Ruína . s/t
Cospe Fogo e Karasu Killer . 2008
Uma letra diz “5 dias nas ruas bastam para tornar um homem um dejeto do progresso(...)” ou “A queda iminente em um abismo por nós criado” ou ainda “os gritos de dor ecoarão para sempre!!” Assim se faz o imaginário do grupo Ruína: a velha estilização da depressão e da falta de perspectiva de dias melhores. Por trás do CD, em sua caixinha, um desenho infantil e a frase “The black metal days”. Cadáveres e um pássaro crucificado se encontram na capa. Enumero todos estes elementos para dizer que o disco funciona muito bem por ser um exercício estilístico. Os refrões são repetitivos, variando em elementos mínimos, como se tirassem todos os demais elementos de um Black Sabbath e se prendessem às suas ambientações funestas de seus primeiros álbuns. Isso não é necessariamente novo – o Neurosis realiza toda uma carreira basicamente baseada neste princípio.
A gravação é impecável, as cordas são ecoadas e repetidas sempre em busca de alguma explosão. Os vocais rasgados dão o toque punk assim como o andamento vez por outra. Coisa de quem sabe o que quer, música madura. E caso você entre na ficção desesperançada do Ruína (note: há uma cancão tratando da guerra civil em Ruanda, nos lembrando que o imaginário do grupo se justifica na realidade), onde a lógica opera em círculos, o disco pode, pasmém, fazer sua vida muito mais feliz.
Por Arthur Dantas