(adaptado do release)
Ditadores em crise, políticos trapaceiros, patrões temperamentais, empregados megalomaníacos, intelectuais oportunistas, impérios desgovernados e os bastidores da negociata e da propina estão em cartaz na mostra A COMÉDIA DO PODER, destaque da programação da
Cinemateca Brasileira entre os dias 22 de julho e 07 de agosto.
A tradução dada pelos distribuidores a L’Ivresse du pouvoir (2006), filme do veterano cineasta francês Claude Chabrol, serve de mote para o ciclo. A COMÉDIA DO PODER exibe, em cópias 35mm, dois clássicos da comédia política como O Grande Ditador (1940) – primeiro filme sonoro de Chaplin – e Diabo a Quatro (1933), de Leo McCarey – clássico da filmografia dos irmãos Marx. Na programação, constam ainda dois títulos fundamentais para a formação do cinema moderno como A Regra do Jogo (1939), de Jean Renoir, influência decisiva para a geração da nouvelle vague, e Cidadão Kane (1941), de Orson Welles, filme que, segundo François Truffaut, “resume todos e antecipa todos os outros”. Além de Kane, a mostra apresenta Macbeth (1948), também na versão dirigida por Welles, uma sombria adaptação para a peça de Shakespeare, e O poder Vai Dançar (1999), de Tim Robbins, filme que retrata o início da carreira do cineasta, então um jovem diretor de teatro às voltas com a censura.
O cinema brasileiro marca presença com filmes representativos de sua história: Caça à Raposa (1913), de Antonio Campos, raro documentário do período silencioso; Nem Sansão nem Dalila (1954), de Carlos Manga, uma das mais célebres chanchadas da Atlântida na qual Oscarito imita, numa das seqüências, os trejeitos do ditador Getúlio Vargas; À Meia Noite Levarei sua Alma (1964), de José Mojica Marins, gênese da trilogia de Zé do Caixão, um dos personagens mais marcantes da história do cinema brasileiro; O Bravo Guerreiro (1969), de Gustavo Dahl, exemplar típico do Cinema Novo do pós-64; Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade, produção originalmente realizada para a TV italiana e Sermões: a História de Antonio Vieira (1989), de Júlio Bressane, que recria de forma nada tradicional a trajetória do pregador português assassinado na Capitania Hereditária de Salvador em 1697.
Há ainda obras do cinema marginal nacional, como Cuidado Madame (1970), de Júlio Bressane, uma produção da Belair Filmes, companhia fundada por Bressane e Rogério Sganzerla em 1970, responsável por alguns dos mais importantes filmes do cinema experimental brasileiro (uma rara cópia 16mm foi cedida pela Cinemateca do MAM no Rio de Janeiro) e Patty, a Mulher Proibida (1979), de Luiz Gonzaga dos Santos, uma produção da Boca do Lixo, com roteiro do escritor Marcos Rey.
Completando a programação, vale destacar, além da coletânea de curtas formada por Maranhão 66 (1966), de Glauber Rocha, Bla Bla Bla (1968), de Andrea Tonacci e Yellow Caesar (1941), de Alberto Cavalcanti, a exibição do musical Sr. Puntilla e seu Criado Matti (1955), também de Cavalcanti, uma adaptação da peça homônima de Bertolt Brecht, com roteiro co-escrito pelo dramaturgo, e de Hitler, um Filme da Alemanha (1977), de Hans-Jürgen Syberberg, cineasta inclassificável, autor de obras marginais dentro da geração do Novo Cinema Alemão.
SERVIÇO:
Mostra A Comédia do Poder . Até 07 de agosto de 2008
CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207 . próxima Metrô Vl Mariana . SP
Info: (11) 3512-6111 (ramal 215)
R$ 8 (inteira) / R$ 4 (meia-entrada)
Estudantes do Ensino Fundamental e Médio de Escolas Públicas têm entrada gratuita mediante apresentação da carteirinha.