Por Mateus Potumati
Fotos Rei Santos
Aconteceu no final de semana passado a edição 2008 do festival Demosul, em Londrina (532 km de São Paulo, no norte do Paraná). Em duas noites de muito barulho e groove à luz da lua, aproximadamente 5 mil pessoas lotaram a área das piscinas do belo clube Grêmio Recreativo Literário Londrinense.
Na noite de sexta, o ponto alto foi o show do Mudhoney, que fez na cidade a primeira apresentação da turnê em comemoração aos seus 20 anos de carreira. Na primeira visita do grupo à cidade, a platéia compareceu em peso. O público de aproximadamente 1900 pessoas (segundo informações da organização) reuniu desde adolescentes – que nem tinham nascido quando o grupo lançou o single “Touch Me I’m Sick”, em 1988 –, até adultos na casa dos 35 a 40, órfãos dos anos grunge. O quarteto de Seattle fez um show generoso, de 1h45min, e como esperado tocou várias faixas do disco novo, The Lucky Ones, além dos hits que fizeram a história do grupo. A catarse grunge começou espinhosa, com a cover “The Money Will Roll Right In”, da banda punk californiana Fang, que o Mudhoney já havia gravado em 1991. Na seqüência vieram duas músicas de The Lucky Ones: “I’m Now”, um garage punk clássico, e “Next Time”, uma canção de amor bizarra ao melhor estilo “1969”, dos Stooges.
Depois disso veio uma seqüência matadora de hits. Não ficaram de fora “Suck You Dry”, “Into The Drink”, “Touch Me I’m Sick”, “Let it Slide” e “You Got It (Keep It Out Of My Face)”. Mark Arm se contorcia, pulava e rasgava a voz com seu timbre único, mostrando ao vivo a mistura visceral entre punk e metal arrastado que criou o grunge. Enquanto alguns se esgoelavam nos refrões até perderem a voz, à frente do palco uma massa de pós-adolescentes se espremia em rodas de pogo e fazia crowd surfing. Mais atrás, alguns fãs mais velhos viam o show sentados, mas sem esconder o sorriso de satisfação do rosto. Após o cover “Hate The Police”, do Dicks, Mark Arm se despediu do público. Mas não deu nem tempo de respirar: os quatro voltaram rapidamente ao palco e emendaram sua versão para “Street Waves”, da seminal banda de avant garage Pere Ubu. A essa altura, as camadas produzidas pela guitarra de Steve Turner, apoiada pela guitarra base de Arm, criavam uma atmosfera densa e hipnótica, onde o barulho incessante se diluía em texturas quase visíveis. Esse domo de eletricidade só aumentou com “Fix Me”, cover do também seminal Black Flag, e ao final parecia tomar conta de todo o ambiente. Aos presentes, só restava recuperar os sentidos e tentar achar o rumo de casa.
Antes do show do Mudhoney, a noite ainda teve como destaques os locais New Ones e Droogies, ambos com dois pés fortes no punk inglês, e o homem-banda curitibano O Lendário Chucrobillyman, que reuniu um bom público no palco secundário do festival.
Na noite de sábado, um público de mais de 3000 pessoas (segundo a organização) não se assustou com a possibilidade de chuva e deixou intransitável a pista do grêmio para o show da Nação Zumbi. O grupo pernambucano tocou músicas de todas as fases da carreira e deixou a platéia ensandecida. Mesmo sons mais recentes, como “Hoje, Amanhã e Depois”, e “Blunt Of Judah” foram cantados em coro pelos fãs, que não pararam um instante. No bis, três dos maiores hits do grupo encerraram o show em êxtase absoluto: “A Praieira”, “Manguetown” e “Quando a Maré Encher”.
Entre as outras apresentações da noite, a que mais agradou ao público foi a local Trilöbit, com seu electro-rock caipira-bruto.
Abaixo, confira fotos e vídeo exclusivo do Demosul 2008.