Conrad Editora . 2008
O novo filme de José Mojica Marins, a Encarnação do Demônio, encerra a trilogia de seu grande personagem Zé do Caixão, em busca da mulher perfeita para parir seu filho. Para justificar a ausência de 40 anos do coveiro maldito, seria necessário um filme intermediário. A solução encontrada foi narrar os anos de cárcere do personagem neste álbum. Ainda bem!
Samuel Casal, ilustrador com quase duas décadas de serviços prestados, foi uma escolha preciosa para contar essa história. O traço de Casal, baseado em um lancinante jogo de (muito) preto e (pouco) branco é perfeito para mostrar o tormento e morbidez da vida em uma penitenciária. Ainda mais com um Zé do Caixão doido por realizar “testes” com as cobaias humanas a sua disposição naquele ambiente. Nenhuma tortura ou castigo é gratuito, são formas de castigar os “seres inferiores” e manter seu espírito iconoclasta vivo, pronto para o que der e vier ao sair da cadeia. Essa idéia se encerra nas duas páginas finais do álbum, quando um pastor prega para alguns presidiários, enquanto Zé do Caixão se prepara para sair finalmente da penitenciária e diz “Pai, perdoai-lhes... Porque eles não sabem o que fazem... deixando-me sair”. Agora é ir ao cinema e ver o desfecho. Como extra, há oito artistas dando sua visão a respeito do coveiro mais famoso do país.
Por Arthur Dantas