Full Banner Soma Topo
 
+REVIEWS


Mon: 04-14-08

Skatalites no Clube Inferno, 08/04, em São Paulo

Por Arthur Dantas

Se já não bastasse o impacto antecipado causado pela ansiedade de ver o show de um dos maiores grupos de música jamaicana da história, tinha ainda o peso de, além de três membros da sua primeira fase (Lloyd Knibbs - bateria, Lester Sterling - sax alto e Doreen Schaffer - vocal), havia ex- membros do Steel Pulse (Kevin Batchelor - trompete), do Mystical Revelation of Rastafari (Cedric “IM” Brooks - sax tenor), do Wailers (Vin Gordon – trombone) e dos Abyssinians (Val Douglas – baixo). Resumindo, um time de ótimos músicos, que mantém acesa a chama da que era chamada de “melhor banda de gravação do Studio One” – o lendário estúdio jamaicano.

O show é uma amostra perfeita do ska tradicional: batidas proto-reggae, ataques massivos de naipe de metal, espaço para solos jazzísticos dos mesmos, alguns refrões pegajosos para serem entoados juntos, a bateria sincopada... O que mais seria necessário para fazer uma festa e botar cerca de 600 pessoas para dançar? Uma boa imagem para mim, foi o fato de ver uma meia dúzia de carecas dançando e sorrindo, sem querer demonstrar a estupidez de sua violência idiota aos incautos. Pois é: têm coisas que realmente só um Skatalites faz pela gente!

O grupo esbanja simpatia e é impossível não ficar pasmo com a vitalidade de um Lloyd Knibbs, que do alto de seus 77 anos, conduz a bateria belamente do início ao fim. E o repertório ajuda e muito: Adorable you, Freedom Sound, Latin Goes Ska, Guns Of Navarone e “Rivers Of Babylon”, por exemplo. Há ainda os momentos aonde sobressaem a participação da vocalista Doreen Schaffer, dona de um timbre de voz límpido e suave, canalizando todas as atenções e desempenhando belamente o papel de diva da noite. Impossível não se emocionar com a interpretação dela para Sugar Sugar, uma das músicas de amor prediletas do falecido Joe Strummer.

Ao fim da noite, fica fácil descobrir porque, além de Joe strummer, tinham como fãs Bob Marley e Peter Tosh, por exemplo. Histórico!