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Mon: 11-24-08

SP NOISE - Segundo Dia (Sábado)

SP Noise . 22 de Novembro de 2008

(em destaque, Helmet em São Paulo depois de 14 anos)

Por Mateus Potumati
Fotos Janaína Felix

Quando a banda carioca Do Amor entrou no palco 2, um bom público já esperava para ver sua elogiada mistura entre indie rock e música brasileira. As músicas do grupo transitam áreas tão distintas como linhas de baixo à Devo, guitarras de Superchunk a Robertinho do Recife e levadas que trazem de Paralamas do Sucesso a carimbó. Mas, apesar de ter agradado a parte do público, o Do Amor por vezes resvalava no pastiche e em clichês típicos de bandas universitárias.

Uma das principais atrações do festival, a apresentação do Black Lips ficou aquém em relação aos bons discos da banda. Tocadas de forma caótica – no mau sentido: displicência? deficiência técnica? –, faixas ótimas como “Good Bad No Evil”, “Katrina” e “Bad Kids” não empolgaram como o esperado, apesar da empolgação do vocalista Cole Alexander e do baixista Jared Swilley. Se na era do download amigo o negócio é se garantir no palco, mais ensaio e de dedicação à música não faria mal ao Black Lips.

Em seguida, veio o show mais aguardado da noite. Escalado de última hora, o Helmet causou uma correria aos postos de venda e garantiu a lotação do Eaze. Totalmente reconfigurada, a banda ícone do rock alternativo nos anos 1990 segue apenas com um integrante da formação original: o guitarrista, vocalista e compositor nova-iorquino Page Hamilton. Mas, como discípulos aplicados, os jovens membros da banda de apoio suaram a camisa nas dezenove faixas do show. A abertura do show contou com faixas novas, como “Swallowing Everything” de 2006 e “See You Dead”, de 2004. Diante da insistência de um fã que pedia os clássicos, Hamilton mandou um “fuck you, dude” e disse que tocaria o que queria. Depois de um gole no seu uísque, ele emendou, mais simpático: “somos uma banda de 20 anos, prometo que vamos tocar todos os nossos discos”. Na quarta música do show, finalmente a velharia veio com tudo, na quebradeira de “Ironhead”, do álbum Meantime, de 1992. Se os lançamentos recentes da banda são pouco dignos de nota (apesar de conterem algumas faixas muito boas), Hamilton acertou em cheio a partir daí: destilando músicas da era de ouro do Helmet, o grupo causou a única verdadeira catarse coletiva do festival, transformando a pista em uma grande roda de pogo, crowd surfing e outras práticas pouco simpáticas ao corpo de seguranças da casa. Esbanjando desenvoltura com o público, Hamilton fez piadas o tempo todo – com direito à clássica frase “toco em casamentos, bar mitzvahs etc.”. Em mais de 1h30min de show, Hamilton comandou com maestria sucessos como “Driving Nowhere”, “Diet Aftertaste”, “Meantime” e “Milktoast”. No bis, a catarse final de “Unsung”.

Prejudicados por problemas de aterramento no equipamento – o microfone de Eugene Kelly deu vários choques em sua boca – e pelo atraso geral da programação, que no dia anterior reduzira o show do Black Mountain a míseros 35 minutos, os Vaselines só entraram no palco depois das 22h. Mesmo assim, o grupo escocês conseguiu tocar as músicas mais importantes de sua curta – mas extremamente influente – discografia. O show abriu com “Son of a Gun”, uma das três músicas da banda regravadas pelo Nirvana. O grande trunfo dos Vaselines é saber equilibrar a equação entre ética punk e uma sonoridade delicada, dualidade personificada no contraste entre Kelly e a vocalista/guitarrista Frances McKee.

O festival ficou devendo na curadoria das bandas nacionais e das estrangeiras “secundárias” – boa parte delas escaladas por outros motivos que não a qualidade musical.


(na seqüência, Black lips, Helmet e Vaselines)