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Tue: 10-21-08

São Paulo Underground - The Principle of Intrusive Relationships

São Paulo Underground . The Principle of Intrusive Relationships . Submarine Records – 2008

O segundo álbum do São Paulo Underground, The Principle of Intrusive Relationships é, aparentemente, impermeável. Ao contrário do primeiro trabalho, sauna: um, dois, de 2006, onde muitas das composições se apresentavam de forma mais evidentemente estruturadas e melódicas, pendendo mais a fase recente do Hurtmold (grupo de dois membros do SPU, Maurício Takara e Guilherme Granado), aqui as canções pendem para a música abstrata e o improviso, searas mais caras ao trabalho do artista multimídia Rob Mazurek, músico importante na cena musical de Chicago, que acabou adotando o Brasil como lar nos últimos tempos.

A primeira faixa, “final feliz”, entrega muito do que encontraremos no restante do disco. A faixa “sobrepõe camadas de sons. No começo das músicas um timbre não se relaciona com os outros e nem está disposto a sugerir nada que acostumamos a escutar na natureza e na música”, segundo texto do crítico de arte Tiago Mesquita presente no próprio álbum (aliás, parte do texto é jogado na própria capa do disco e falarei mais adiante sobre o casamento entre o som multifacetado do grupo e o diálogo textual sugerido). Ao longo dos seis minutos da faixa, ritmos e melodias mais “reconhecíveis” vão surgindo, assim como fragmentos do que seriam ritmos tipicamente brasileiros; eis o final feliz sugerido pelo título!

A estranheza inicial, vai cedendo espaço e começa um processo associativo imagético. Porém, é trabalho que exige empenho por parte do ouvinte. Por fim, a síncope e a tensão cedem espaço a uma obra compacta e absolutamente harmônica. E o texto de Tiago Mesquita oferece uma imagem perfeita e exata do resultado: “é quase uma encenação teatral da formação de um planeta”. O texto, que inicialmente se apresenta como uma crítica musical, acaba por incorporar uma pequena narrativa que, ao que me pareceu, parece incorporar movimentos da própria música do grupo e, ao passar de forma brusca, porém orgânica, do texto teórico para a ficcionalização, mimetiza a gênese da estética do SPU, onde o que sugere a aleatoriedade e ruído, é apenas máscara para uma musica livremente composta e bela, harmoniosa. Grande disco!