Big Dada Recordings . 2009
Com um disco com o mesmo nome de uma graphic novel de ficção científica distópica que fala de genética, o Anti-Pop volta como grupo. Quando surgiram, eles eram só respostas sonoras ao que pareciam ver como caretice no hip-hop, trabalhando muito a estrutura das músicas, os timbres nas batidas e nas vozes, as interpretações das levadas e as rimas mais complexas. Era um troço agressivo, mas não tanto quanto esse disco. Ou talvez mais, porém de outra maneira. Não consegui pescar se foram as tensões internas da reunião após uma separação nunca muito bem explicada ou se foram as realizações dos projetos e carreiras solo desde o disco Arrhythmia, de 2002, que pesaram. A segunda hipótese parece fraca: Beans era sem dúvida menos abrasivo do que o próprio Anti-Pop, High Priest, mais experimental e barulhento, e mesmo assim muito diferente do que escutei aqui. Não sei muito do produtor E. Blaize, mas o disco é menos fraturado sonoramente que Tragic Epilogue, de 2000, e The Ends Against the Middle, de 2001, numa sequência lógica do álbum do ano seguinte.
As ideias sonoras como intrusões e surpresas do início foram ficando mais concisas ao longo da discografia do grupo - é só comparar qualquer música do primeiro disco com "Ping Pong". Tensões internas, talvez, mas soa meio pretensioso, no final das contas. Ninguém aqui é biógrafo dos caras. O que leva a outra explicação, talvez a mais simples de todas. Trata-se um disco mais dominado por M. Sayyid, o MC que eu ainda não tinha mencionado. Nas levadas e no timbre de sua voz, ele sempre foi o cara mais assemelhado ao rap mais dedo na cara que costumamos identificar como o de Nova York. Sim, como seus parceiros, o que ele sempre fez foi parecia partir de uma releitura - às vezes bem intelectualizada - do rap em geral para criar formas novas. O problema é que, perto dos malucos com quem ele cola, Sayyid até parece normal. Não sei se é uma hipótese válida. Mas acho que fala um pouco sobre o disco.
Por André Maleronka