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Wed: 05-13-09

Leia Entrevista Com High Places

O High Places, que faz shows no Brasil esta semana, deu uma entrevista à +Soma, publicada na edição 6 (julho/08). Enquanto você se aquece, pode lê-la na íntegra e saber um pouco mais (ou relembrar, se já leu) sobre um dos duos mais bacanas da música hoje em dia. Divirta-se e boa leitura.

 

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High Places . Pequenos prazeres

 

Por Alexandre Charro e Rodrigo Brasil

 

 

Formado por um casal de melhores amigos – Rob Barber e Mary Pearson–, o duo do Brooklyn High Places está às vésperas de lançar seu disco de estreia pelo selo Thrill Jockey, de Chicago. Pela primeira vez, eles se deparam com uma realidade nova e diferente: cresceram e estão saindo de casa. Os dois se conheceram por intermédio de um amigo em comum, que tocava na banda The Death Set. Rob morava em Nova York e Mary em Michigan, e a atração foi imediata: “A Mary tem o mesmo entusiasmo pela vida que eu tenho, daí começamos a nos falar direto. Depois de alguns meses ela se mudou para cá e começamos a banda”, lembra Rob. O duo gravou um CD-R demo com seis músicas, seguiu para a Costa Oeste e lá fez sua primeira turnê. “A gente só queria viajar e criar a música que surge naturalmente quando tocamos juntos. Não idealizamos nada. Não sabíamos o que queríamos fazer da vida”, constata Mary.

 

De maneira despretensiosa, eles selecionaram algumas músicas já fora de catálogo, que haviam sido lançadas em 7” e fizeram parte de algumas coletâneas, e disponibilizaram o material em formato digital pelo site Emusic. “Foi uma surpresa agradável. A gente não tinha ideia de como a coisa iria rolar. Pensamos que no máximo cinco, dez pessoas fariam download daquilo”, revela Mary. No final das contas, para surpresa dos dois, a coletânea rendeu boas críticas e alguns milhares de downloads. Para gravar seus discos, Mary e Rob recorrem ao loft onde vivem, povoado por tambores, guitarras, banjo, violão de doze cordas e alguns instrumentos de percussão. Após serem manipulados e modificados, os instrumentos são agrupados em camadas sonoras sobrepostas, que dão vida a ritmos tribais hipnóticos – e, até certo ponto, dançantes. As letras, com um forte tom naif, vão de cartas de amor a pedidos de desculpa a espécies ameaçadas de extinção. Ao contrário do padrão de mixagem da música pop, os vocais ficam imersos no som, e não acima dele.

 

 

Nos shows, Rob usa uma bateria eletrônica e máquina de samplers, enquanto Mary recita as letras e cuida de alguns elementos percussivos. Se os samplers dão maior flexibilidade e liberdade à dupla, perceber o que realmente está acontecendo por trás da execução exige boa vontade. Isso, segundo Mary, não é um problema para os dois: “Acho que as pessoas já viram muitas guitarras em cima dos palcos. Então, tudo bem se uma parte disso estiver em segundo plano. Isso nos liberta para fazer outras coisas, como tocar percussão ao vivo, por exemplo.” Com a visibilidade que a banda vem ganhando, é impossível não surgirem mudanças substanciais no seu cotidiano, o que causa desconforto: “O High Places até hoje significa Mary e Rob, nossa amizade, o loft em que moramos e todo o tempo que passamos juntos. É um pouco estranho pensar que outras pessoas estão tomando decisões por nós. Acabamos de conseguir uma pessoa que cuida da nossa agenda de shows, e isso ajuda um pouco. Mas estamos um pouco tristes por termos parado de marcar nossas turnês e shows pessoalmente. Tentamos responder todos os e-mails que recebemos, mas precisamos focar na música. A possibilidade de ignorar uma mensagem gera um certo estresse.”

 

Essa preocupação pode ser explicada pelo fato de a dupla encontrar prazer em pequenas coisas, seja no desejo de nadar ou caminhar ou em obter reconhecimento de crianças de uma escola primária. “Fizemos três sets seguidos para crianças de idades diferentes, foi bem louco! Uma de nossas músicas virou o hino da escola deles este ano”, diz Rob. Mary completa: “Eles moram numa cidade bem pequena e são bem diferentes das crianças que vejo em Manhattan todos os dias. Talvez sejam um pouco mais protegidos, mais fáceis de impressionar com caixas de som bem grandes. Eles escreveram um monte de cartas de agradecimento, e eu dei um monte de autógrafos! Foi tão legal…”

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Para ver e ouvir:

hellohighplaces.blogspot.com

www.myspace.com/hellohighplaces

Contatos: www.thrilljockey.com