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Wed: 11-11-09

Jay-Z . The Blueprint 3

Roc Nation . 2009

O lançamento do terceiro album da série The Blueprint, The Blueprint 3, concebido por Jay-Z e recém-saído do forno, foi cercado de muita expectativa no universo musical. Os oito anos que separam os lançamentos de The Blueprint, disco que deu início à saga, e este BP3 foram especialmente marcantes para a carreira do empresário-MC. Se no primeiro LP, possivelmente o mais importante da carreira do HOVA, havia muito a ser dito, criticado e inteligentemente observado, além uma série de inovações na produção, nos beats e timbres - como por exemplo o surgimento de um certo Kanye West na contenção da grande maioria das faixas -, o segundo e mais fraco dos três álbuns apresentou um Jay-Z estranhamente preguiçoso, escorado em um time fraco de convidados (não muito) especiais, que fatalmente encobriram boa parte de seu talento, além de um punhado de tentativas mal-sucedidas de crossover rap/pop.

Além disso, um verdadeiro abismo comercial e até mesmo conceitual separa o CEO Jay-Z de 2009 do ex-traficante de língua afiada nascido no Brooklyn (NY) e com um ótimo disco no curriculum vitae (o espetacular debut Reasonable Doubt, de 96). Portanto, a sensação que se tem ao longo das (várias) primeiras audições do terceiro volume da série é a de que a metralhadora vocal do homem que nunca escreveu suas rimas (!) já esteve mais carregada de munição. A necessidade de parecer politicamente correto para com uma sociedade que o aceita tão bem após tantos anos no "jogo" contrasta de forma gritante com o discurso do rapper que sempre questionou tudo e todos - de MCs a traficantes, de ex-mulheres a grandes corporações. A aparente discrição se torna ácida e letal quando o tema são outros rappers e a situação do gênero na virada da década: "Eu voltei para eliminá-los, mas vocês mesmos parecem já ter feito isso por mim" (alguém precisava ter dito isso, Jay!).

A produção de The Blueprint 3, entretanto, mostra que o Poderoso Chefão do rap sabe exatamente como conduzir as coisas. Faixas produzidas por Kanye West, Timbaland e No I.D. mantêm o nível lá em cima, enquanto a participação de um grupo reduzido de convidados (nada) especiais não chega a comprometer o resultado final, transformando o LP numa agradável mistura dos dois primeiros volumes da série. Por essas e outras, se você não gosta de Jay-Z, bom sujeito não deve ser. (Em tempo: não deixe de conferir o sample espetacular, e não creditado, do petardo "Ele e Ela", de Marcos Valle, na faixa "Thank You".)

 

Por Pedro Pinhel