Independente . 2009
Em linhas superficiais, pode-se situar o disco homônimo de estreia da Banda Gentileza como parte da onda criativa mais recente da chamada nova MPB. No entanto, seria uma afronta à sanidade reduzir a esse rótulo as 12 faixas e pouco mais de 40 minutos do álbum. Em "Preguiça", por exemplo, o samba vem com força surpreendente, principalmente em se tratando de um sexteto paranaense. Parte da responsabilidade pelo feito pode ser atribuída ao produtor carioca Plínio Profeta, vencedor do Grammy Latino por seu trabalho em Falange Canibal, lançado por Lenine em 2002. O clima de festa à Los Hermanos dá as caras em "O Indecifrável Mistério de Jorge Tadeu", em que os metais e a vontade de dançar dominam os refrões, que chegam ao fim citando um verso de "Garçom", de Reginaldo Rossi. Na sequência, "Afinal de Contas" reafirma as influências da banda, explorando o clima das valsas vienenses, que também servem como base para a explosiva "Coración". A risonha e jazzy "Sintonia", como o nome sugere, tem os dois pés no dub. O indie-rock tem seu espaço em "Pseudo Eu", música de letras autocríticas e melodia fácil que fica na cabeça por horas. Essa variedade de influências está na internet, de graça, no MySpace (/bandagentileza) e no Twitter (@bandagentileza) do grupo. Isso que é gentileza.
Por Alex Correa