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Tue: 12-02-08

JazznosFundos Festival em SP (Veja entrevista)

O projeto JazznosFundos está fazendo dois anos e mantendo seu intuito de informar e entreter o público sobre as várias vertentes do jazz, irá comemorar o aniversário e como encerramento da temporada 2008, com um grande festival no dia 13 de dezembro. Serão 6 horas de jazz ininterruptas, reunindo três bandas que passaram pelo palco da casa durante o ano.

Abrindo a noite, a Tito Martino Jazz Band apresenta um repertório de jazz tradicional, que inclui temas clássicos do swing e ragtime - ritmos responsáveis pelo estouro do jazz nos anos 20. A The Jazz Brothers explorará o Bebop, estilo mais rápido e virtuoso do jazz, consagrado nas mãos de mestres como Miles Davis, John Coltrane e Dizzy Gillespie. Por fim, o BGrooves trazendo o melhor do Fusion, resultado da mistura do jazz com o rock, o funk, o eletrônico e outros estilos.

A +Soma conversou com Caroline Sampaio, 29 anos, produtora musical do JazznosFundos. Sobre o projeto e o festival.  

+Soma . Quando nasceu o Jazz nos Fundos? Quem criou e por que?
Caroline Sampaio . O JazznosFundos surgiu há dois anos, dentro do espaço que inicialmente era um ateliê de artes plásticas. Quando o espanhol Máximo Levy chegou por aqui, o lugar estava em ruínas. Ele passou 3 anos trabalhando, arrumando o espaço e produzindo suas esculturas feitas com material reciclado (quase tudo que tem no espaço hoje é feito de sucata encontrada pelas ruas e caçambas da cidade). Em um certo momento, ele decidiu abrir as portas para os amigos e realizar pequenos encontros ao som de jazz ao vivo. Em pouco tempo já tinha gente vindo de todos os lugares pra escutar a boa música em um lugar muito diferente do que se encontra por aí.

+Soma . Como vocês criam a programação? Os músicos chegam até vocês ou há uma curadoria?
Caroline . Hoje nós temos uma curadoria musical bastante cuidadosa. No ínicio de cada semestre a gente marca um encontro com os músicos interessados em tocar aqui, pra explicar quais são os "eixos" de shows que pretendemos seguir. Cada banda apresenta propostas dentro dessas linhas, a gente recebe e monta a programação. Por exemplo, fizemos uma série chamada "História do Jazz", na qual, no último fim de semana de cada mês, nós apresentávamos um show de um estilo diferente de jazz, em ordem cronológica. Quem acompanhou, teve "aulas" ao vivo, nas quais os músicos explicaram as variações e peculiaridades de cada etapa do jazz. Dessa forma, a cada semestre, a gente monta uma programação específica tentando trazer sempre bandas novas e de alta qualidade. No site você pode acompanhar os eixos desse semestre que está terminando.

+Soma. Qual o estado do jazz no Brasil?
Caroline . Eu não tenho como te dizer como anda o jazz pelo Brasil todo, mas posso te dizer o que vejo aqui em São Paulo: depois de algumas décadas em que a música instrumental esteve ausente das preferências musicais da juventude, nos últimos anos ela vem voltando com muita força. Daqui daonde estamos, percebemos um movimento forte tanto pelo lado do público, quanto pelo lado dos músicos, com o surgimento de bandas novas com trabalhos de alta qualidade. Ao mesmo tempo, é visível o aumento do número de casas de shows que incluem o jazz e a música instrumental na sua programação (você pode reparar, por exemplo, como a coluna de shows de jazz no Guia da Folha vem crescendo a cada semana). Todos os meses temos grandes nomes do jazz passando pela cidade, muitas vezes em shows gratuitos, e com um público enorme. Os jovens se voltaram para a música instrumental com grande interesse, e vêm retirando o jazz das prateleiras empoeiradas dos nossos pais, de volta às pistas e aos palcos da cidade.

+Soma . Fale um pouco sobre o primeiro festival que acontece em dezembro e projetos futuros.
Caroline . Seguindo essa "onda boa", de crescimento da cena instrumental e de consolidação do nosso trabalho aqui nos Fundos, a gente decidiu organizar o nosso primeiro festival, o JazznosFundos Festival, que vai acontecer no dia 13 de dezembro na Aldeia Turiassú, em Perdizes. Serão 6 horas de shows, que vão atravessar a história do jazz (veja mais detalhes em aqui).

Entre as apresentações das bandas, acontecerão intervenções solos de músicos nos mais variados instrumentos (vibrafone, bateria, etc etc). Isso quer dizer que, independente da hora que você chegar, vai ter som ao vivo rolando. O festival é uma forma de agradecer e brindar, ao mesmo tempo, ao nosso público (que dessa vez vai ter espaço de sobra, sem aperto, sem hora pra acabar) e aos músicos, que merecem todo o destaque pelos trabalhos criativos e de altíssima qualidade que vêm desenvolvendo. Já reparou que todo festival de jazz termina com uma atração internacional? E por que, se a música brasileira é uma das mais valorizadas do planeta? É hora de olharmos para os nossos talentos e reconhecermos os nossos potenciais, a nossa criatividade, e o nosso swing que gringo nenhum consegue copiar.

SERVIÇO:
Jazz nos Fundos . Rua Turiassú, 928 . Perdizes . SP
das 23h30 às 5h30
Na porta . R$40 (inteira), R$20 (estudante)
Antecipado . R$25 (à venda no Jazz nos Fundos)