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Tue: 06-24-08

Rebelde Entre os Rebeldes, de Arnaldo Baptista

Rebelde Entre os Rebeldes . Arnaldo Baptista . Rocco . 2008

A estréia na literatura de Arnaldo Baptista, o eterno líder do trio Mutantes é, definitivamente, o termômetro para sua carreira artística. Nem a genialidade de sua música nos primeiros discos dos Mutantes nem a obsolescência do retorno do grupo. Nem a explosão de seu primeiro álbum-solo, Lóki? , nem a debilidade de seu último registro solo, Let It Bed. Nesta ficção científica, o que o autor faz, em uma tentativa um tanto naif, é contar uma história através de um gênero literário muito caro ao desbunde dos anos 60, que fala muito menos dos personagens da trama e muito mais sobre os interesses temáticos e a filosofia psui generis do autor.

A história, desenvolvida com cortes abruptos, comporta um enredo arquetípico do gênero (viagens interplanetárias, teses científicas fantasiosas, naves espaciais etc), para narrar a aventura de um Adão e Eva versão Era de Aquário que tentam garantir a continuidade da raça humana. É a ficção de alguém que não entende e não é entendido por seus pares, temeroso da agressividade humana (um tema caro ao livro) e ciente dos demandos do poder. Sua intervenção diante de tal realidade é através de uma arrumação artística - neste caso, uma ficção científica. O grande problema, talvez, é que a realidade tal qual entendida pelo autor, parece não ter superado os anos 1970.

De toda forma, a história tem seu charme e uma aura romântica quase inexistentes em nossa época. Se falta os dotes e fôlego de um Thomas Pynchon, a ironia feroz de um Kurt Vonnegut ou o desvario e preciosismo textual de um José Agrippino de Paula, sobra uma pureza e desbragamento caros à Arnaldo Baptista que conferem força peculiar ao livro. É dessa força de propósitos que reside a qualidade (ou defeito, cabe ao leitor decidir) do livro.

Por Arthur Dantas