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Wed: 12-16-09

+Quem Soma . Lucas Pexão

 

 

 

 

Por Arthur Dantas . Retratos Maurício Capellari

Batman. Dum Dum. Skate. Fanzines. Garage Fuzz. Jaca. Adão Iturrusgarai. Trampo. Adesivo. Choque Cultural. Christian Strike. Porto Alegre. São Paulo. Punk. Hip-Hop. Fernando Ribeiro. Againe. Beautiful Losers. Mateus Grimm. HQ. Arte. Noz Art. Most. Galeria do Rock. Ed Templeton. Tuna Head. Transworld. Wu Tang Clan. Sebadoh. Carlos Dias. Transfer. Fita Tape. Entrevistar Lucas V. F. Ribeiro, 30 anos, é se jogar numa viagem a subculturas dos anos 1990 e compreender como elas moldaram uma das personalidades mais interessantes da nova cena artística brasileira. Acompanhar a ainda incompleta trajetória de Lucas “Pexão”, como é conhecido por seus comparsas (“quando comecei a andar de skate, um cara começou a me chamar assim, por causa dos olhos caídos, de peixe morto. Eu fiquei brabo, daí fodeu. Mas alguns dos meus skatistas preferidos tinham apelidos como Piolho e Urina, então não pareceu tão ruim”), é entender um pouco o próprio processo de formação do meio em que nosso entrevistado é um dos maiores protagonistas.




Começando Pelo Fim

Pode parecer estranho, mas o responsável pela recém-inaugurada galeria Fita Tape – ao lado de sua companheira, Ana Ferraz – nem sempre viu com bons olhos o trabalho de vender obras alheias. Houve duas influências fundamentais para esse processo: “O Christian Strike (que veio ao Brasil participar da mega exposição Transfer e é um dos responsáveis pela mítica expo Beautiful Losers) foi um cara importante para eu entender que pode ser legal se focar em vendas – o que parecia meio contraditório pra mim. Disse que tem gente que compra pra investimento mesmo, mas tem outros que abraçam a causa, seguem o trabalho dos artistas, discutem arte em um nível muito alto. Eu nunca pensei em ser um art dealer, um Damien Hirst – sempre pensei em viabilizar a carreira dos artistas que eu amo, pra arte deles não virar apenas um lance ocasional”. Nesse sentido, o trabalho de um dos donos da Choque Cultural em São Paulo sempre foi um norte: “Acho genial o Carlinhos [Dias, artista plástico e músico] poder viver de arte, por isso acho louvável o trabalho do Baixo Ribeiro”.

As Origens

Lucas não teve uma infância normal. Sua mãe, Dedé Ribeiro, é uma conhecida agitadora/produtora cultural de Porto Alegre. Seu pai, o falecido cantor Fernando Ribeiro, é um importante e cultuado compositor gaúcho. Fabio Zimbres foi seu padrasto. “Desde muito pequeno eu vivia rodeado de desenhistas legais por causa da minha mãe, como o Adão Iturrusgarai, o Jaca, depois o Fabio Zimbres”. Seu primeiro zine, Ameba Sorridente, dava-se ao luxo de ter colaboradores como Schiavon, Zimbres, Adão e Pedro Alice, por exemplo. E a separação de seus pais trouxe outro elemento definitivo para a formação do galerista: “Meus pais se separaram cedo e meu pai foi pra São Paulo. Até ele falecer, eu ia direto pra lá. Ele era dono do estúdio Vice Versa, que é enorme – hoje é o estúdio da Trama. Eu dava rolê em São Paulo com os motoboys do estúdio: eles me levavam na Galeria [do Rock] pra comprar disco de rap. Quando meu pai largou a música, começou uma relação forte com pintura”. Boa parte da produção de Fernando Ribeiro, inclusive, está na casa de Lucas.




E No Meio do Caminho Havia Um Skate

“Depois veio o skate, no começo dos anos 90, quando ele tava completamente morto. Sou total cria do skate do começo dos anos 90 – todo mundo andava devagar, as roupas imensas, não tinha a menor chance de dar certo como esporte (risos). As trilhas de skate eram impecáveis também – o Wu Tang Clan estava antes nas trilhas de vídeo do que em qualquer outro lugar. Tudo cabia nas trilhas dos vídeos, de rap a Sebadoh. E a arte... nossa! Sou totalmente influenciado pelo Ed Templeton, o pessoal até brincava que eu era fã demais dele. [Templeton] Tinha essa visão do skatista como um novo ser criativo, a ligação com as subculturas.” Foi nesse período que Lucas criou o Tuna Head, zine que lhe deu notoriedade, “junto com o Bocão, que foi trabalhar na Qix e já era metido com skate. O zine tinha muito [a função] de alimentar a comunidade local, que na época tava completamente morta”.

Daí para a frente, o mal já estava feito. Pexão participou do site de notícias de skate bancado pela marca Qix, escreveu e escreve para diversas publicações ligadas ao meio, fundou a seminal galeria Adesivo (ainda sem saber vender obras direito e sendo vítima de cinco assaltos), organizou a Transfer, maior exposição de arte urbana do Brasil, no Santander Cultural em Porto Alegre, criou um estúdio de criação com sua companheira, o Noz Art, e abriu a galeria Fita Tape com uma expo coletiva classuda. Atualmente, é uma individual de Billy Argel que ocupa o espaço. No futuro? Trampo, Fabiano Lokinho e Mateus Grimm. Aliás, é Grimm que sintetiza a importância local de Lucas Pexão: “Dá pra dizer que existe em Porto Alegre uma cena de graffiti antes e depois da Adesivo. Ele aproximou muita coisa: skate, arte, quadrinhos, música. Pra mim, em especial, o cara é muito importante; mas também foi pra galera que acreditava e se encontrava desde o início. Ele tem a preocupação de valorizar o artista, nunca privilegiou algum em especial, trabalha lado a lado, impulsiona mesmo”.

Saiba Mais:
www.fitatape.art.br