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Tue: 08-19-08

Expo Transfer em Porto Alegre

Cultura urbana, arte contemporânea, transferências e transformações

Por Carmo Marchetti Berna
Crédito das imagens: Imagens gentilmente cedidas por Renato Custódio / Revista CemporcentoSkate

A mostra Transfer que acontece no Santander Cultural de Porto Alegre até 28 de setembro, surpreende ao introduzir um percurso de cultura urbana. Logo de cara, uma instalação de arquitetura skatável, concebida por Pedro Mendes da Rocha, estabelece uma relação  dinâmica com o espaço e o público.

A partir daí, os desdobramentos das diferentes formas de produção artística såo exibidas em quatro eixos: Mauditos, Beautiful Losers, Intervencionistas e Street Fine Arts. Em uma mescla de pintura, ilustração, fotografia, design, fanzines, adesivos, serigrafia, vídeo, documentários, skatismo, street art, música, palestras e oficinas.

Com curadoria de Lucas Ribeiro, em parceria com Fabio Zimbres, Alexandre Cruz e Christian Strike, ingressamos num universo de produções independentes, no estilo “do it yourself” característicos dos movimentos ligados `a contra-cultura.

O eixo Beautiful Losers apresenta uma versão enxuta, do que já é uma exposição itinerante internacional. Entre outros: Shepard Fairey, super engajado, promove além de projetos comerciais, trabalhos de cunho político e ambiental. O bem-sucedido Mike Mills, diretor do genial longa “Thumbsucker”, Barry McGee grafiteiro californiano e Mark Gonzales iconoclasta do skatismo.

Em Intervencionistas estão registros audiovisuais de intervenções urbanas realizadas em várias cidades brasileiras e ações como as performances de skate e laboratórios experimentais. Em Mauditos, encontramos obras originais em diversos suportes ligados a cultura dos fanzines, ao design gráfico. As pranchas de skate ilustradas por Billy Argel são atualmente itens para colecionadores.

Os brasileiros arrasam no eixo Street Fine Arts.

Herbert Baglione produziu in loco desenhos impregnados de referências psico-existenciais, numa explosão de sombra e luz. O grafiteiro Nunca pintou uma parede gigante, com um desenho que vislumbra as gravuras de Debret. Flavio Samelo utiliza fotografia e pintura que remetem ao concretismo urbano de Geraldo de Barros. A crueza do desenho e a poesia no trabalho de Rim, complementam-se.

A polivalência é um atributo da maioria dos artistas urbanos. Alex Hornest – escultor e ilustrador – cria personagens que poderiam estar nas telas de Walt Disney, mas sofreram as metamorfoses de um mundo não-infantil. Carlos Dias, artista porto alegrense, tem um universo próprio, energético, cheio de personagens e ruídos absurdos. Na seqüência Walter Nomura “Tinho” revisita de Robert Rauchenberg a Georg Bazelitz, o neo-expressionista alemão. Nina Moraes, Trampo, Mateus Grimm e Geraldo Tavares deixaram suas estampas nas colunas encapadas do foyer central.
Vale a pena conferir também os outros artistas: Adriano Onio, Bruno 9li, Felipe Yung, Kboco, Leandro Mello, Luciana Araújo, Marcelo Cidade, Ramon Martins, Silvana Mello, Speto, Stephan Doitschinoff, Titi Freak e Viché,

Todos capazes de transferir e transformar cultura urbana em arte contemporânea.