músico jovem alcança a completude de um imaginário tão bem acabado, temos que sentar, relaxar e ouvir o que ele tem a dizer com muita atenção. Cada participação em suas canções presta-se a algo. Bocato, Marcos Suzano, Guizado, Rômulo Fróes, Marcelo Jeneci e Régis Damasceno, entre outros, aparecem para dar estofo suficiente para que a tímida exuberância instrumental se case engenhosamente com o canto medido, talvez obra da herança bossa-novista, mas muito mais provável herança de alguém que aprendeu lições de mestres do samba como Monarco e Nelson Cavaquinho – que aparece na sintomática “Pode Sorrir”, parceria com Guilherme de Brito. O que era dor pela humilhação da mulher que abandona o lar torna-se cinismo, o erguer o queixo de alguém que não demonstra a dor que de fato sente. E essa música acaba por definir a alma de todo o trabalho e seu engenho. Talvez o único porém seja o balanço rarefeito de uma canção como “Planos”, na qual o autor parece tentar resolver algo de seu trabalho inicial, devedor da tradição black, que funciona tanto quanto a musica de baile de um Max de Castro ou similares. Ainda que para algum ouvinte isso possa dizer algo, embarcar em tradição tão infrutífera é um despropósito em uma obra de resto tão bem acabada. A Vontade Superstar, como entrega o título, exprime a vocação de um trabalho em que, tal qual a máxima gramsciana, o pessimismo da inteligência torna-se otimismo pela vontade, conferindo um discreto porém definido lugar na tão incensada nova música brasileira, que muitas vezes se apresenta com muita pompa para tão pouca circunstância.

Por Arthur Dantas

 

Ouça  "Pode Sorrir" aqui.