Editado por Scott Plagenhoef e Ryan Schreiber
Fireside . 2008
Você pode não gostar de admitir, mas a história da escrita musical na internet – e, logo, no mundo – é dividida em antes e depois da Pitchfork. (Aliás, nada mais Pitchfork do que não concordar com tudo que a Pitchfork fala.) Desde que o site surgiu, em 1995, ninguém concentrou, traduziu e ditou de forma mais abrangente o gosto da geração mp3. Hoje, o webzine criado por Ryan Schreiber fatura mais de US$ 5 mi por ano e bate em 1,6 milhão de acessos mensais, sem perder o jeitão daquele amigo com quem você gosta de falar sobre som. Este ano, a Pitchfork finalmente estreou no obsoleto mundo do papel. Em 210 páginas, The Pitchfork 500 lista as músicas mais importantes – eleitas pelo staff de colaboradores do site – de 1977 até 2007. Controverso por definição, o livro é o primeiro guia a refletir uma tendência na forma de se ouvir música: em vez de discos, os fãs cada vez mais vão atrás das músicas. Partindo de cinco mestres do art-rock – David Bowie, Lou Reed, Iggy Pop, Kraftwerk e Brian Eno –, os verbetes levam o leitor a uma viagem comentada por 30 anos de música, dividida em ordem cronológica. Entre os capítulos, caixas hilárias falam sobre hypes efêmeros, músicas que afundaram carreiras e outras curiosidades. Mais do que um guia, The Pitchfork 500 é uma carta de intenções, onde fica evidente o caminho de maturação entre um site de rock independente e uma das principais referências da música pop no mundo.
Por Mateus Potumati