Animal Collective . Water Curses . Paradise Recordings . 2008
O recente EP do quarteto Animal Collective apresenta um paradoxo. Se cada uma das faixas revela muito da personalidade e singularidade de cada integrante, enfraquece a força de conjunto que, no fim, é o elemento central da estética do grupo, onde a celebração da vida, em chave quase sempre epifânica, é o mote. O clima como um todo do EP, pende para a faceta mais “bucólica” do trabalho do grupo nova iorquino.
A faixa de abertura que dá nome ao EP segue a faceta mais pop do grupo – o que significa dizer que ao meio de elementos díspares combinados e ruídos pontuando a canção, há espaço para melodias reconhecíveis que remetem a um possível pop psicodélico sessentista. “Street Flash” parece extraída diretamente do álbum solo de Panda Bear, Person Bitch. Coros sobrepostos, ecos mil, uma intensidade que não encontra a catarse, mantendo o ouvinte em suspensão. As duas faixas seguintes, “Cobwebs” e “Seal Eyeing” mostram a predileção do grupo na manipulação de equipamentos eletrônicos e a criação de sons ambient plácidos, emulando muitas vezes a paranóia de uma bad trip. O álbum não tem o brilho de Strawberry Jaw, seu álbum mais “feliz”, mas dimensiona o que poderemos ver na apresentação do grupo em novembro no Brasil. Música pró-invenção, coisa em desuso atualmente.
Por Arthur Dantas